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PIB volta a crescer, mas a economia ainda requer cuidados

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Ao avaliar as previsões para as principais variáveis macroeconômicas nos próximos meses, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Renner, Laurence Gomes, encontra razões suficientes para sustentar um otimismo em relação a 2018.

As famílias estão menos endividadas, a taxa básica de juros está no menor patamar da história, o crédito se amplia lentamente, a confiança do consumidor segue em recuperação e a inflação se mantém comportada.

Apesar do ainda elevado nível de desemprego, estão dadas as condições para mais um ano de crescimento. A tendência de que a conjuntura passou a jogar a favor dos resultados começou a ser percebida na rede há cerca de um ano, quando o fluxo de lojas, um dos termômetros mais importantes do comércio, sinalizou uma disposição maior de os consumidores irem às compras.

O quadro foi confirmado ao final de 2017: as vendas nas mesmas unidades subiram 9,2%, após a estabilidade registrada no ano anterior.

A influência positiva do cenário fica mais clara no detalhe dos números. Cerca de dois terços do resultado são atribuídos à evolução do fluxo de lojas, ante uma média histórica de um terço. “Tivemos uma melhora importante do ponto de vista macroeconômico em 2017”, afirma Gomes. “As variáveis de estabilidade, com taxas de juros e inflação baixas, criam boas condições para 2018.”

 Graças a um diagnóstico antecipado, a varejista vinha figurando como exceção na crise, com avanço em números como receitas e lucro. O volume de vendas em mesmas lojas, porém, estagnou-se em 2016, sucumbindo a uma queda de 4% no consumo das famílias no País naquele ano.

A variável é um dos principais motores da economia e, depois de dois anos de queda, surpreendeu em 2017 com um dado positivo. Em conjunto com a agricultura, ajudou a tirar o País de sua mais longa recessão (confira os setores no quadro “A economia sai do buraco…”). O PIB cresceu 1%, o primeiro dado positivo em três anos. “A retomada está se dando por questões de fundamento econômico”, afirmou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em entrevista. Ao lado do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, o ministro foi um dos responsáveis por tirar a economia brasileira da UTI.

Os gastos de consumidores na compra de bens devem se intensificar nos próximos meses e seguir como um dos principais motores da atividade. A boa notícia é que neste ano o número deve ser acompanhado de uma recuperação da indústria e o avanço forte do investimento, colocando o crescimento em outro patamar.

As projeções coletadas pelo Boletim Focus do Banco Central apontam um avanço de cerca de 3% no PIB de 2018. “Voltamos a tentar a ser um país normal, saindo daquela coisa heterodoxa e experimental da nova matriz econômica, que causou problemas à economia”, afirma o CEO da Riachuelo, Flavio Rocha. Se o consumo foi o responsável por tirar a economia da UTI, o investimento é o que pode garantir que ela saia de vez do hospital, para sustentar um ritmo da atividade capaz de conduzir o Brasil em direção ao nível de produtividade e riqueza de economias ricas.


A taxa de investimento brasileira recuou para 15,6% em 2017, menor nível da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. Como comparação, Índia e China apresentam patamares acima de 30%.

A volta do consumo é um indutor importante do investimento e estimula a tomada de decisões nas companhias. A fabricante de carrocerias Randon retomou os planos de inaugurar uma nova unidade produtiva no interior de São Paulo, após suspender o projeto em meio à recessão. Esse efeito alcança os mais diversos setores. “O primeiro passo para o investimento é ter uma sinalização de que efetivamente tem consumo”, afirma Carlos Tilkian, presidente da Brinquedos Estrela. “A partir daí, passa a ter muito mais confiança porque se prepara para um crescimento maior.” O sinal de que os aportes em compras de máquinas e infraestrutura começaram a voltar à zona positiva apareceram no quarto trimestre. A taxa de formação bruta de capital fixo, medida de investimento, subiu 2% no período, a primeira variação positiva em 15 trimestres.

Para além da fotografia do PIB, números mais recentes reforçam a tendência de que a retomada vem se consolidando. A arrecadação de impostos federais foi recorde em janeiro e a produção industrial encerrou o ano com uma alta de 2,5%. Cerca de 60% dos setores estão com crescimento, segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). 






Por Gabriel Baldocchi e Leonardo Motta