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Demanda e preço do gás são principais desafios para o setor de energia

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Com abundância de recursos e um mercado interno forte, o grande desafio que o mercado brasileiro de energia deve enfrentar atualmente é a queda de custos do gás, avalia o líder da área de Energia da PwC, Ronaldo Valiños. Esse é o entrave para que o combustível seja mais fortemente usado no mercado brasileiro, uma tendência global com a transição energética das matrizes.

Transbordando as questões do setor de energia, o grande desafio é o crescimento da demanda. “Para ter investimento, o consumo precisa acontecer. A questão é mais a demanda do que a oferta. O Brasil tem grandes players atuando, as majors do setor de óleo e gás, a Petrobras se recuperando; no setor de energia elétrica, empresas internacionais como a francesa Engie, a Iberdrola (Espanha), a Enel (Itália), empresas chinesas chegando. Há capacidade de investimento e o país tem reservas”, comenta.

De qualquer forma, diz o executivo, o país não depende muito de outros mercados para gerar negócios, tem um mercado robusto e carência por energia. Uma recuperação da demanda pode destravar rapidamente novos investimentos.

Ainda que com um crescimento mais discreto, após uma recessão que começou em 2014, para Valiños, o mercado de energia elétrica no Brasil está aquecido. Ele cita a venda da Eletropaulo no ano passado, que foi objeto de uma disputa intensa de preços entre a Enel e a Iberdrola, e a entrada de companhias chinesas com aquisições. “É um país com 200 milhões de habitantes, essas empresas olham para o longo prazo, não vejo grandes economias emergentes concorrendo com o Brasil [por novos investimentos]”, diz.

O executivo lembra ainda que há a perspectiva de que ativos da Eletrobras sejam colocados à venda, possibilidade levantada pelo ministro Bento Albuquerque. “E, em 2020, outras empresas podem entrar no plano de desinvestimentos”, aponta.

Contexto global


Há uma cobrança crescente da sociedade pela redução do uso de combustíveis fósseis e carvão e cada país tem suas metas, lembra Valiños. Os países desenvolvidos, especialmente, têm liderado esses esforços, que passam muito pelas renováveis. Na Europa, onde os países são menores e o crescimento populacional é baixo, essa transformação ocorre mais rapidamente, comenta o executivo.

“A Noruega já emplaca mais veículos elétricos do que a combustíveis fósseis. A China tem problemas críticos de poluição o que incentiva, além de ser grande mercado consumidor e não ter grandes reservas de petróleo, então, tem o que fazer. Os Estados Unidos têm muita tecnologia, com o Vale do Silício, mas também são ricos em shale gas”, diz Valiños. Ao mesmo tempo, o investimento em renováveis é factível e se paga, com desenvolvimento tecnológico e queda de custos.

Os combustíveis fósseis vão continuar sendo demandados, com declínio previsto apenas para 2040. Mas o gás natural deve começar a prevalecer, por ser menos poluente.