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Donos de carro a gás dizem “rodar tranquilo” no meio da crise

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Encontrar combustível nos postos está sendo uma missão quase impossível há uma semana no Brasil. E quando há estoques o motorista precisa aguardar horas em filas quilométricas. Nada disso, porém, afeta os os proprietários de veículos movidos a GNV, (o popular “kit gás”), que dizem estar rodando tranquilamente.

“Aqui na minha região não tem fila (para abastecer) e está tudo normal”, afirma o taxista José Célio, que não precisou parar de fazer corridas em Aracati, no Ceará. Ele, aliás, apóia a greve dos caminhoneiros e se diz contra o atual governo de Michel Temer.

Ao contrário de etanol ou gasolina, o gás não é transportado por caminhões, e sim por gasodutos. Sendo assim, não há comprometimento no fornecimento do combustível nos postos que oferecem GNV.

Segundo a Comgás, o “abastecimento está mantido nos postos na área de concessão da Comgás (São Paulo capital, Região Metropolitana de Campinas, Baixada Santista e Vale do Paraíba)”. A empresa afirma que há 270 pontos de distribuição, sendo metade deles localizados na capital paulista.

Prós e contras do GNV

A instalação do kit para rodar com gás natural voltou a ser procurada com a popularização dos aplicativos de transporte privado, como Uber e Cabify. Até proprietários de esportivos se renderam aos benefícios do GNV — que não só é mais econômico como também alivia o bolso na hora de pagar o IPVA.

Enquanto motoristas do Paraná pagam 71,4% a menos, quem mora em Alagoas tem um desconto de 45% a 54%, dependendo da potência do carro — a alíquota cai para apenas 1,5%, assim como no Rio de Janeiro, onde o abono chega a 75%. Ainda não há benefício parecido em São Paulo, mas a própria Comgas pretende sugerir um programa semelhante ao realizado no Rio, mas com limitação de valor do veículo para privilegiar quem realmente precisa do benefício.

“Tô rodando tranquilo, não tem crise, não”, afirma o motorista de aplicativo Rogério 5-estrelas*. “Não sou taxista, mas sei das vantagens de instalar o ‘kit gás’. Agora estou rodando numa boa, enquanto todo mundo está louco em filas, atrás de combustível”.

De acordo com o condutor, existe uma desvantagem de autonomia, que acaba sendo irrelevante nesse momento de caos no abastecimento. E uma necessidade ínfima do combustível líquido, por uma questão técnica. “Preciso ter só um pouco de gasolina no tanque para fazer [a lubrificação] antes de chegar em casa. Viro a chave na rua mesmo, rodo um pouquinho e já está feito. Mas isso não afeta nada, no geral só rodo com gás”, garante. Mesmo assim, ele é contra a greve “porque, apesar de tudo, o movimento está fraco demais nesses dias”.

Entretanto, é bom lembrar que não há apenas vantagens. Apesar de os kits atuais (chamados de “Geração 5”) serem muito mais moderno do que os antecessores, a perda de potência do motor pode chegar a até 4% — contra até 10% dos anteriores. Outro problema é a falta de espaço físico para instalação do cilindro (ou cilindros) de gás, já que alguns podem tomar quase todo o espaço do porta-malas de veículos compactos.