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Barril sobe, mas petroleiras querem manter custo baixo

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Mesmo com a recuperação nos preços do petróleo, atualmente acima do patamar de US$ 80, as empresas do segmento tendem a manter os ganhos de eficiência obtidos ao longo dos últimos anos, na esteira da desaceleração das atividades do setor de óleo e gás. O diagnóstico foi apresentado pelo vice-presidente de Supply Chain da Equinor, Mauro Andrade, para quem os períodos de alta na cotação da commodity não são necessariamente os de maior rentabilidade para as petroleiras.

"Aprendi que o preço do petróleo alto não é preço do petróleo bom. É bom entre aspas, mas não durante muito tempo", disse o executivo em palestra no evento Arena Valor do Conhecimento, durante a feira Rio Oil & Gas.

Andrade lembrou que o inchaço exagerado dos custos comprimiu as margens das companhias entre o fim da década passada e o início desta, algo que não deve se repetir agora.
"Não vejo espaço para que a gente tenha um cenário igual ao de 2008, 2010, em que os custos das empresas estavam exacerbadamente altos, de tal forma que as margens das operadoras estavam baixas mesmo com o petróleo a US$ 120 o barril", explicou.

Na análise do vice-presidente da Equinor, parte da redução de custos feita nos últimos cinco a seis anos foi incorporada à estrutura das empresas e será mantida mesmo no cenário atual de valorização do petróleo.

"Quando os preços caíram muito, e saímos de US$ 120, US$ 130 para US$ 27 o barril, as empresas tiveram de se reinventar", recordou. "Nessa retomada de preços, não vamos ter de novo os mesmos erros do passado. Parte dessa redução de custos que conseguimos é estrutural. Veio para ficar."

Ao comentar o tema da política de conteúdo local, o vice-presidente de Supply Chain se mostrou favorável à adoção deste tipo de compromisso com os fornecedores brasileiros.

"O Brasil precisa ter política de conteúdo local. É saudável o país ter política de conteúdo local", afirmou, ressalvando que o foco da política de conteúdo local, no longo prazo, deve ser a capacitação de empresas brasileiras para concorrer internacionalmente, como já acontece em alguns segmentos.

"O que essa política de conteúdo local vai deixar de legado? Quando as encomendas no Brasil cessarem, o fornecedor vai estar capacitado para concorrer no mundo inteiro?", questionou. "O conteúdo local do futuro é soldar chapa? Não."

Em sua visão, a contribuição das empresas do segmento de petróleo que estiverem capacitadas vai se dar na forma de patentes e royalties tecnológicos para o Brasil. Andrade citou como exemplos de competitividade empresas nacionais que já atuam nos mercados de perfuração e completação e de surf (conjunto de atividades subaquáticas).

Para o executivo, a política de conteúdo local adotada antes pelo Brasil era muito restritiva.

"A consequência disso era que as empresas não investiam. Tanto que temos até hoje 20 descobertas no Brasil que não foram desenvolvidas porque são subeconômicas [não viáveis economicamente]. E são subeconômicas por várias razões. O conteúdo local era provavelmente uma delas", disse Andrade. "As alterações que foram feitas na regulamentação foram muito boas, adequaram o perfil do mercado brasileiro às possibilidades de fornecimento."