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Nova Base Comandante Ferraz recebeu US$ 100 milhões em investimentos

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O trabalho de reconstrução da Base Comandante Ferraz, na Antártica, está na reta final. O novo prédio do centro de pesquisas brasileiro, que fica na ilha Rei George, na Bahia do Almirantado, vai ser reinaugurado em janeiro de 2020. Ele está sendo erguido ao lado da atual base, que tem uma estrutura provisória. A Estação Comandante Ferraz foi criada em 1984, mas em 2012 pegou fogo. Na ocasião, dois militares morreram e 70% das suas instalações foram perdidas.

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O Governo Federal investiu cerca de US$100 milhões de dólares na obra, e a unidade recebeu os equipamentos mais avançados do mundo. No local, pesquisadores vão realizar estudos nas áreas de Biologia, Oceanografia, Glaciologia, Meteorologia e Antropologia.

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Para conferir como está o andamento da obra e checar os últimos detalhes antes da reinauguração da Estação, o contra-almirante Sérgio Guida, que é o gerente do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), realizou, nesta semana, uma vistoria na nova base. Ele checou todas as instalações da unidade e ficou satisfeito com o que encontrou. “A obra está dentro do cronograma e certamente ficará pronta na data prevista”, avaliou. O Proantar é o responsável pela presença do Brasil na Antártica desde 1982.

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Ocupando uma área de 4,5 mil m², a estação poderá hospedar 64 pessoas. O novo centro de pesquisas vai contar com 17 laboratórios. Cientistas da Fiocruz devem ser os primeiros a trabalhar na estação, desenvolvendo pesquisas na área de microbiologia. O grupo analisa fungos que só existem na Antártica e pretende avaliar o poder medicinal destes micro-organismos. A Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA) também já confirmou que vai desenvolver projetos meteorológicos na base brasileira.

Visão do local onde está sendo erguida a Nova Base Comandante Ferraz na Antártica Foto: Maurício de Almeida / EBC

O estilo arquitetônico da estação impressiona no meio do gelo da Antártica. Algumas medidas foram tomadas para adaptar a base às condições climáticas do local. Para ficar acima da densa camada de neve que se forma no inverno, o prédio recebeu uma estrutura elevada. Os pilares de sustentação pesam até 70 toneladas e deixam o centro de pesquisa a mais de três metros do solo.

A estação também oferece conforto. Os quartos, com duas camas e banheiros, lembram acomodações de um hotel. Eles vão abrigar pesquisadores e militares. A estação também tem uma sala de vídeo, locais para reuniões, academia de ginástica, cozinha e um ambulatório para emergências.

Em todas as unidades da base foram instaladas portas corta fogo, e também foram colocados sensores de fumaça e alarmes de incêndio. Nas salas onde ficam máquinas e geradores, as paredes são feitas de um material ultrarresistente. No caso de um incêndio, elas conseguem suportar o fogo durante duas horas e não permitem que ele se espalhe por outros locais. Este tempo vai possibilitar acionar o esquadrão anti-incêndio e retirar as pessoas da estação em segurança.

A nova base Comandante Ferraz também foi construída com a meta de reduzir, ao máximo, a agressão ao meio ambiente e, por isso, 30% da energia consumida no centro de pesquisa vem de fontes renováveis produzidas no local. Atrás da estação fica uma usina eólica que aproveita os fortes ventos antárticos. Placas para captar energia solar também foram instaladas na base e vão gerar energia, principalmente no verão, quando o sol na Antártica brilha mais de 20 horas por dia.
Outro detalhe é que o calor produzido pelos geradores de energia, em vez de ser lançado para o ar, é canalizado para aquecer a usina. Esta técnica elimina a utilização de diesel para alimentar o sistema de climatização.

O capitão de fragata Luiz Filho, que é o Chefe da Estação, considerou que a nova base é tão avançada que vai se tornar uma referência global no continente antártico. “É uma honra ter esta estação sendo construída em nosso território e, certamente, ela vai servir de modelo para outros países”, disse.

 
Área externa do novo laboratório de pesquisa da Estação Comandante Ferraz na Antártica Foto: Maurício de Almeida / EBC 

Reconstrução da Estação Comandante Ferraz

O projeto de reconstrução da estação é todo brasileiro e começou a ser executado em 2017 pela empresa China Electronics Import and Export Corporation, que venceu a licitação do governo do Brasil. A companhia de engenharia precisou dividir a obra em três etapas, porque, entre os meses de abril e outubro, é impossível realizar qualquer atividade externa na Antártica devido ao frio intenso, às tempestades de neve e aos ventos fortes. Para solucionar o problema, os chineses adotaram a seguinte estratégia: construir os módulos na China durante o inverno e transportar para a Antártica nos verões de 2017, 2018 e 2019 a fim de realizar a instalação. A técnica deu certo e a nova Base Comandante Ferraz está praticamente pronta.