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Empresas americanas voltam a fazer negócios no Brasil

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A parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos já dura mais de um século, sendo o País a principal escolha das empresas norte-americanas que desejam investir na América Latina - por conta dos seus mais de 207 milhões de habitantes, que representam quase 3% dos consumidores globais, e por fazer fronteira com outros 10 países.

Os EUA foram o segundo maior exportador de produtos para o Brasil em 2016, representando 16% do total de produtos importados, atrás da China, e seguidos pela Alemanha, Argentina e Coreia do Sul. O País também é um grande mercado para os serviços dos EUA, representando quase US$ 25 bilhões em exportações em 2016.

Mas uma série de problemas enfrentados pelo País nos últimos anos tem assustado os investidores americanos. Entre eles, é possível elencar os frequentes os escândalos de corrupção, a crise econômica, a instabilidade política, a falta de mão de obra qualificada e a complexidade financeira, que tem o Brasil como vice-campeão entre 94 regiões analisadas pelo Índice de Complexidade Financeira 2018 da TMF Group, perdendo apenas para a China.

"Fazer negócios no Brasil exige um conhecimento profundo do ambiente local, incluindo os custos diretos e indiretos de fazer negócios por aqui, o chamado 'Custo Brasil', que engloba distribuição, com seus diversos procedimentos alfandegários; benefícios a funcionários; procedimentos governamentais, lembrando que o governo é o principal comprador do País; estrutura tributária cara e sistema legal complexo", explica Marco Sottovia, presidente da TMF Group Brasil.

Um país cheio de oportunidades

Apesar dos inegáveis pontos de atenção, o Brasil continua representando uma enorme oportunidade para as empresas dos EUA que buscam ampliar sua presença internacional, e há empresas norte-americanas atuando com sucesso no País há várias gerações.

Uma delas é a Exxon Mobil, companhia de petróleo e gás presente continuamente no Brasil há mais de cem anos. No setor automotivo, tanto a General Motors como a Ford têm atuação regional estável há décadas. Outra multinacional americana presente no País é a GE, que até abriu um centro de pesquisas global no Rio de Janeiro, com foco em P&D.

Atualmente, as grandes oportunidades estão nas áreas de aviação e defesa, energia, infraestrutura, assistência médica, dispositivos médicos e serviços. Os brasileiros também têm uma grande afinidade com a tecnologia, e as startups podem atrair muito interesse no País.

"Uma das melhores maneiras para uma empresa americana acessar o mercado brasileiro é estabelecer uma parceria com uma companhia local, que pode ajuda-la com a complexidade das regras e regulamentos regionais. Mas é imprescindível contar com uma consultoria especializada para garantir o cumprimento de todas as obrigações tributárias", recomenda o presidente da TMF Group Brasil.

Nem tudo são espinhos

A reputação de ser corrupto não é infundada no Brasil, mas a "Operação Lava-Jato" já descobriu uma complexa teia de corrupção do setor público, fraudes contratuais, lavagem de dinheiro e evasão fiscal decorrente do superfaturamento sistemático dos contratos com o governo - o que mostra que o Brasil quer mudar de vez sua fama internacional.

Além disso, a Controladoria Geral da União (CGU) criou recomendações para que os estados implementem programas de conformidade que estabelecem regras para um programa de denúncia de irregularidades, um código de ética e políticas claramente definidas. Desde então, Rio de Janeiro e Distrito Federal criaram leis estaduais que obrigam as empresas a estabelecerem programas de integridade, o que certamente será seguido por outros estados.

Outro grande desafio para as empresas norte-americanas que fazem negócios por aqui é a complexidade das leis trabalhistas, que deve ser significativamente reduzida com a reforma trabalhista, que tenta reduzir os custos e encargos trabalhistas para impulsionar a geração de empregos.

Com a crescente valorização do dólar frente ao real e o otimismo com a retomada da economia brasileira, muitos investidores e empreendedores americanos voltaram a priorizar o Brasil em seus planos de expansão.

Em 2017, o Brasil importou somente dos Estados Unidos R$ 5,1 bilhões em produtos agroindustriais, além de R$ 870 milhões em bebidas e outros alimentos como vinhos, chocolates, cervejas e laticínios. "E o mercado local ainda tem muito espaço para crescer", provoca Marco Sottovia, presidente da TMF Group Brasil.