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Queiroz Galvão faz nova tentativa de renegociar dívida

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Os bancos aumentaram a pressão sobre o grupo Queiroz Galvão numa renegociação de R$ 10 bilhões em dívidas que já se arrasta há um ano e meio. Enquanto isso, a controlada Queiroz Galvão Oléo e Gás (QGOG) Constellation mantém conversas com detentores de bônus e tenta adiar obrigações de curto prazo. 

Se não chegar a um acordo com os credores, o grupo - envolvido na Operação Lava-Jato - caminha para recuperação judicial. 

Depois de um ultimato dos bancos, está em discussão uma proposta para o grupo pagar 10% da dívida à vista e pelo menos metade em oito anos. Se a empresa cumprir os compromissos, a ideia é que os credores deem um prazo adicional para o acerto do valor restante, o que elevaria para até 18 anos a duração total da reestruturação. 

O que está sendo avaliado, agora, são as garantias que o grupo terá de oferecer às instituições financeiras. Um dos ativos exigidos pelos bancos são as ações ou o acesso ao fluxo de caixa da Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP), apurou o Valor. Uma das possibilidades é que a empresa venda operações do segmento de óleo e gás para pagar a primeira parcela do refinanciamento. 

As instituições também têm exigido mais garantias e querem que a Queiroz Galvão se desfaça de ativos. Um dos ativos que a empresa tenta vender é a participação no Estaleiro Atlântico Sul- EAS (PE), que detém junto com a Camargo Correa. 

Na semana passada, as conversas entre o grupo e os bancos chegaram a um impasse. A Queiroz propunha um acordo com carência de principal e juros por seis anos e prazo total de pagamento de 18 anos. Os credores rejeitaram o acordo e interromperam as conversas. O Itaú Unibanco chegou a notificar a empresa de que irá executar as dívidas caso se não houver acordo. O banco segue Santander e BTG Pactual, que já fizeram o mesmo. As notificações dão à companhia um mês para alcançar um entendimento. 

O BNDES é o maior credor e pediu para entrar com o conjunto de bancos no compartilhamento das garantias. Bradesco, Banco Votorantim, Banco do Brasil, Santander e ING também fizeram empréstimos a empresas da Queiroz Galvão. 

A complexidade do acordo decorre do fato de que o grupo tem diversas empresas, com credores diferentes em cada uma. 

O Santander já vendeu a sua parte na dívida de R$ 2 bilhões no segmento de energias renováveis do grupo para o fundo Castlelake. O banco espanhol, no entanto, detinha outros créditos com os grupo e pediu a execução da dívida. 

O Votorantim entrou com processo na Justiça para cobrar antecipadamente dívida de R$ 400 milhões com a Queiroz Galvão Desenvolvimento de Negócios. Segundo fontes, a instituição estaria disposta a retirar a ação se a reestruturação for aprovada. 

Em outra frente, a QGOG Constellation discute com os credores a extensão dos pagamentos que estão vencendo no curto prazo enquanto não chega a uma solução para a reestruturação da dívida. 

A empresa renegociou na semana passada a extensão, para 31 de outubro, de uma linha de financiamento a projetos de US$ 146 milhões relativa ao navio-sonda Amaralina Star. Também estendeu para a mesma data uma linha de capital de giro com o Bradesco, de US$ 150 milhões. 

Neste ano, a companhia pagou com atraso, depois do prazo de carência, os juros dos bônus para 2019 e 2024, que tiveram o rating rebaixado pela Fitch para 'RD', que indica 'default'. Em junho, o total das emissões no mercado era de US$ 96 milhões e US$ 595 milhões, respectivamente. Os detentores dos bônus discutem com os bancos a melhora da estrutura de garantia dos papéis para aceitar a extensão do prazo. Os credores também exigem aporte do acionista. 

No relatório de junho, a Fitch destacou a dificuldade da empresa recontratar suas plataformas de perfuração, cujo contrato com a Petrobras expira em 2018. 

Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a QGEP Participações afirmou que a sua controladora Queiroz Galvão SA encontra-se em tratativas de renegociação de dívidas com os principais credores financeiros, mas que não há nenhum documento vinculante até o presente momento e nem pedido de recuperação judicial em andamento. A QGEP Participações esclarece que não faz parte do grupo de empresas em reestruturação financeira e, caso seja notificada acerca das garantias, fará as divulgações cabíveis. 

Procurados, a Queiroz Galvão, Itaú Unibanco, Santander e Bradesco não comentaram o assunto. O Votorantim afirmou que não se manifesta sobre processos judiciais em segredo de Justiça.