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Veja por que a Petrobras vendeu barato as sondas P-59 e P-60

As sondas P 59 (direita) e P 60 (esquerda) no canteiro de São Roque do Paraguaçu. Foto: Cortesia PAC

A Rowan Companies anunciou que fechou com a Petrobras a compra das jackups de perfuração P-59 e P-60 por US$ 77 milhões, sendo US$ 38,5 milhões para cada unidade. As sondas, que estão no canteiro de São Roque do Paraguaçu, serão mobilizadas para o Oriente Médio até junho.

A Petrobras conseguiu ampliar em US$ 8,5 milhões a proposta feita pela própria Rowan no leilão das duas sondas, que aconteceu em maio do ano passado. A empresa americana tinha ofertado US$ 30 milhões para cada uma das plataformas de perfuração.

A oferta da Rowan causou reação nas redes sociais e crítica por parte da oposição ao governo Michel Temer. A empresa tem sido constantemente acusada de vender as plataformas por preços inferiores ao preço de construção. O leilão das unidades previa preço mínimo de US$ 40 milhões para cada uma das plataformas.

E quanto custou?

A Petrobras investiu US$ 720 milhões na construção das plataformas P-59 e P-60. A construção foi encomendada ao consórcio Rio Paraguaçu, formado pelas empresas Odebrecht, UTC Engenharia e Queiroz Galvão, em 2008. Posteriormente, o consórcio se transformou no Estaleiro Enseada Paraguaçu, que hoje é apenas Estaleiro Enseada.

As unidades têm capacidade para operar em locais onde a profundidade de água varia de 10 a 106 metros, com capacidade de perfurar poços de até 9.144 metros, em condições de alta pressão e temperatura. Ou seja, podem perfurar poços somente em águas rasas.

A construção das unidades no país saiu mais cara do que algumas das unidades similares contratadas no mesmo ano. Em julho daquele mesmo 2008, a Maritime Industrial Services fechou contrato com a Mosvold Middle East Jackup (MEJU) para a construção de duas jackups por US$ 335 milhões, ambas. Gerou, contudo, mais de 2.000 empregos diretos na Bahia.

E qual a razão da venda?

A construção da P-59 e da P-60 foi um marco na retomada de projetos do tipo no país. Fazia quase 30 anos que o país não fabricava sondas do tipo autoelevatória. Mas, com a descoberta do pré-sal, anunciada pela Petrobras em 2007, a empresa passou a centrar sua atuação em águas profundas e ultraprofundas no país.

A dificuldade para licenciar projetos em águas rasas no país, por conta do correto rigor do Ibama com essas regiões, também ajudou as empresas que atuam no Brasil a focarem as águas profundas. É custoso e sem garantia de sucesso o licenciamento para águas rasas, sobretudo para regiões próximas da costa.