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Equinor considera disputar megaleilão da cessão onerosa

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A petroleira norueguesa Equinor estuda participar do megaleilão do excedente da cessão onerosa que o governo pretende realizar no segundo semestre deste ano. No foco da companhia, que, desde 2017, desembolsou cerca de US$ 3 bilhões em aquisições de ativos e quase R$ 2 bilhões em bônus de assinaturas em leilões petrolíferos no Brasil, também estão a 16ª Rodada da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o 6º Leilão do Pré-sal, previstos também para este ano.

"O excedente da cessão onerosa pode ser uma oportunidade este ano, se for atrativa comercialmente", afirmou a vice-presidente executiva de Desenvolvimento e Produção da Equinor no Brasil, Margareth Øvrum, ao Valor. "Mas nós não sabemos as condições ainda".

Margareth, que assumiu o principal posto da empresa no Brasil às vésperas do segundo turno da eleição presidencial no ano passado, contou ter bom relacionamento com o novo governo e que está otimista com o desenvolvimento dos negócios no país. Ela acrescentou que o Brasil tem tradição de respeitar contratos e que os planos da Equinor para o país são de longo prazo. Segundo ela, o Brasil é uma área prioritária para o grupo, junto com Estados Unidos e a sede Noruega. "As oportunidades no Brasil são enormes", disse a executiva.

Margareth conversou por telefone com o Valor, após participar de evento sobre divulgação dos resultados de 2018 e projeções da companhia para 2019, em Londres. Na ocasião, ela contou que a empresa dobrou para 1 bilhão de barris de óleo equivalente (BOE) a meta de volume adicional de óleo e gás recuperáveis no campo gigante de Roncador, na Bacia de Campos, junto com a Petrobras.

A Equinor, que inicialmente previa acrescentar 5 pontos percentuais ao fator de recuperação do campo, de 29%, pretende agora adicionar 10 pontos percentuais, chegando próximo a um fator de recuperação de 40%.

Com atuais ativos no país, plano da Equinor é atingir produção de 300 mil a 500 mil barris ao dia de petróleo em 2030

"Roncador está entre os 'top-3' campos de produção da Petrobras. No ano passado, nossa ambição era aumentar o fator de recuperação em 5 pontos percentuais adicionais, e isso é 500 milhões de barris [de óleo equivalente]. Depois de sete meses de colaboração, nós acordamos em dobrar essa ambição agora, próximo de 40% de fator de recuperação", afirmou, na apresentação, em Londres. Segundo a executiva, Roncador tem cerca de 10 bilhões de BOE "in place" (no local).

Em junho do ano passado, as duas companhias concluíram transação na qual a Equinor adquiriu 25% de participação em Roncador. De acordo com informações da Petrobras, a norueguesa pagou US$ 2 bilhões, além de um adiantamento de US$ 117,5 milhões dado na data de assinatura dos contratos, em dezembro de 2017. Além disso, a Equinor realizará pagamentos contingentes, referentes aos investimentos nos projetos que visam ao aumento do fator de recuperação do campo, limitados a US$ 550 milhões. A Petrobras permanece operadora do campo, com 75% de participação.

Sobre a área de Carcará, no bloco BM-S-8, e o bloco adjacente de Carcará Norte, no pré-sal da Bacia de Santos, onde a Equinor é operadora, com 40% de participação, Margareth contou que o "break-even" (ponto de equilibrio financeiro) está abaixo de US$ 35 por barril. "É há potencial para [reduzir] mais", afirmou ela. A expectativa da empresa é iniciar a produção no local entre 2023 e 2024.

Considerando o portfólio atual do grupo no Brasil, a expectativa da Equinor é atingir produção de 300 mil a 500 mil barris diários de petróleo, em 2030, ante produção atual de 90 mil a 100 mil barris diários. Para isso, a companhia prevê investir cerca de US$ 15 bilhões até 2030. Esse valor, explicou Margareth, poderá aumentar ou diminuir a depender dos resultados das atividades de exploração.

Em 2018, a produção global de óleo e gás da Equinor somou 2,111 milhões de BOE, com alta de 1%, em relação ao ano anterior. Para 2019, a previsão do grupo é um volume de produção em linha com 2018. Até 2025, a expectativa é de crescimento anual médio de 3%.

A companhia fechou 2018 com lucro líquido de US$ 7,5 bilhões, com crescimento de 64% ante 2017, e receita líquida de US$ 79,6 bilhões, montante 30% maior na mesma comparação.