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A Eternit vai conseguir se reinventar?

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 Na última semana, a Eternit ingressou com pedido de recuperação judicial. Os motivos são o cenário ruim no setor da construção civil e a proibição do Supremo Tribunal Federal, em novembro do ano passado, da extração, industrialização e comercialização da matéria-prima no país. “A Eternit do Brasil pode ter o mesmo futuro da empresa italiana se não aproveitar o processo judicial para se reinventar”, diz Rina Pereira, coordenadora de soluções coorporativas do Ibmec.

O objetivo da empresa com a recuperação judicial é proteger seu caixa, que contava com apenas R$ 26,7 milhões em 30 de novembro. Além de uma dívida de R$ 300 milhões, a Eternit foi condenada a pagar uma multa de R$ 500 milhões pela exposição de trabalhadores ao amianto da mina de São Felix, operada por sua subsidiária Mineração Associados (Sama), que era responsável por 20% da receita líquida de R$ 501 milhões até o terceiro trimestre do ano passado. “A Eternit tomou a medida correta”, avalia Edemilson Wirthmann, presidente da comissão de direito falimentar e recuperação judicial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Mas vai levar tempo para a empresa colher os frutos de uma reestruturação, e a recuperação pode proporcionar este tempo.”

A Eternit vinha tentando diversificar seu portfólio para ficar menos dependente do amianto. A companhia investiu R$ 100 milhões na fábrica de Manaus para produzir telhas de polipropileno e adquiriu 60% da companhia de louças sanitárias CSC. Essa estratégia foi determinante para rachar o conselho de administração. Os investidores Luiz Barsi Filho, com 14,6% de participação, e Lírio Parisotto, com 6,6%, discordaram do caminho a seguir. Parisotto pedia a ampliação dos negócios, ao contrário de Barsi. “Deca e Roca lideram o mercado de louças e produzem 22 milhões de peças por ano. Não faz sentido produzir só 1,5 milhão”, disse Barsi, que foi voto vencido.

No acumulado de 2017, até o terceiro trimestre, o prejuízo era de R$ 18,8 milhões nesse segmento. Procurado pela imprensa, o presidente da Eternit, Luís Augusto Barbosa declinou de qualquer entrevista.

Agora, a Eternit tem três meses para convencer os credores a aceitar seu plano de recuperação judicial. A empresa espera que em dois anos, quando completará 80 anos de operação no Brasil, essa página de sua história esteja virada. Se a previsão da companhia estiver correta, ela poderá ultrapassar o tempo de vida da co-irmã italiana. Mas, para isso, terá de correr contra o tempo para não ser esmagada pelo amianto.












Por Luana Meneghetti