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Fora da cadeia, Odebrecht ainda não recebeu a visita do pai

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Fora da cadeia há dois meses e meio, Marcelo Odebrecht ainda não recebeu a visita do pai, Emílio Odebrecht.

Informantes do Notícias do Trecho dizem que eles não se falam mais, Marcelo acusa o pai de ter o entregue na justiça.

Emílio e Marcelo Odebrecht, pai e filho, respectivamente, romperam as relações familiares entre eles após o acordo de delação premiada da empreiteira. Marcelo, que está preso e é ex-presidente e herdeiro do grupo empresarial, ficou bastante magoado com Emílio, presidente do Conselho de Administração da companhia.

De acordo com uma fontes ligadas à investigação da Lava Jato e à Odebrecht confirmaram o fim dos laços afetivos entre pai e filho já no início de 2017.

"Marcelo sente-se injustiçado. Ele se vê como um bode expiatório. Acha que pagará o preço mais alto entre todos os envolvidos na Lava Jato também porque seu pai aceitou delatá-lo. Marcelo pagava mesmo propina e, de certa forma, desafiava as autoridades que poderiam o incriminar. Emílio, por sua vez, era mais conservador. Cometeu e sabia de ilegalidades, mas era mais contido", revelou um executivo da empreiteira, que preferiu não ter sua identidade revelada.

O declínio do relacionamento entre Marcelo e Emílio começou logo após a prisão do filho, ocorrida em junho de 2015, na 14ª fase da operação. Marcelo, que ficou na sede da PF em Curitiba, se mostrou contrário em firmar um acordo, enquanto o seu pai optou rapidamente pela delação. Durante uma visita ao filho, Emílio tentou convencer o herdeiro a fazer delação e ouviu um não.

"Este assunto estremeceu a relação entre ambos. Havia dois grupos na empresa: o de Marcelo, que não queria a delação de jeito nenhum, e o de Emílio, que achava a delação a melhor saída", contou à reportagem um funcionário da Odebrecht.

Só que a pressão caiu sobre Marcelo quando a Polícia Federal descobriu o sistema de pagamento de propinas, feito pelo setor denominado “Operações Estruturadas”, dentro da Odebrecht. O acordo de delações da empreiteira foi firmado por Emílio em maio de 2016, quando começaram as delações premiadas.

"Emílio e Marcelo nunca foram exatamente alinhados. O filho sempre foi conhecido por seu estilo agressivo nos negócios e até na corrupção", contou um outro funcionário da Odebrecht, que também não quis se identificar na reportagem.

Marcelo se tornou presidente do grupo Odebrecht em dezembro de 2008, quatro anos antes do previsto. Segundo funcionários da empresa, ele pressionou o pai para entregar o cargo a ele por ter pressa em mostrar que era “capaz de comandar a empresa”.

Além do pai, o relacionamento de Marcelo com a mãe também ruiu. Ela já não visitava mais o filho na prisão em Curitiba e desde então nunca mais foram vistos juntos.