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Mercado brasileiro é uma das locomotivas de crescimento na área subsea

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Conforme o mês de junho vai se aproximando, cresce a expectativa do mercado com a nova rodada do pré-sal, que será realizada no próximo dia 7. As empresas que oferecem soluções para as petroleiras estão com boas perspectivas de novos negócios a partir dos campos que o governo tem leiloado recentemente e com os próximos que serão licitados.

A Siemens, por exemplo, enxerga o mercado brasileiro como uma “locomotiva” para este mercado submarino, de acordo com o gerente regional da unidade subsea da empresa no país, Jonas Tavares. Um dos focos da companhia para o segmento é o fornecimento de soluções de transferência de equipamentos do topside de FPSOs para o mar. “Hoje, podemos dar a opção para o cliente de tirar um variador de velocidade ou mesmo um transformador e colocá-los no ambiente submarino com uma tecnologia já aprovada e isto, para o cliente, é ótimo porque libera espaço no topside”, afirmou. O executivo também detalha que outro foco importante da Siemens é o fornecimento de tecnologias de digitalização para o setor de óleo e gás.

Gostaria que o senhor começasse falando do processo de digitalização na indústria de óleo e gás.

Eu estou neste mercado há praticamente 15 anos. É interessante notar que o drive para equipamentos submarinos, motivado pelas operadoras que buscavam alcançar novos desafios, era antigamente a busca por equipamentos robustos e que trabalhavam em lâmina d’água rasa. Por exemplo, as árvores de controle hidráulico direto eram equipamentos muito brutos e robustos. Isso ainda existe em alguns campos, mas de uns seis anos para cá, a tecnologia evoluiu. Então, hoje temos equipamentos onde você faz um comando elétrico que acionam um dispositivo hidráulico. Assim, a operação ficou mais segura e rápida.

Recentemente, o que temos visto são as “smarts trees”: é uma combinação de várias tecnologias para permitir uma previsão de manutenção. Uma árvore que vai trabalhar no ambiente digital, onde você pode passar parte dessas informações para um nuvem, fazendo um pré-diagnóstico e fazer programação de manutenção preventiva. Interessante que esta indústria de óleo vem nesse crescimento e adaptação para a digitalização e a Siemens liderando alguns temas.

Quais são as principais e mais recentes novidades da empresa para esta área?

Nós temos uma linha de equipamentos que trabalha na distribuição elétrica de potência, de 8 kV até 45 kV. Isso permite levar energia elétrica de uma maneira segura e de alta potência a distâncias que até então não eram economicamente viáveis. Temos ainda a parte de sensores, medidores de fluxo e sensores de posicionamento, todos eles trabalhando com muita redundância. Fazendo um paralelo ao que disse antes: antigamente era preciso pegar os dados do equipamento, levar para superfície e fazer a interpretação. Hoje não é mais assim, já que o próprio equipamento faz a interpretação lá embaixo e te dá uma resposta de saída muito mais ajustada ao que está acontecendo.

Existe uma outra parte, que é o principal drive da Siemens para ambiente submarino, que é levar alguns equipamentos do topside para o ambiente submarino. É o caso de transformadores, que é uma tecnologia totalmente nova, variadores de velocidade, painel de distribuição e mais um sistema de controle para monitorar e fazer comando e integração de sistemas. Quando você olha para o subsea, o Brasil está na vanguarda do que vai ser o drive de projetos mundiais. Acabamos sendo uma vitrine no que diz respeito a processamento de gás, tratamento de hidrocarbonetos, aumento de produção e recuperação de poço.

Os negócios envolvendo digitalização e indústria 4.0 vão ganhar cada vez mais importância daqui para frente?

Sem dúvida. Hoje, quando olhamos para o projeto de digitalização da Siemens tanto com MindSphere, tanto com Internet das Coisas e indústria 4.0, está totalmente alinhado com os projetos que estão sendo desenvolvidos para área de subsea. Fazendo um paralelo com as smarts trees que mencionei anteriormente, teremos uma enorme quantidade de dados que serão disponibilizados. Por exemplo, temos uma linha de conectores elétricos que trabalham com comunicação com a internet. Conseguimos transmitir dados a distâncias recordes em um volume muito grande. Essas informações trarão vantagens de processamento que até então não eram possíveis.

Quanto à possibilidade de levar equipamentos do topside para o subsea, o senhor poderia detalhar mais a respeito?

Há alguns anos atrás, a Siemens teve um primeiro approach com os operadores mundiais e foi identificado uma necessidade de otimizar o espaço em FPSOs. A Siemens, como já tinha expertise em topside, começou a analisar o que poderia ser colocado de maneira segura no subsea. Hoje, podemos dar a opção para o cliente de tirar um variador de velocidade ou mesmo um transformador e colocá-los no ambiente submarino com uma tecnologia já aprovada e isto, para o cliente, é ótimo porque libera espaço no topside.

Olhando para a parte de downfield, que são equipamentos que vão passar por refreshment, você pode pegar um FPSO que está em produção, renovar esse navio e identificar quais equipamentos podem ser levados para outra planta. Esta opção para o cliente abre várias portas.

Quais são as perspectivas da Siemens com os recentes leilões no Brasil e com os próximos?

Tivemos recentemente a visita do nosso CEO da Alemanha, Joe Kaeser, que fez alguns anúncios de investimentos no Brasil. Obviamente, o subsea passa por esse processo. Estamos trabalhando muito forte e muito próximo aos clientes que aqui estão. Em termos de investimentos, hoje temos uma unidade aqui no Rio de Janeiro e em Macaé (RJ), tanto na parte de produção quanto de serviços. Temos também a parte de engenharia, que dá apoio aos nossos clientes.

O Brasil hoje é percebido mundialmente pela organização como uma das principais locomotivas não só para o mercado subsea, mas também para energia renováveis. Obviamente, a Siemens tem o maior interesse em participar e apoiar este crescimento com novas tecnologias, pessoal qualificado e atendimento ao cliente.

A área de serviços tem ganhado um volume mais rápido do que a de produtos. Mas mantivemos a nossa equipe local, mesmo nesse período de dificuldades [da economia], dando apoio ao cliente, confirmando o interesse da Siemens com a região. A parte de produtos acompanha num caminhar diferente. Em alguns projetos, ela está à frente, em outros está um pouco atrás. Mas ambas as áreas estão caminhando de mãos dadas.

Qual o planejamento de crescimento para os próximos anos?

A Siemens entende que está no Brasil para apoiar o crescimento dos principais clientes que temos na região. Nossa estratégia é o sucesso do nosso cliente, seja ele intermediário, como fabricantes, ou final, como os operadores. A petroleiras querem aumentar a recuperação de uma determinada área, já o fabricante quer ter certeza que seu produto vai funcionar com máxima confiabilidade. No final das contas, o foco da Siemens é ter certeza de que os clientes realmente atinjam as suas metas.

A principal interface com o cliente no Brasil é feita por nós. Para alguns assuntos, usamos diferentes áreas da Siemens, de acordo com a especialidade. Temos a Alemanha, a Noruega, os Estados Unidos, a Inglaterra… de acordo com a demanda, acionamos os centros de referência da empresa, onde temos pessoas capacitadas para fazer este apoio. Mas a interface principal com os clientes da região é feita com a equipe que está no Brasil.