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Ibovespa volta aos 105 mil pontos com bancos e Petrobras

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Depois de uma manhã de muita instabilidade, o Ibovespa ganhou força ao longo da tarde desta quinta-feira e conseguiu não apenas se descolar do sinal negativo das bolsas americanas como superar os 105 mil pontos (no fechamento) pela primeira vez desde 11 de julho. Impulsionado especialmente pelas ações de bancos e Petrobras, o principal índice acionário da B3 encerrou o pregão desta quinta-feira, 26, aos 105.319,40 pontos, em alta de 0,80%.

Após o estresse provocado pelo adiamento da votação da reforma da Previdência no Senado, investidores se animaram a refazer posições na bolsa diante da expectativa, embora ainda tímida, de melhora da atividade econômica. Aos dados fortes da criação de vagas formais em agosto divulgados na quarta se somou o reforço das apostas de mais cortes da taxa básica de juros (Selic), na esteira da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do terceiro trimestre.

Segundo analistas, uma redução da Selic para baixo de 5% até o fim do ano pode estimular um aumento das concessões de empréstimos. Não por acaso, as duas maiores altas entre os índices setoriais do Ibovespa foram de segmentos que se beneficiam da perspectiva de expansão do crédito – o Índice Financeiro (IFNC) subiu 1,62% e o Índice Imobiliário (Imob), 1,01%.

No setor financeiro, o papel PN do Itaú avançou 2,88%, figurando, ao lado da ON da Via Varejo, como a maior alta dentre as ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa. Já a ação PN do Bradesco subiu 1,44%, enquanto as units do Santander avançaram 1,12%.

O Ibovespa também se beneficiou da valorização das ações da Petrobras, que ganharam fôlego extra na segunda etapa de negócios com a promulgação de trecho de emenda constitucional que autoriza a realização do megaleilão do pré-sal em novembro. Isso vai garantir o pagamento de R$ 33 bilhões da dívida da União com a petroleira. Com a alta moderada do petróleo no mercado internacional, o papel PN da empresa subiu 1,32% e fechou cotado em R$ 27,70, na máxima.

Felipe Fernandes, analista da Toro Investimentos, afirma que o aumento das tensões no ambiente externo, com a possibilidade de impeachment do presidente dos EUA, Donald Trump, foi, de certa forma, ofuscado pela expectativa de melhora da economia local. “Apesar do adiamento da votação, a Previdência deve ser aprovada. O Caged surpreendeu e as projeções de inflação estão baixas, o que vai permitir mais queda de juros e estimular a economia”, afirma.

Fernandes ressalta, contudo, que a alta do Ibovespa se deu em um ambiente de liquidez muito reduzida, o que mostra falta disposição para apostas mais contundentes. O volume negociado na B3 foi de R$ 13,67 bilhões, em linha com os pregões anteriores, mas bem abaixo da faixa usual entre R$ 16 bilhões e R$ 20 bilhões “Não há razões para o investidor que está alocado desfazer posições e quem ainda está fora espera sinal de uma tendência mais consistente de alta para retornar ao mercado”, afirma o analista da Toro Investimentos.

Um experiente operador de uma corretora no Brasil ressalta que os investidores locais – institucionais, fundos e pessoas físicas – já têm parcela grande de suas carteiras alocada em bolsa. Para que o Ibovespa rompa o teto informal dos 106 mil pontos é preciso que o investidor estrangeiro volte a mostrar apetite pelos ativos domésticos. “Os números de setembro mostram que o estrangeiro está voltando, mas o volume de entrada ainda é muito baixo”, afirma.

De fato, em setembro, até a última terça-feira (24), o saldo de investimentos estrangeiros na bolsa é positivo em R$ 808,619 milhões. No acumulado do ano, contudo, há saída líquida de R$ 20,420 bilhões.