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Brasil avança no conhecimento da bioinvasão marinha

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Este ano o Brasil teve a maior representação do mundo no principal fórum para cientistas especialistas e formuladores de políticas para a Bioinvasão marinha. O décimo Congresso Internacional sobre Bioinvasão Marinha (X International Conference on Marine Bioinvasions) foi realizado em outubro em Puerto Madryn, Patagônia Argentina. Primeira vez num país latino-americano.

De acordo com Alejandro Bortolus, pesquisador independente de CONICET (Argentina), a reunião foi realizada apesar de o país estar sendo sufocado por uma crise científica causada pela falta de orçamento e apoio político, que levaram ao colapso do Ministério da Ciência da Argentina e a ameaça da primeira fuga de cérebros em décadas naquele país.

A bioinvasão é o processo em que atividades humanas levam espécies para novas regiões onde se estabelecem e podem causar prejuízos ambientais, sociais e econômicos. O fato é que a globalização e o crescimento do comercio internacional têm como consequência um expressivo e continuado aumento no número e frequência de bioinvasões pelo mundo.

Ao mesmo tempo em que o Brasil, bem como outros países, têm compromissos internacionais convencionados para prevenir a entrada, controlar ou erradicar espécies exóticas que ameacem os ecossistemas, habitats ou espécies, o mar é um “prato cheio” para a bioinvasão, pois a todo o momento milhares de organismos vem sendo transportados em tanques de lastro ou incrustado nos cascos de navios, barcos e plataformas.

A espécie invasora marinha em maior evidência atualmente é o coral-sol, espécie rebocada para Brasil junto às plataformas de petróleo vindas do exterior nos anos 80. As pesquisas mostram que o coral-sol causa severos danos aos ecossistemas marinhos dos recifes de coral e costões invadidos e impacta recursos pesqueiros e fazendas de aquicultura.

O coral-sol prejudica a indústria de petróleo e gás uma vez que é necessário limpar as plataformas contaminadas para redimir o problema e obter licenças ambientais. E não é pequeno o problema — o mais completo estudo do Petrobras feito até agora no Litoral de SE — mostrou que o coral-sol contamina 78% das suas instalações.

No embalo da necessidade ser a mãe da invenção, são cada vez mais, e melhores, as pesquisas de bioinvasão dos mares brasileiros e de busca de ferramentas e soluções para resolver os problemas causados por ela. Com a capacidade em bioinvasão sendo formada entre pesquisadores de diversas áreas, o Brasil vem se juntando aos países tradicionalmente mais proativos na temática, como Austrália, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e África do Sul.

O resultado é uma série de novos estudos de limpeza de plataformas, soluções também para o controle de coral-sol em substratos naturais e protocolos atualmente utilizados para monitoramento e controle da espécie realizado pelo ICMBio nas unidades de conservação e pelo Projeto Coral-Sol, ligado ao Instituto Brasileiro de Biodiversidade. Para se ter uma ideia, só este projeto publicou 27 artigos sobre coral-sol em revistas científicas internacionais; e a Universidade de Estado do Rio de Janeiro, que é parceiro do projeto, mantém uma Rede Coral-Sol de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação de 42 pesquisadores de 14 instituições.

No XICMB o Brasil apresentou mais pesquisas (36, 23% do total) que qualquer outro país e está na vanguarda da América Latina em produção de conhecimento em bioinvasão do mar. O Brasil também está comunicando e divulgando bem seu conhecimento – no XICMB quase metade de estudos brasileiros apresentados foram sobre o temido coral-sol. Porque temido? Porque um estudo feito por pesquisadores de Nova Zelândia o apontou como o pior bioinvasor marinho do mundo, na opinião de especialistas internacionais entrevistados.

Com base neste conhecimento, um Plano Nacional de Controle e Monitoramento da Bioinvasão do coral-sol foi recentemente criado por um grupo de trabalho do Ministério do Meio Ambiente e está atualmente em fase de publicação para direcionar ações futuras.