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Dano nos tanques da sonda da Queiroz Galvão pode ter adernado a unidade, afirmam especialistas

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O adernamento da sonda de perfuração Olinda Star, da Constellation (ex-Queiroz Galvão Óleo e Gás), em um bloco offshore da Índia, chamou do setor de óleo e gás, nesta semana, devido ao considerável grau de inclinação em que a unidade se encontra após a passagem da tempestade Phethai. O Petronotícias buscou a opinião de especialistas em engenharia para tentar elucidar as possíveis causas para este tipo de acidente e quais as formas de recuperação podem ser adotadas nestas circunstâncias.

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“No caso específico da sonda Olinda Star, que sofreu a ação de uma tempestade de grande intensidade e que se encontra sem equipe de operação a bordo (retirada por questões de segurança) é possível que tenham ocorrido avarias ou alagamento dos tanques, resultando na grande inclinação observada”, avaliou o coordenador executivo do LabOceano/UFRJ, Paulo de Tarso.
O pesquisador explica que o sistema de lastro é o responsável pelas operações de transferência de água de um lado da plataforma para outro, a fim de equilibrar a unidade. Ou seja, se um grande equipamento se desloca lateralmente sobre o convés de uma plataforma, o Centro de Gravidade da embarcação sofrerá um deslocamento lateral proporcional ao deslocamento do equipamento. Isto é corrigido pelo sistema de lastro.

Coordenador do LabOceano, professor Paulo de Tarso
Coordenador do LabOceano, professor Paulo de Tarso

O ex-engenheiro de perfuração da Petrobrás Francisco Frederico Andrade Neto compartilha da mesma visão e acredita que o adernamento da sonda tem em suas origens algum problema no lastreamento. “Pode ter ocorrido um problema de estrutura, como um lastro furado. A partir de então, se perdeu estanqueidade e ocorreu o alagamento”. Ele não descarta, porém, que existam outros fatores envolvidos no acidente. “Pode ter acontecido um erro humano, ao ponto de ter deixado uma bomba ligada, alagando o compartimento e atingindo os motores elétricos”, acrescenta.
Neto diz que o primeiro passo para o restabelecimento da unidade é descobrir onde está o problema e o porquê dos tanques estarem tão cheios d´água. “É preciso avaliar se tem algum dano físico nos tanques. Caso sim, terão que isolar esses compartimentos, restabelecer as bombas para poder eliminar a água e equilibrar novamente a plataforma”, detalhou o ex-engenheiro da Petrobrás. Neste sentido, o professor Paulo de Tarso também acredita que pode ser possível a recuperação do equilíbrio normal da sonda pelas manobras de lastreamento, caso o sistema tenha se mantido em condições operacionais.

Ambos os especialistas concordam ainda ao dizer que para afirmar o que de fato aconteceu com a Olinda Star é difícil, até que seja feito um estudo detalhado do ocorrido. “Sem conhecer em detalhes os danos ocorridos na plataforma não é possível ter um diagnóstico mais preciso da situação”, disse Tarso.

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A sonda está afretada atualmente para a estatal de óleo e gás da Índia, a Oil National Gas Corporation (ONGC). A companhia não fez ainda nenhuma declaração sobre o caso. Procurada pelo Petronotícias para informar quais serão as próximas medidas a serem adotadas, a Queiroz Galvão não retornou com as respostas até o momento de publicação desta reportagem. Contudo, em comunicado enviado aos seus colaboradores, ao qual o tivemos acesso, a empresa disse que equipes estão avaliando todas as condições e planejando a sequência de ações para o restabelecimento da unidade com toda a segurança possível.

A Olinda Star é uma plataforma de perfuração semi-submersível em águas profundas que foi originalmente construída em 1983. A unidade sofreu uma atualização, concluída em agosto de 2009. A plataforma é capaz de perfurar em profundidades de até 1097 metros e tem uma profundidade de perfuração de cerca de 7500 metros.

Por Davi de Souza