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Energia solar, eólica e baterias devem atrair US$10 trilhões até 2050

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Mas a redução de emissões a longo prazo exigirá a incorporação de outras tecnologias. O baixo custo da energia renovável e baterias pode colocar o mundo em uma trajetória compatível com o limite de 2 graus Celsius na próxima década. Permanecer neste caminho a partir de 2030 será outro desafio.

Londres e Nova York 

Reduções significativas nos custos de tecnologias de energia eólica, solar e baterias resultarão em uma rede alimentada quase pela metade pelas duas fontes de energia renovável com maior crescimento até 2050, de acordo com as últimas projeções da BloombergNEF (BNEF). No relatório New Energy Outlook 2019 (NEO), BNEF projeta que estas tecnologias garantirão que – pelo menos até 2030 — o setor de energia elétrica fará sua parte para impedir que a temperatura global aumente em mais de 2 graus Celsius.

Todo ano, o NEO compara os custos entre tecnologias de energia elétrica por meio de uma análise do custo nivelado de eletricidade. Este ano, o relatório conclui que, em aproximadamente dois terços do mundo, a energia eólica ou solar agora representam a opção mais barata para adicionar nova capacidade de geração de energia elétrica.

A demanda de eletricidade deve aumentar 62%, resultando em um aumento de quase o triplo da capacidade de geração global entre 2018 e 2050. Isto irá atrair US$13.3 trilhões em novos investimentos, dos quais US$5.3 trilhões serão direcionados para plantas eólicas e US$4.2 trilhões para plantas solares. Além dos gastos com novas usinas geradoras, US$840 bilhões serão investidos em baterias e US$ 11.4 trilhões para expansão da rede elétrica.

NEO começa analisando as tendências tecnológicas e os preços de combustíveis para construir uma visão de menor custo para o setor elétrico em evolução. Os resultados mostram o papel do carvão no mix global de energia caindo de 37% hoje para 12% até 2050, enquanto o uso de petróleo como fonte de geração de energia elétrica é praticamente eliminado. A energia eólica e solar crescem de 7%, da geração de hoje, para 48% em 2050. As contribuições da energia hidrelétrica, gás natural e nuclear permanecem aproximadamente niveladas em uma base percentual.

Matthias Kimmel, analista líder do NEO 2019, disse: "Nossa análise do sistema elétrico reforça uma mensagem importante presente nas edições anteriores do NEO — que módulos fotovoltaicos solares, turbinas eólicas e baterias de íons de lítio devem continuar em curvas agressivas de redução de custos, de 28%, 14% e 18%, respectivamente, para cada duplicação da capacidade global instalada. Em 2030, a energia gerada ou armazenada e distribuída por essas três tecnologias irá reduzir a eletricidade gerada por usinas existentes a gás e carvão em quase todos os lugares."

O crescimento projetado de energias renováveis até 2030 indica que muitos países podem seguir uma trajetória na próxima década que possibilite manter o aumento da temperatura mundial no limite de 2 graus ou menos, e isso é possível mesmo sem subsídios diretos adicionais para tecnologias existentes, como solar e eólica.

"Os dias de subsídio direto, como a necessidade do mecanismo de ´feed-in tariffs´, estão chegando ao fim", disse Elena Giannakopoulou, chefe de economia de energia da BNEF. "Entretanto, para alcançar este nível de transição e descarbonização, serão necessárias outras mudanças de políticas energéticas – ou seja, a reforma dos mercados de eletricidade para garantir que a energia eólica, solar e baterias sejam remuneradas adequadamente pela contribuição à rede. NEO é fundamentalmente agnóstico em relação a políticas públicas, mas supõe que os mercados operam de forma racional e justa para permitir que fornecedores com o custo mais baixo ganhem."

A Europa irá descarbonizar sua rede mais rápido que outras regiões, com 92% de sua eletricidade fornecida por renováveis em 2050. Particularmente, as principais economias da Europa Ocidental já estão em uma trajetória de descarbonização significativa, graças ao preço do carbono e forte apoio de políticas energéticas. Os EUA, com sua abundância de gás natural barato, e a China, com sua frota moderna de usinas a carvão, seguem em um ritmo mais lento.

A China vê o pico das emissões de seu setor de energia em 2026, e uma diminuição para menos da metade nos próximos 20 anos. A demanda de eletricidade da Ásia irá mais que dobrar até 2050. Com US$5,8 trilhões, toda a região da Ásia-Pacífico representará quase metade de todo o novo capital gasto globalmente para atender essa demanda crescente. China e Índia juntas representam uma oportunidade de investimento de US$4,3 trilhões. Nos EUA, US$1,1 trilhão serão investidos em nova capacidade de energia elétrica, com energias renováveis mais que dobrando sua participação na geração, chegando a 43% em 2050.

De acordo com o relatório NEO deste ano, as perspectivas são mistas para as emissões globais e manutenção do aumento da temperatura até 2 graus ou menos. Por um lado, a adição de energia solar, eólica e baterias colocará o mundo em uma trajetória compatível com esses objetivos pelo menos até 2030. Por outro lado, muito mais precisará ser feito além desta data para manter o mundo nesta trajetória do limite de 2 graus.

Um dos motivos é que a energia eólica e solar, com a ajuda de baterias, será capaz de atingir 80% do mix de geração de eletricidade em vários países até a metade do próximo século, mas ultrapassar esta marca será difícil e exigirá a colaboração de outras tecnologias, como a captura e armazenamento de carbono, energia nuclear, biogás e hidrogênio verde.

O diretor do NEO, Seb Henbest comentou: "Nossa análise sugere que governos precisam fazer duas coisas diferentes – uma é garantir que seus mercados sejam amigáveis com a expansão da energia eólica, solar e de baterias de baixo custo; e a outra é apoiar pesquisas e implantar antecipadamente essas outras tecnologias, para que possam ser aproveitadas em escala a partir dos anos 2030."

No NEO de 2019, a BNEF considera pela primeira vez a eletrificação de 100% do transporte rodoviário e calefação de edifícios residenciais, conduzindo uma expansão significante do papel da geração de energia elétrica.

De acordo com esta projeção, a demanda geral de eletricidade cresceria em um quarto em relação a um futuro no qual o transporte rodoviário e calefação residencial seriam eletrificados apenas o assumido no cenário principal do NEO. A capacidade total de geração em 2050 teria que ser o triplo da instalada hoje. Em geral, a eletrificação da calefação residencial e transporte reduziriam as emissões em toda a economia, deixando de emitir 126GtCO2 entre 2018 e 2050.

NEO 2019 é o resultado de um estudo detalhado das perspectivas para a demanda e fornecimento de energia, por país, conduzido por 65 analistas da BNEF em todo o mundo. O relatório aplica o trabalho da BNEF, a líder de mercado em pesquisa sobre a evolução das diferentes fontes de geração de energia elétrica.