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Empregadores debatem futuro do trabalho e desafios para o setor produtivo durante a OIT


O Brasil tem avançado na criação de condições para uma adaptação mais rápida às transformações trazidas por novas tecnologias. Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, a atualização da legislação trabalhista para adequá-la às formas de trabalhar e produzir contribuem para alinhar o país ao restante do mundo, mas é preciso fazer mais. “As recentes mudanças corrigem uma parte dos problemas. Mas estamos passando por um momento que ainda vai requerer muitas adaptações ao novo mundo da economia digital e da Indústria 4.0”, disse.

Andrade falou a representantes do setor produtivo no 5º Fórum Anual da Organização Internacional de Empregadores (OIE), durante a 7ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra. O evento contou com um painel sobre as tendências no futuro do trabalho e os desafios que trazem para as empresas e para as organizações que representam os empregadores. “Os fatos e os números nos permitem avaliar o complexo cenário pelo qual estamos passando, que tem algumas semelhanças com a intensidade das transformações da primeira revolução industrial”, observou.


O painel debateu desafios quanto à necessidade de formação profissional e de qualificação de trabalhadores frente à automação de processos produtivos, ao efeito da tecnologia sobre a produtividade e ao emprego, ao surgimento de novas profissões e à distribuição espacial dos fluxos de investimentos. “Estamos investindo cerca de R$ 3 bilhões em 25 centros de inovação tanto para ajudar a indústria brasileira a se desenvolver, mas principalmente, para ajudar o trabalhador a se capacitar em novas tecnologias e competências”, disse Andrade.

NOVA LEGISLAÇÃO

O presidente da CNI destacou o papel da OIE como principal representação dos empregadores no mundo nos debates nacionais e internacionais sobre o tema. Ele também relatou que o Brasil, por meio da modernização das leis do trabalho, buscou estabelecer um ambiente mais favorável e de maior segurança jurídica para arranjos modernos de trabalho, como o home office e o trabalho remoto e tipos de contratos que facilitam a adaptação às exigências da economia contemporânea.

Andrade citou como exemplos formas de trabalho típicas da economia digital e da economia criativa, em que o trabalho por atividades é mais comum e a flexibilidade e a autonomia são dominantes. “A economia digital diminuiu o custo de entrada para empreender, interconectou mercados e gerou trabalhos a distância. Essas novas formas de inserção de mercado de trabalho motivam questões que ainda não foram plenamente respondidas em relação aos sistemas de proteção social, como o previdenciário”, afirmou.

As formas que as instituições e as empresas se adaptarão em meio a esse processo de mudanças é uma questão ainda a ser respondida. Andrade observou que há incertezas e que o setor privado terá de demonstrar grande capacidade de adaptação a novos paradigmas. “As nossas organizações empresariais, inclusive a OIE, têm um papel-chave na captura das novas tendências em apontar para o ambiente político-institucional e as necessidades de mudanças”, ponderou.