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Petroleiras buscam startups para entrar na indústria 4.0

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A ANP avalia, entre outras medidas, estimular que as petroleiras criem fundos para investimentos em startups.

"Temos o interesse de fortalecer [as startups]. Olhamos o PD&I como fator de competitividade. Não podemos imaginar que inovação resolverá o problema do custo Brasil como um todo, mas pode contribuir como peça chave para a competitividade, que é premissa da internacionalização [dos fornecedores]", disse.

A gerente de tecnologia e inovação do IBP, Melissa Fernandez, explica que a atenção das petroleiras tem se voltado para as startups porque o setor de óleo e gás despertou para a necessidade de acelerar seus investimentos na transformação digital.

"Observamos hoje um movimento das petroleiras de aplicar os recursos de PD&I no ciclo final da inovação, em empresas de base tecnológica. As startups conseguem trazer soluções e incorporá-las ao final da cadeia de forma mais rápida", disse.

Neste mês, startups e petroleiras se reúnem numa série de encontros de aproximação, no Rio de Janeiro. O IBP e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), por exemplo, estão prospectando empresas de inovação que possam trazer soluções para o setor.

O gerente de investimentos da Apex-Brasil, Ricardo Santana, conta que 15 empresas serão selecionadas para uma rodada de interação com as petroleiras, durante a Rio Oil & Gas, neste mês. "As empresas procuram as startups para ganhos de competitividade de maneira ágil. Uma planta de pesquisa custa caro", comenta.

Outro movimento nessa direção será dado pela aceleradora portuguesa Fábrica de Startups, que conduzirá este mês um programa de ideação em parceria com a Petrobras. Serão recrutados 50 profissionais para um hackathon (maratona de inovação), entre os dias 20 e 27. O presidente da Fábrica de Startups do Brasil, Hector Gusmão, conta que a demanda do setor de óleo e gás por inovação tem mudado, com foco para a transformação digital e soluções da indústria 4.0.

"A demanda hoje é muito mais por soluções baseadas em dados, big data. As empresas produzem um volume de dados gigantesco e não utilizam tudo. E também há uma demanda por inteligência artificial", comenta.

Não à toa, a metade das 26 empresas incubadas no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) possui ligação com a indústria 4.0 e digitalização. Dentre elas está a Ares, que atua com realidade virtual e inteligência artificial. A startup desenvolveu para a Vale um sistema virtual de uma mina e aposta hoje no desenvolvimento de soluções de controle de processos para o setor e óleo e gás, por meio de IA.

"Antes só conseguíamos vislumbrar a Petrobras. Hoje há editais de inovação da Repsol, Shell...", afirma o sócio da startup, Carlos Carlim.

Outro exemplo é o da Kognitus, uma startup de análise e inteligência artificial que também está de olho nas necessidades do setor. A empresa está em negociação com uma petroleira para financiamento de um projeto em PD&I.

"Criamos a empresa entendendo que a transformação digital está atingindo em cheio a indústria de óleo e gás. Há hoje uma abertura maior desse setor para testar tecnologias novas, uma menor aversão ao risco", afirma o sócio Félix Gonçalves.