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Como a Microsoft está lidando com a crise do Vale do Silício

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Em seu primeiro dia como CEO da Microsoft, em fevereiro de 2014, Satya Nadella enviou um e-mail para toda a companhia. Nele, fez um alerta e uma promessa. “Nossa indústria não respeita a tradição – apenas a inovação”, escreveu. “A Microsoft, não se enganem, está caminhando para lugares maiores.” Quatro anos se passaram e é justo dizer que a promessa de Nadella foi cumprida. Na segunda-feira 16, a desenvolvedora do Windows viu seu valor de mercado chegar a US$ 725 bilhões. A Alphabet, holding que controla o Google, fechou o pregão do mesmo dia avaliada em US$ 724,5 bilhões.

Pode parecer pouco para aquela que já foi a empresa mais valiosa do mundo. Menos ainda se considerar que a vice-liderança do ranking durou somente um dia, pois na terça-feira a Alphabet já estava em segundo novamente, atrás somente da Apple com US$ 902,8 bilhões. Mas o desempenho da Microsoft é simbólico diante dos problemas que suas rivais do Vale do Silício enfrentam nos últimos meses. O uso indevido de dados do Facebook pela Cambridge Analytica fez a rede social perder mais de US$ 90 bilhões em valor de mercado. A Amazon viu seu valor de mercado despencar US$ 45 bilhões em um único dia após presidente Donald Trump indicar que pode mudar o regime de tributação ao qual a varejista está submetida. Enquanto isso, a Microsoft saía ilesa da crise e Nadella seguia com sua cartilha. “Nossa estratégia era transformar tudo o que fazemos dentro da empresa”, disse o CEO em evento ocorrido em julho de 2017. “Essa transformação ainda está em andamento.”

Se antes os resultados ruins nas vendas de computadores pessoais poderiam causar abalos sísmicos na companhia que desenvolvia os principais programas para essas máquinas, as coisas mudaram nos últimos anos. Desde 2014, as ações da Microsoft subiram 151%, sendo cotadas atualmente a US$ 96,48. Entre as razões para a valorização, destaque ao crescimento da plataforma de computação em nuvem Azure, que teve um salto na receita de 98% no trimestre que terminou em dezembro. Isso levou o total destes serviços para US$ 7,8 bilhões, o que já representou quase 27% do faturamento de US$ 28,9 bilhões da empresa no período.

“A Microsoft vem realizando um excelente trabalho de transformação ao focar na nuvem”, diz Alex Salkever, analista independente de empresas do Vale do Silício. “Negócios baseados em serviços tendem a ser mais regulares e lucrativos.” De quebra, a Microsoft aumentou sua fatia nesse mercado, de 16% para 20%, em 2017, segundo dados do banco de investimentos americano Keybanc Capital Markets. Enquanto isso, o Google Cloud Platform, administrado pela Alphabet, terminou o ano com 12%. O Amazon Web Services viu sua participação cair de 68% para 62% no período.

Recentemente, a Microsoft deu o maior exemplo de que fará de tudo para voltar aos holofotes, inclusive tomar atitudes que seriam impensáveis quando a companhia estava sob a batuta de Ballmer. Em 2001, o executivo classificou como um “câncer” os programas de código-aberto, softwares que permitem que qualquer pessoa os modifique e o distribua versões alternativas e gratuitas. Na semana passada, a companhia anunciou o lançamento de sua própria versão do Linux, sistema operacional de código-aberto que durante anos foi um rival – ainda que tímido – para o Windows. Chamado de Azure Sphere OS, ele foi desenvolvido para ser utilizado em dispositivos de internet das coisas. O sistema operacional das janelas, por sua vez, foi preterido por ser muito complexo para esses projetos. A previsão é de que a versão do Linux da Microsoft chegue ao mercado até o fim de 2018.

É verdade que nem tudo deu certo para a Microsoft nos últimos anos. O grande tropeço foi o fracasso no mercado de smartphones. A tentativa pífia gerou resultados desastrosos, como a compra da Nokia, em 2013, por US$ 7,2 bilhões. Naquele mesmo ano, o fundador da companhia já admitia a derrota na corrida dos celulares. “A forma como atuamos nesse segmento não permitiu que conquistássemos a liderança”, disse Bill Gates, em entrevista à CBS. “Foi claramente um erro.” Apesar de amargar prejuízo com a fabricante finlandesa, a perda está longe das quedas recentes que suas concorrentes do Vale do Silício tiveram.

O mercado parecia prever que a Microsoft seria uma aposta mais segura. No começo do ano passado, um dos maiores fundos de investimentos do planeta, o Tiger Global Management, injetou US$ 132 milhões na empresa americana. Ao mesmo tempo em que fazia isso, também reduzia de US$ 1,1 bilhão para US$ 407 milhões a sua aposta na Apple. Não para por aí. Em dezembro, o Keybanc Capital Market especulou que as ações da desenvolvedora do Windows passariam de US$ 85,95 para US$ 106 em um período de 12 meses. O Morgan Stanley, outro banco dos EUA, foi mais além. Projeção de alta de 51,2%, o que faria as ações chegarem a US$ 130 cada. Isso faria a empresa fundada por Bill Gates ultrapassar US$ 1 trilhão em valor de mercado. Nessa hipótese, Nadella levaria a Microsoft não só à liderança, mas a um lugar onde nenhuma empresa jamais chegou.