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Raízen assume rede de postos e refinaria da Shell na Argentina

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Ao assumir ontem os ativos de refino e distribuição de combustíveis da Shell na Argentina, a Raízen, joint venture entre a brasileira Cosan e anglo-holandesa Shell que atua também em etanol, açúcar e bioenergia, caminha para se tornar uma empresa com receita anual de mais de R$ 100 bilhões. Mas, ao mesmo tempo em que deu o primeiro passo no mercado internacional e concretizou a maior aquisição de seus sete anos de história, assumiu dois grandes desafios: entender a operação de refino, uma novidade em seu portfólio, e lidar com a grave crise econômica que enfrenta o país vizinho.

Segunda maior distribuidora de combustíveis do Brasil, de acordo com os números da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Raízen viu nos ativos da Shell na Argentina uma oportunidade de negócio com modelo similar ao da operação brasileira, eficiente, com presença de revendedores e marca forte. À exceção da refinaria própria, integrada ao negócio, que está instalada na capital Buenos Aires.

"Fomos atrás de entender o mercado e percebemos que, na Argentina, o refino é parte da operação. Todas as distribuidoras têm refinaria", explicou ao Valor o presidente da Raízen, Luis Henrique Guimarães. Ali, o mercado de distribuição também é liderado por uma estatal, a YPF, cuja participação é superior a 50%, mas as refinarias está nas mãos de diferentes participantes - no Brasil, a Petrobras, que controla a líder em distribuição de combustíveis BR, domina o refino de petróleo.

Para levar a 2ª maior distribuidora de combustíveis da Argentina, com uma rede de 665 postos, além da refinaria com capacidade para 140 mil barris por dia e os negócios de lubrificantes e gás liquefeito de petróleo (GLP), a Raízen Combustíveis vai desembolsar um total de US$ 916 milhões - abaixo do valor inicial estipulado, de US$ 950 milhões.

Desse montante, US$ 100 milhões foram desembolsados em abril, quando o contrato de compra e venda foi assinado. Outros US$ 370 milhões foram pagos à Shell nesta segunda-feira e a diferença será amortizada em parcelas com vencimento até dezembro de 2019. A aquisição foi integralmente financiada por dívida, a maior parte tomada junto a um pool de bancos - cinco no total, todos internacionais -, que emprestaram recursos com prazo de pagamento de cinco a sete anos.

De imediato, a Raízen Combustíveis traz para seu balanço uma receita anual de US$ 3,3 bilhões (R$ 13,3 bilhões ao câmbio de ontem) e vendas de 6 bilhões de litros de combustíveis na Argentina, comparáveis a 25,6 bilhões de litros vendidos no mercado brasileiro no ano passado. No ano passado, a receita líquida Raízen Combustíveis foi de R$ 72,8 bilhões e a da Raízen Energia, cerca de R$ 13 bilhões.

No negócio, há expectativa de sinergias de US$ 50 milhões, decorrentes da utilização da estrutura administrativa existente no Brasil também para a operação argentina, que será comandada pelo executivo Teófilo Lacroze, ex-presidente da Shell naquele país.

Concluída a transação - o grande negócio da empresa desde sua criação em 2011 -, o foco agora está na integração das operações. Nos últimos 18 meses, lembrou Guimarães, a Raízen comprou duas usinas do grupo Tonon, canaviais da usina Furlan, entrou no segmento de comercialização de energia ao tornar-se sócia da WX Energy e levou os ativos da Shell na Argentina. "Agora é parar para incorporar os negócios", afirmou o executivo, ao ser questionado sobre potenciais novas aquisições. "Não temos rigorosamente nada no radar neste momento".

Sobre a situação econômica delicada no país vizinho, Guimarães diz que o governo está fazendo os ajustes que devem ser feitos e, especificamente no mercado de combustíveis, também há correção. A YPF anunciou no domingo aumento de 10% e a Raízen ontem também faria reajustes. Em relação à demanda, o mercado argentino encolheu nos últimos meses, mas nada como é visto no Brasil.

No mercado brasileiro, a demanda de gasolina acumula queda de 13,71% de janeiro a agosto, segundo dados da ANP, enquanto o etanol, mais em conta, sobe 41,79%. O consumo de diesel, cujos preços passaram a ser subsidiados pelo governo federal após a greve dos caminhoneiros em maio, cresce 1,55% no mesmo intervalo. "É um ano pior do que se esperava", afirmou Guimarães.

Para 2018, a Raízen Combustíveis estimava investimentos entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões. Mas, diante das incertezas quanto aos preços do diesel, reduziu aportes em infraestrutura e deve encerrar o ano mais perto do piso do intervalo. No passado, a Raízen chegou a importar quase 15% de suas necessidades de diesel. Agora, essa fatia está em torno de 5%, depois de adotada a subvenção de preços.

A rede de postos Shell no país, por outro lado, deve continuar crescendo. Hoje, são cerca de 6,45 mil postos, com adição líquida neste ano de 250 a 350 unidades, a maior parte via embandeiramento. No Brasil, um terço dos postos em atividade é bandeira branca. Na Argentina, para efeito de comparação, apenas 3% dos postos não levam a bandeira de uma das seis grandes marcas desse segmento.