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Setor químico aguarda política do gás

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A aprovação da resolução que cria o Comitê de Promoção da Concorrência do Mercado de Gás Natural no Brasil, no início de abril pelo Conselho Nacional de Política Energética, foi comemorada pelo setor químico. Há anos, a indústria tenta sensibilizar o governo quanto aos benefícios da confecção de uma política específica para o insumo, seja como fonte de energia, seja como matéria-prima – a indústria química é a que mais consome gás no Brasil. Sem essa política, diz o setor, o déficit comercial, que foi recorde no primeiro trimestre, continuará avançando.

Nos três primeiros meses do ano, o saldo negativo na balança comercial de produtos químicos totalizou US$ 6,9 bilhões, com alta de 23,9% na comparação anual, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Em 12 meses até março, o déficit somou US$ 30,9 bilhões, 4,4% acima dos US$ 29,6 bilhões negativos de 2018.

Houve avanço importante das importações no trimestre. As compras externas cresceram 9,9%, para US$ 9,9 bilhões, só menores do que os US$ 10,1 bilhões apurados no mesmo período de 2013 – naquele ano, o déficit comercial foi recorde em US$ 32 bilhões. Segundo a Abiquim, se as perspectivas de retomada da economia e a expectativa de safra favorável se confirmarem, o saldo negativo em 2019 vai superar esses US$ 32 bilhões.

Fertilizantes, defensivos agrícolas e intermediários seguem liderando a pauta de importações, com aumentos acima de 50%. Além disso, diz a Abiquim, com a hibernação da fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobras na Bahia, o preço dos importados avançou 14,4% no trimestre.

Os números da balança comercial em volume dão força ao pleito da indústria. De janeiro a março, as importações chegaram a 10,4 milhões de toneladas, com avanço de 22,5%, enquanto as exportações caíram 18,7%, para 3,1 milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo, as exportações de químicos seguem afetadas pela crise na Argentina, principal parceiro comercial do país nesse setor. As vendas externas recuaram 12,4% no trimestre, para US$ 3 bilhões, pressionadas também pela menor competitividade do produto brasileiro frente à concorrência internacional.

Por essa razão a indústria comemorou o avanço no programa “Novo Mercado de Gás”, que pode resultar na formação de um mercado de gás natural aberto. Se houver mais concorrência, os preços do gás natural tendem a cair, aliviando os custos do setor. Para o presidente-executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, a decisão do ministro da Economia, Paulo Guedes, de eliminar os entraves existentes ao uso do gás natural no país “é absolutamente correta e imprescindível para proporcionar mais competitividade para a indústria”.

Conforme a entidade, entre os resultados esperados do programa estão o aproveitamento do gás do pré-sal e de outros campos relevantes, investimentos em infraestrutura de escoamento, processamento e transporte de gás, aumento da geração termelétrica a gás (com redução do preço da energia) e a “reindustrialização” de diferentes setores.