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Engenheiros comentam sobre os desafios da construção de obra no RJ

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 Os cinco engenheiros que participaram complexa obra de execução dos seis trechos do projeto do Novo Elevado do Joá, uma das mais importantes obras do Rio de Janeiro, realizada pela Odebrecht Engenharia e Construção, explicaram à plateia com dados, gráficos e plantas, que os maiores desafios do projeto foram a logística, o prazo curto – de apenas 21 meses – e as condições do local.

A obra tem cerca de 5 km de extensão e inclui a construção do Novo Elevado, do viaduto em São Conrado, de um trecho da ciclovia, de dois túneis, da Ponte da Joatinga e os alargamentos da via já existente.

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Todo o projeto do Novo Joá foi executado em uma região próxima ao mar, entre rochas e escarpas, perto de uma área residencial e com a exigência de manter o antigo elevado, ao lado do qual a nova via foi erguida, aberto normalmente ao tráfego de veículos. Esse complexo contexto exigiu um planejamento rigoroso, detalhado e com capacidade de rápida alteração em função dos obstáculos encontrados na execução, uma vez que a data de entrega e o custo final da construção eram marcos fixos.

O diretor de contrato da Odebrecht, que liderou o empreendimento, Rogério Dourado, explicou que a obra foi iniciada e só depois foi constatada, pela Prefeitura do Rio, a necessidade de desapropriação de 13 áreas, o que permitiu a abertura de frentes de trabalho apenas nas áreas já liberadas, fato que afetou fortemente o planejamento inicial da obra.

Como próximo ao local há um conjunto de residências e uma área de vegetação preservada, a licença ambiental obtida permitia detonações apenas com avanços de 30 metros de avanço por dia em cada frente de escavação e ainda assim com nível de vibração e ruído controlados. As interdições ao tráfego também eram rápidas e em horários específicos.

“Para manter o cronograma em dia tivemos, por exemplo, que ter três frentes de escavação em um dos dois túneis. Os moradores do local nos chamavam constantemente para verificar o ruído que chegava em suas residências”, relembra o engenheiro.

O projetista do elevado, do viaduto São Conrado e da ciclovia, Bernardo Golebiowski, explicou que os 1.100 metros de extensão da pista do elevado apresentam condições diferentes de rocha e um solo escarpado, obrigando a aplicação de soluções específicas para as fundações de cada trecho.

“A altíssima agressividade do local exigiu a utilização de materiais que ampliassem a vida útil da estrutura, sendo utilizado aparelhos de apoio em aço e neoprene”, afirmou. O viaduto em curva executado nessa geografia também recebeu um projeto especial. O uso de pré-moldados exigiu ainda um aumento de 15% na resistência da estrutura para que ela suportasse o transporte das próprias vigas.

Já Cláudio Watanabe, responsável pelo projeto da nova Ponte da Joatinga, mostrou que a necessidade de um vão livre de 120 metros levou à opção da execução da obra por balanços sucessivos, com apoio de carrinhos de avanço hidráulico, cujo modelo foi utilizado pela primeira vez em uma construção no Brasil. O restante da ponte também teve o uso maximizado de pré-moldados com posições específicas de cada uma das peças.

O projeto dos dois túneis de 420 e 220 metros ficaram sob a responsabilidade de Jean Pierre Ciríades. Ele mostrou à plateia, formada por estudantes e engenheiro, que do ponto de vista geomecânico a obra não apresentou um grande desafio, já que havia túneis em paralelo no antigo elevado. Os maiores e mais complexos problemas eram a logística e a necessidade de controle das detonações.

“As detonações não puderam prosseguir até o final da obra e tivemos que adotar o uso de corte a frio com fio diamantado, que tem um custo bem mais elevado. A readequação das faixas de rolamento dos túneis antigos em função da construção da ciclovia também exigiu um projeto para adaptação da antiga estrutura”, explicou Ciríades.

O engenheiro Wagner Viana, responsável pelo controle de qualidade, apresentou as soluções para problemas detectados já no desenho do projeto e outros que foram surgindo ao longo da execução. “Alguns operários tiveram, por exemplo, que desempenhar suas funções usando rapel nas encostas dado as condições de trabalho e geológicas do local”, afirmou.