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Petros e Previ querem retirar poderes de Abilio Diniz na BRF

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Segundo relato de uma das fontes, a ideia é que os fundos redijam um comunicado ao mercado, sinalizando o descontentamento com o comando da empresa. Eles ainda avaliam se convocarão uma assembleia de acionistas.

Os fundos esperam contar com o apoio de outros investidores minoritários, que também estão insatisfeitos com os rumos da companhia. A BRF, fruto da união da Sadia e da Perdigão, tem capital pulverizado na Bolsa. Além dos fundos, os principais acionistas são os fundos Tarpon (8,55%) e Aberdeen (5%).

Abilio Diniz também é sócio. Por meio da Península Participações, veículo de investimentos da família do empresário, tinha 4% da BRF em dezembro de 2017.

Um acionista minoritário que falou ao Estado sob reserva lembra que a rede de apoio de Abilio se esvaziou, já que os fundos de pensão preferem sua saída e não há mais alinhamento entre ele e a Tarpon.

Integrantes da família fundadora Sadia também apoiariam um movimento de renovação na empresa e o consequente afastamento de Abilio, apurou o Estado com pessoas próximas. A família é desarticulada, mas integrantes estimam que, juntos, tenham entre 6% e 8% da empresa.

Só nesta sexta-feira, 23, a BRF perdeu R$ 2 bilhões em valor de mercado. Por volta das 15h30, a ação caía 8,3%, cotada a R$ 28,41. Em 12 meses, a desvalorização é de 30% no valor dos papéis. No ano passado, a empresa teve prejuízo de mais de R$ 1 bilhão, conforme balanço divulgado na quinta-feira (22). Há meses os fundos, que têm representantes no conselho, pressionam por mudanças na empresa, que também registrou prejuízo em 2016 - um rombo inédito, de R$ 377 milhões.

Petros e Previ se opuseram à eleição, em novembro do ano passado, de José Aurélio Drummond Junior para a presidência da BRF. Ambos os fundos queriam a saída do então presidente, Pedro Faria, sócio do fundo Tarpon, que também é acionista da BRF. Mas pediram que fosse eleito por um executivo de mercado sem ligação com qualquer sócio. Drummond, que era conselheiro, foi indicado por Abilio e só foi eleito para o cargo diante do apoio do empresário. Com a votação empatada - quatro votos a favor e quatro votos contrários -, Abilio deu o "voto de minerva", apurou o Estado.

Resultados

O segundo prejuízo consecutivo da BRF reforçou o descontentamento e a desconfiança dos acionistas sobre a capacidade dos atuais gestores da companhia de tirá-la da má fase.

Um conselheiro, que preferiu não se identificar, disse que o clima já era ruim depois do prejuízo de 2016 e foi se deteriorando ao longo do ano passado. Segundo essa fonte, os fundos de pensão ganharam força de outros sócios, que também questionam a postura de Abilio Diniz à frente do conselho e sua manobra para colocar Drummond na presidência.

Boa parte do prejuízo líquido de 2017 ficou concentrado no quarto trimestre do ano passado quando a empresa registrou perda de R$ 784 milhões, ante um prejuízo líquido de R$ 442 milhões em igual período de 2016. A BRF atribuiu o resultado ao “lançamento de diversas provisões operacionais excepcionais”.  Em 2017, a receita líquida totalizou R$ 33,469 bilhões, uma queda de 0,8% contra os R$ 33,733 bilhões de 2016.

Procurados, Petros, Previ, Tarpon e BRF não comentaram. O empresário Abilio Diniz não retornou.