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Biocombustíveis e energias renováveis atraem negócios

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"Terá de haver um fim para o gás, já que há restrições técnicas para ele ser reinjetado e não pode ser queimado por questões regulatórias", diz José Magela Bernardes, diretor-presidente da Prumo Logística, que investe em duas térmicas com 3 GW de capacidade instalada no porto de Açu (RJ), um terminal de GNL com capacidade para 21 milhões m³/dia.

Também será necessário desatar nós tributários. "Só no Brasil questão tributária é assunto de presidente de empresa", observa Marcia Loureiro, vice-presidente tributária internacional da Equinor. Um dos problemas é que o país não tem tratamento uniforme para o insumo, ou seja, cada Estado tem uma alíquota diferente sobre a molécula. O gás da Bolívia pode atravessar seis Estados.

Outro desafio é criar mais convergência entre o gás natural e o setor elétrico. A maior intermitência na matriz, com o avanço de usinas eólicas e solares, exigirá energia térmica na base. "Se as autoridades querem segurança total, isso tem um custo, se for previsto que a energia será despachada todos os dias por 25 anos, isso tem um valor de investimento de exploração e produção. É preciso então criar maneiras para não superdimensionar esse investimento e para aperfeiçoar o uso das térmicas no sistema", analisa Camila Schoti, gerente de assuntos regulatórios da Eneva, que produz oito milhões de m3 por dia, gás suficiente para atender Pernambuco e Minas Gerais.

Uma das principais novidades do setor é a chamada pública de contratação de capacidade no Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) que a Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) está realizando. Ela será concluída em julho e contempla 18 milhões de m3 por dia. Todos os novos contratos firmados pela TBG passarão a contemplar o novo regime de entrada e saída, que amplia a concorrência e propicia mais flexibilidade para que comercializadoras e produtoras possam participar do mercado. "Será um teste do novo mercado que surge", analisa Ricardo Pinto, diretor comercial da TNS.

Energia renovável também integra o portfólio de investimentos futuros das empresas. Equinor e Petrobras firmaram semana passada memorando para desenvolvimento de negócios em energia eólica offshore no Brasil. As empresas estão investigando ainda outras áreas de cooperação, incluindo o desenvolvimento de iniciativas em renováveis. A estatal brasileira não possui usinas eólicas no mar, enquanto a norueguesa opera três parques eólicos ao longo da costa do Reino Unido.

Para Carla Lacerda, presidente da ExxonMobil Brasil, o período de transição energética que o mundo vive se refletirá em uso mais intenso de tecnologia, no aumento dos biocombustíveis no mundo, de 1% para 15% até 2040, investimentos em eficiência energética e no maior uso de gás. No Nordeste, a empresa investe em um projeto para fornecer GNL a uma térmica.

O presidente da Shell, André Araújo, ressalta que a transição energética implicará decisões difíceis para empresas, consumidores e governos, já que cumprir as metas do Acordo de Paris significa mudanças no sistema energético.