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Pernambuco foca no crescimento e no retorno da industria naval

Economia de Pernambuco vem reagindo à crise que tomou conta do País a partir de 2014. Pelos dados disponíveis até o terceiro semestre de 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) estadual teve um aumento de 2,2% em relação ao mesmo período de 2017. Enquanto aguardamos a divulgação do quarto trimestre, fica a estimativa de que a economia pernambucana cresça entre 2% e 2,5% em 2018.
Os índices são superiores aos do PIB nacional que, no ano passado, cresceu 1,1%, repetindo uma tendência que vem ocorrendo desde 2017 e que anima o governo estadual numa ofensiva para atrair novos investidores, nacionais e internacionais. “Estamos otimistas com 2019. É um novo ciclo, novo momento do governo federal, e temos esperança que tomem decisões na direção correta para trazer mais estabilidade ao País e segurança para que o investimento privado volte a acontecer. Estamos montando nosso planejamento para os próximos quatro anos com projetos para resgatar os investidores com ações diretas de apresentação dos potenciais do Estado”, diz o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Bruno Schwambach. “A hora de investir, preparar os projetos é agora. Se demorar um pouco perde-se o timing de uma recuperação que pode acontecer ainda este ano”, completa.
Economista e sócio-diretor da Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento, Aldemir do Vale, estima que em 2019 Pernambuco pode crescer ainda mais com base na ampliação de investimentos que já se consolidaram no Estado, como a fábrica da Jeep. “O grupo italiano Fiat Chrysler vai investir U$S 14 bilhões no Brasil e a maior parte vai ser em Pernambuco. Isso vai ampliar a cadeia automobilística no Estado”, comenta.
A expectativa é compartilhada pelo presidente em exercício da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Alexandre Valença, que aguarda o aquecimento do mercado de automóveis para a implantação da cadeia de fornecedores da Jeep, os esperados sistemistas. Com a retração das vendas e da produção do polo de Betim, em Minas Gerais, só chegaram 11 das cerca de 40 empresas previstas. “Vemos 2019 com otimismo e, ao mesmo tempo, preocupação com os novos passos e medidas políticas que impactam diretamente no resultado do setor industrial. Se o quadro que está desenhado vier a acontecer, teremos uma perspectiva muito boa para a indústria”, afirma.
O setor, que responde por 19,7% do PIB estadual, teve destaque na produção física em 2018 que cresceu 4,1% em 2018 em comparação com 2017. De acordo com a Fiepe, os melhores resultados apareceram e têm margem para aumentar este ano na indústria alimentícia que vem crescendo com exemplos como a multinacional Mondelez e as pernambucanas Vitarella, Capricce e Tambaú – elas podem atacar bem o mercado nacional e exportar. Outro setor que pode ser alavancado é o têxtil, a partir da conclusão da Petroquímica de Suape pela mexicana Petrotemex.
Já o sucroalcooleiro vem avançando em tecnologias que criam novas variedades e conseguem fazer o DNA da cana. “Está bem evoluído para melhorias genéticas na mesma velocidade de outras culturas como soja e milho. É um setor estável depois da grande queda de 29 milhões de toneladas de canas para 15 a 19 milhões, por safra, dependendo do clima”, avalia a Fiepe.
Suape, indústria naval e novas cadeias
Criado há 40 anos, o Complexo Industrial e Portuário de Suape, conseguiu, nos últimos anos, trazer praticamente tudo que foi planejado lá atrás. Da construção do porto e da estrutura do Complexo à refinaria, formando as cadeias produtivas de petróleo e gás, aos terminais de cargas especializadas, Suape consolidou-se como um ativo de alto valor do Estado para atrair investimentos globais.
Porém, mudanças promovidas pela Nova Lei dos Portos, em 2013, frearam este motor ao mesmo tempo em que o País vivia sua pior recessão, retirando a autonomia portuária para realizar licitações e arrendamentos. “Passamos cerca de cinco anos sem viabilizar nada porque o governo federal tomou a autonomia, ficou tudo parado. Em dezembro passado, foi editada uma portaria com regras e um roteiro para a autonomia voltar como um todo. Estamos cumprindo as etapas com a Secretaria dos Portos, montamos cronograma e esperamos voltar a ter autonomia até o final do ano”, relata o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Bruno Schwambach.
O Estaleiro Atlântico Sul (EAS) e o Vard Promar – elos importantes da cadeia naval – viraram exemplo de capacidade ociosa instalada em Pernambuco e aguardam a definição de novas encomendas para não fechar, afundando investimentos de porte e a formação de um novo segmento, de alto valor agregado, da nossa economia. O Vard, do grupo italiano Fincantieri, que tem 230 anos e já produziu mais de dois mil navios de guerra, participa da concorrência para a construção de quatro corvetas da Marinha do Brasil e o EAS espera resolver entraves para firmar encomendas de armadores internacionais. “Caso não haja um trabalho político, o setor naval vai ser exterminado. Tivemos participação na preparação da mão de obra e este custo será perdido pelo País. A produtividade dos operários, por tonelada de material trabalhado, já está no mesmo nível da Coreia do Sul, tirando o custo Brasil. Com as corvetas e novas encomendas do EAS, os estaleiros terão anos de sobrevida”, diz Alexandre Valença.
Para Schwambach, a reversão do planejamento da Petrobras que não fará mais encomendas de navios aos estaleiros nacionais, como previa o Promef – Programa de Modernização da Frota da Transpetro – braço logístico da petroleira, trouxe uma crise na construção naval no Brasil e nossos estaleiros foram atingidos em cheio. Para piorar, regras que prejudicam as possibilidades de aumento da cabotagem e encomendas navais favorecem uma operação de desmonte. “Estamos tratando isso com o governo federal para melhorar toda a indústria naval, para remontar a cadeia. Solicitamos que parte do Fundo de Marinha Mercante seja direcionada para renovação da frota da Marinha do Brasil, já existe um projeto de lei neste sentido, o que vai permitir reativar não apenas nossos estaleiros, e quantidade de empregos que tivemos, mas os de todo o Brasil”, acredita.
Economista e sócio-diretor da Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento, Valdeci Monteiro, acredita que Pernambuco tem respaldo para alçar novos voos. “Para além da crise econômica e política nacional, que ainda reflete na dinâmica estadual, num cenário pós-crise, Pernambuco é um dos Estados que podem se destacar na retomada, sobretudo por ter vindo de um momento excepcionalmente favorável, que deixou o legado da maturação de um importante bloco de investimentos, que sinaliza para novos desdobramentos”, afirma.


Por Folha de Pernambuco – Etiene Ramos