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A ciência do conforto para operadores de equipamentos/máquinas

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No decorrer da história da civilização industrial, os projetos de ambientes, objetos e postos de trabalho vêm sofrendo uma evolução constante, graças ao surgimento de novas ferramentas e sistemas e à crescente valorização da sustentabilidade e do bem-estar do ser humano.
Na atividade profissional, essa valorização conduziu a uma abordagem mais científica, denominada ergonomia. Esse termo foi utilizado pela primeira vez em 1857 pelo cientista e biólogo polonês Wojciech Jastrzebowski (1799–1882), no trabalho “Ensaio de ergonomia ou ciência do trabalho, baseada nas leis objetivas da ciência da natureza”. A expressão origina-se dos termos grego “ergon”, que significa “trabalho”, e “nomos”, que significa “regras ou normas”.
CONCEITOS
Atualmente, diversos conceitos são utilizados em ergonomia, tendo à frente a “antropometria”, a ciência que estuda as dimensões do corpo humano e a amplitude de seus movimentos. Este ramo da antropologia utiliza faixas de variação dos aspectos genéticos e biológicos do ser humano para compará-los entre si, de modo a englobar até 95% da população mundial.
Outro termo bastante disseminado diz respeito aos chamados “DORT” (Distúrbios Osteomoleculares Relacionados ao Trabalho), que são os desequilíbrios funcionais e/ou orgânicos causados pela fadiga neuromuscular oriunda do trabalho realizado em uma posição fixa (estática) ou de movimentos repetitivos. Os sintomas são semelhantes aos da LER (Lesão por Esforços Repetitivos), mas a origem é comprovadamente profissional. A LER, por sua vez, é causada por atividades (profissionais ou não) nas quais os movimentos repetitivos em alta frequência e em posição ergonômica incorreta podem causar lesões nos tendões, músculos e ligamentos. Os sintomas são dor, formigamento, dormência etc.
Há ainda outras definições, como a “postura” (a atitude assumida pelo indivíduo na execução de uma atividade, sendo que a postura correta utiliza a menor quantidade de esforço muscular e protege as estruturas de suporte contra traumas), o “estresse” (uma combinação de cansaço físico e mental, de reação do indivíduo a uma adaptação, causando um conjunto de sintomas físicos, psicológicos e comportamentais), o trabalho dinâmico (que permite contração e relaxamento alternado dos músculos, como caminhar ou girar um volante) e o trabalho estático (que exige contração contínua de alguns músculos para manter uma determinada posição, por exemplo, em pé). Nesse último caso, trata-se de trabalho altamente fatigante, que deve ser evitado sempre que possível. Quando não puder ser evitado, devem-se possibilitar mudanças periódicas de postura e oferecer pausas periódicas (curtas e frequentes) para permitir o relaxamento dos músculos e o alívio da fadiga.
ABORDAGENS
Após o término da Segunda Grande Guerra Mundial (1939-1945), a ergonomia teve grande desenvolvimento devido à necessidade cada vez maior de integração entre o homem, a máquina e a atividade a ser executada.
A primeira associação nacional voltada para o assunto foi a “Ergonomic Research Society”, criada na Inglaterra em 1949, e que, posteriormente, se desenvolveu nos países industrializados. Em 1959 foi fundada a “International Ergonomics Association (IEA)” e, em 1983, a Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO).
De acordo com a IEA, “ergonomia é o estudo científico da relação entre o homem, seus meios, métodos e espaços de trabalho. Seu objetivo é elaborar, mediante a contribuição de diversas disciplinas científicas, um conjunto de conhecimentos que, dentro de uma perspectiva de aplicação, deve resultar numa melhor adaptação ao homem dos meios tecnológicos e dos ambientes de trabalho e de vida”.
O principal objetivo prático da ergonomia é, portanto, elevar a qualidade de vida do ser humano, melhorando seu desempenho no trabalho, aliviando a fadiga e evitando doenças (principalmente LER e DORT, correspondentes a aproximadamente 65% das diagnosticadas) e acidentes.
A abordagem clássica da ergonomia (norte-americana) leva em conta principalmente os aspectos físicos (antropométricos, fisiológicos e sensoriais), objetivando dimensionar a estação de trabalho e facilitar a leitura das informações dos instrumentos e a manipulação dos controles. Utiliza simulações em laboratório, nas quais são medidos parâmetros como alcances, esforços, capacidade de avaliação visual, rapidez de resposta e outros.
A partir de 1980, a ergonomia começou a ter, além dessa, outra abordagem, a situada (europeia), que privilegia as atividades do operador, priorizando o entendimento da tarefa e os mecanismos de seleção de informações, solução de problemas e tomada de decisões. Tal enfoque inicia-se com a observação do trabalho em condições reais, informações dos operadores sobre seu trabalho e mecanismos de aprendizagem.
POSTO DE TRABALHO
Para assegurar condições adequadas de conforto, é necessário que as medidas dos elementos do posto de trabalho estejam em harmonia com as do corpo humano. No ambiente de máquinas móveis pesadas, isso inclui principalmente a adequação das cabines de controle, mas também as condições de serviços de apoio (operação), intervenções (pós-venda), monitoramento (gestão) e mesmo montagem dos equipamentos (produção).
Seja qual for o caso, o espaço mínimo necessário para uma pessoa em pé é de 1,75 x 0,45 x 0,30 m. Se a pessoa precisar caminhar de frente entre obstáculos, esse espaço deverá ser maior. E, além disso, há mais um acréscimo se estiver confinado entre paredes laterais (em corredores, por exemplo).
Decerto, muitos trabalhos são desenvolvidos na posição sentada (como a do operador e do gestor), uma vez que sentar é uma atitude natural de descanso para a fisiologia humana. Permanecer muito tempo sentado, contudo, também se torna prejudicial ao corpo, principalmente para a coluna, ombros e sistema circulatório das pernas.
Até por isso, a partir dos anos 60 iniciaram-se pesquisas para minimizar os danos causados por essa posição. Inicialmente, por exemplo, buscou-se um projeto de design das cadeiras de escritório que permitisse a permanência do trabalhador sem causar patologias crônicas, dores ou fadiga. Com o tempo, esse processo obteve uma grande evolução, definindo-se um design e um conjunto de regulagens de acordo com as necessidades antropométricas de cada indivíduo, que aliviasse as tensões e a fadiga e prevenisse o surgimento de problemas crônicos ao organismo.
As próprias mesas também foram objeto de estudos, definindo-se os seguintes aspectos básicos: (1) altura entre 72 e 75 cm, considerando o biótipo brasileiro (altura média de 1,75 m); (2) profundidade suficiente para assegurar a visão adequada das telas ou instrumentos de painel; e (3) largura suficiente para colocar todos os acessórios e propiciar um espaço adequado para o trabalho ou a colocação de objetos, dentro das áreas de alcance.
As pernas devem ficar acomodadas sob a mesa, com possibilidade de algum movimento. Em bancadas com estantes menos profundas acima delas, a dimensões devem atender à segurança. Um espaço profundo para objetos pequenos é tão inadequado quanto um espaço raso para objetos grandes.
Os degraus das escadas (e as elevações de piso) devem ter uma altura de 18 cm, enquanto a largura mínima será de 28 cm. O corrimão deve ter uma altura que assegure real proteção para os usuários. Em alguns locais estratégicos, inclusive, deve-se disponibilizar espaço para se abaixar ou ajoelhar, de modo a poder pegar objetos caídos ou colocados sobre o solo ou debaixo da bancada.
O projeto dos elementos componentes de um posto de trabalho deve, portanto, buscar proporções adequadas à estatura dos usuários, de modo a garantir o conforto adequado e, assim, maiores condições de produtividade e menor incidência de fadiga e doenças ocupacionais.
NR-17 ESTABELECE PARÂMETROS ERGONÔMICOS
No Brasil, a norma regulamentadora nº 17 (Ergonomia) do Ministério do Trabalho e Emprego estabelece os parâmetros que permitem a adaptação das condições de trabalho às condições psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. Originalmente, a NR-17 é regulamentada pela Portaria Nº 3.214, de 8 de Junho de 1978, que aprova as normas regulamentadoras relativas à Segurança e Medicina do Trabalho.
DICAS DE ERGONOMIA PARA OPERADORES
Apesar de a ergonomia ser um estudo mais voltado para trabalhos realizados em escritório, também se aplica a caminhoneiros e operadores. E existem algumas atitudes simples que podem melhorar a ergonomia e a qualidade de vida dos condutores. Durante as paradas, por exemplo, é importante descer do veículo e realizar uma pequena caminhada. Isso ajuda a ativar a circulação e evita dores, principalmente nas pernas, que aparecem em decorrência de longos períodos na mesma posição. Além disso, durante as paradas é indicado realizar alongamentos, para ativar a circulação sanguínea e ajudar a relaxar os músculos, promovendo maior sensação de conforto.
Também é importante contar com um apoio para os braços dentro do equipamento, para que não fiquem suspensos durante a direção. Isso ajuda a evitar esforço e permite um descanso maior para os membros superiores. O motorista também deve evitar colocar os pés debaixo do banco ou descansá-los no pedal de embreagem. O ideal é mantê-los apoiados no piso do veículo na hora do descanso, em uma posição em que as pernas fiquem flexionadas a 110 graus. Outro ponto importante é dirigir com a postura correta, com o banco ajustado da forma mais adequada. O ideal é manter a coluna ereta, manter-se sentado na posição de 90 graus e com os braços retos enquanto opera.