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Brasil planeja ganhar mercado na venda de petróleo para a Índia

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A possibilidade de o Brasil exportar mais petróleo para a Índia e ocupar uma parte do espaço deixado pelo Irã e Venezuela deverá estar na agenda do presidente Jair Bolsonaro com autoridades indianas, preveem fontes que acompanham as relações bilaterais. Bolsonaro chegou a Nova Déli num momento em que a Índia atravessa forte desaceleração de seu crescimento. A projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) é de que a economia indiana teve um crescimento de 4,8% em 2019, a menor taxa desde 2008.

Mas a estimativa de organizações internacionais e bancos é de que a Índia logo voltará a crescer mais. Entre 7% e 9%, como no passado recente, está fora do alcance no futuro próximo. No entanto, o PIB indiano deve avançar 5,8% em 2020 e 6,5% em 2021, nas estimativas do FMI. Com isso, o país continuará a ser a grande economia de crescimento mais acelerado no mundo.

Nesse cenário, as autoridades indianas dão grande ênfase à segurança energética. O país é um dos maiores importadores mundiais de petróleo. Compra no exterior 83% do que consome. Com sanções internacionais pesando cada vez sobre o Irã e a Venezuela, as importações indianas procedentes desses dois grandes fornecedores passaram a degringolar no segundo semestre de 2019. Por sua vez, um terço das exportações brasileiras de US$ 2,7 bilhões no ano passado para a Índia foi de petróleo.

Indagado sobre esse potencial concreto de negócios, que vai na direção da segurança energética indiana, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou: “Queremos vender. Não é ocupar espaço dos outros, mas vender mais, temos capacidade para isso e há espaço para [exportar para a Índia] muito mais”.

Ele observou que, enquanto a Índia importa mais de 80% de suas necessidades de petróleo, o Brasil se tornou exportador líquido da commodity. Conforme economistas da ONU, a demanda global por energia continuará aumentando na próxima década.

O ministro indiano de Energia, R. K. Singh, ao participar de um seminário com Albuquerque, destacou o potencial bilateral na área energética e observou que o convite a Bolsonaro para participar do Dia da República, no domingo, é algo que só se faz a países amigos mais próximos. Autoridades dos dois países consideram que a relação bilateral não tem sido suficientemente explorada, mas pode deslanchar a partir de agora, com ênfase em questões energéticas e agrícolas na atual visita.

No entanto, persiste prudência sobre o que pode aparecer como resultados. A proposta de ampliação do acordo de preferências tarifárias do Mercosul com a Índia, passando de 450 linhas tarifárias para 2 mil, é vista com reservas pela Confederação da Indústria Indiana.

Na área agrícola, a ministra Tereza Cristina veio acompanhada de uma forte delegação do setor de carnes de frango e suína. No ano passado, pela primeira vez o Brasil conseguiu exportar simbólicas 30 toneladas de frango para o mercado indiano. O que continua pesando é a tarifa de 100% sobre frango cortado, tornando a importação inviável, e de 30% sobre frango inteiro. A ministra defendeu que a Índia reduza suas alíquotas para a compra de carne de frango brasileira, durante encontro empresarial no país asiático.

A ministra confia, em todo caso, em cooperação para maior produção de etanol pela Índia, podendo ajudar na “commoditização” do produto no mercado internacional. Bolsonaro, antes de embarcar para o país, afirmou que defenderá o aumento das exportações brasileiras do combustível.

O governo Modi introduziu, por exemplo, uma redução importante do imposto sobre empresas de 35% para 25%, ou 17% para novos projetos industriais. Os bancos estatais estão sendo recapitalizados para seus empréstimos ajudarem no crescimento. Companhias estatais poderão ter mais de 50% do controle vendido para o setor privado.

Além disso, o governo lançou programa de investimento em infraestrutura de 1,3 trilhão até 2024, data das próximas eleições gerais no país. O setor energético receberá a maior fatia.