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Petrobras retoma estudos sobre terminal flutuante para gás do pré-sal

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O gerente executivo de Gás Natural da Petrobras, Rodrigo Costa Lima, afirmou na última semana que a instalação de um terminal flutuante de gás pode ser a solução para escoamento da produção de novos campos do pré-sal.

A decisão, diz, tem que ser tomada até 2022 para absorver o crescimento da produção na segunda metade da próxima década, e tem que envolver outras empresas produtoras de gás no país.

A capacidade de escoamento do gás natural é um dos principais obstáculos para a ampliação da oferta da produção do pré-sal, um dos vetores do plano de abertura do mercado que pode garantir o "choque de energia barata" prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Atualmente, duas grandes rotas de gasodutos trazem o combustível das plataformas em alto mar. Uma terceira está sem construção. Juntas, elas terão capacidade para carregar 54 milhões de metros cúbicos por dia, o equivalente a cerca de 80% do volume extraído atualmente na Bacia de Santos, a maior produtora de gás do país.

Com a perspectiva de novas descobertas, diz Lima, a ampliação da infraestrutura será necessária. A opção por um terminal flutuante, afirmou, garante maior flexibilidade às operações, argumenta o gerente executivo da Petrobras.

O terminal teria capacidade para liquefazer o gás para transporte em navios até terminais de regaseificação na costa brasileira ou no exterior. A Petrobras chegou a estudar a alternativa há uma década, mas abandonou a proposta diante dos altos custos de construção.

"Há hoje no mundo cinco projetos de liquefação de gás offshore [no mar]. É uma tecnologia que avançou bastante em relação nesses dez anos", disse Lima, em entrevista após palestra na OTC, conferência do setor de petróleo no Rio.

Ele frisou, porém, que há ainda desafios para reduzir os custos dessa tecnologia, considerando que os preços do petróleo e do gás estão mais baixos. Mas ela tem vantagens em um mercado bastante dependente de termelétricas, cujo consumo varia bastante durante o ano. Quando as usinas estiverem paradas, o gás pode ser exportado.

Lima afirmou que qualquer solução para ampliar a infraestrutura de escoamento do gás depende primeiro da confirmação de novas descobertas e deve considerar parcerias entre os diversos produtores com operações no país.

"Toda essa infraestrutura que a a gente esta considerando para escoamento e processamento de gás natural seguramente terá que ser compartilhada com todos os produtores", disse o executivo.

A falta de acesso aos dutos existentes é um impeditivo para que novos vendedores de gás atuem no mercado. Hoje, embora seja dona de cerca de 75% da produção nacional de gás, a Petrobras é praticamente a única vendedora, já que suas sócias preferem lhe vender suas parcelas.

A abertura da malha de transporte a terceiros é uma das medidas do programa Novo Mercado de Gás, lançado no governo Bolsonaro com o mote do "choque de energia barata", que tenta reduzir o monopólio no setor.

Em acordo com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a Petrobras se comprometeu a vender participações remanescentes em grandes gasodutos e distribuidoras de gás canalizado. A expectativa é que sua fatia na venda do combustível caía a cerca de 50% ou 60% no futuro.

"O desafio é como desenvolver a infraestrutura e colocar o gás no mercado", disse a superintendente de Exploração da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Marina Abelha, lembrando que a maior parte da produção do pré-sal em Santos não está chegando ao mercado hoje.