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Maior acordo climático de 2018 acaba de ser fechado

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Depois de duas semanas de intensas negociações, mais de 170 países reunidos na sede da Organização Marítima Internacional (IMO) em Londres chegaram ao que é o maior acordo climático deste ano.

 Os países estabeleceram como meta a redução de pelo menos 50% das emissões de gás carbônico do transporte marítimo internacional até 2050, em relação aos níveis de 2008, com uma forte ênfase na expansão da ação para 100% até meados do século. 

O cumprimento desta meta significa que dentro de pouco mais de 10 anos, na década de 2030, a maioria dos navios recém-construídos operarão com combustíveis renováveis. Os navios, que são responsáveis pelo transporte de mais de 80% do comércio global, ficarão livres de combustíveis fósseis até lá.

Em discurso na plenária da IMO, Kitack Lim, Secretário Geral da organização, disse: “O texto pode não ser satisfatório para todos, mas representa um meio termo forte… neste contexto, acredito que este texto de compromisso é uma solução que deve ser capaz de manter todos a bordo…. [o texto envia um] sinal forte para a indústria e vocês, como Estados membros, estão lidando com isso com o mesmo compromisso que assumiram com o Acordo de Paris. ”

O compromisso firmado hoje na IMO sinaliza para a indústria e os investidores que a era dos combustíveis fósseis está chegando ao fim e representa um avanço positivo para limitar o aquecimento global, já que o setor marítimo estava incumbido de estabelecer uma proposta de redução dos gases de efeito estufa desde que o Protocolo de Quioto foi assinado, em 1997.

“O compromisso da Organização Marítima Internacional de reduzir os gases de efeito estufa entre 50% e 100% em 2050 é um grande progresso”, comemora o Dr Tristan Smith, especialista em Energia e Navegação do UCL Energy Institute.  “ É provável que essa meta se torne ainda mais rigorosa, mas mesmo com este nível mais baixo de ambição, a indústria marítima exigirá mudanças tecnológicas rápidas para produzir navios com emissões zero, passando de combustíveis fósseis para uma combinação de eletricidade (baterias) e combustíveis renováveis, derivados de hidrogênio e potencialmente bioenergia. Embora essas mudanças sejam enormes para uma indústria global, que tem uma frota de mais de 50.000 navios internacionalmente, uma pesquisa liderada pelo Reino Unido mostrou que, com o nível correto de investimento e melhor regulamentação, essas reduções podem ser alcançadas."

Algumas objeções específicas ao texto final foram feitas, mas mesmo os países que mais detêm a posse ou o registro de navios apoiaram o acordo, e apenas dois países (Arábia Saudita e Estados Unidos) se opuseram ao texto.  “A IMO deveria e poderia ter ido muito além não fosse pela oposição dogmática de alguns países liderados pelo Brasil, Panamá e Arábia Saudita”, ressalta Bill Hemmings, diretor de transporte da Transport & Environment. “Porém esta decisão coloca o transporte marítimo em uma rota promissora. Agora, o setor se comprometeu oficialmente com o conceito de descarbonização e a necessidade de reduzir suas emissões, o que é fundamental para o cumprimento do acordo de Paris ”.

Mark Lutes, observador do WWF que tem acompanhado as negociações do setor marítimo, alerta:  “As medidas de curto prazo serão objeto de discussão nas próximas reuniões da IMO no final deste ano. Há um forte apoio para a implementação rápida, mas o mesmo grupo de países que resistiu a metas de redução absoluta nesta reunião quer adiar qualquer implementação de novas medidas até 2023, quando a Estratégia revisada for adotada”. 

John Maggs, presidente da Clean Shipping Coalition e conselheiro sênior de políticas, Seas At Risk, concorda: “Temos um acordo importante, e esse nível de ambição exigirá uma mudança setorial para novos combustíveis e tecnologias de propulsão, mas o que acontece a seguir é crucial. A IMO deve agir rapidamente para introduzir medidas que reduzirão as emissões profunda e rapidamente no curto prazo. Sem elas, os objetivos do Acordo de Paris permanecerão fora de alcance ”.

O transporte marítimo internacional já emite 2% dos gases causadores do efeito estufa em todo o mundo e que poderia chegar a responder por 17% das emissões em 2050, se nada fosse feito.  Embora este acordo coloque o setor no caminho para cumprir a meta de manter a elevação da temperatura média do planeta em 2°C em relação aos níveis pré-industriais, é importante lembrar que o objetivo do Acordo de Paris é que esse aquecimento fique "bem abaixo" de 2°C, visando 1,5° C.

A descarbonização completa em meados do século, como proposto pelos países insulares do Pacífico que já sentem os efeitos das mudanças climáticas na forma de elevação do nível dos mares que compromete seu território e em um aumento sem precedentes na quantidade e rigor dos furacões e tornados que assolam a região, continua a ser necessária para a meta de 1.5°C.