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Os bilionários e seus planos para melhorar o mundo

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 Nada é mais revelador da ambição de mudar o mundo do que construir um foguete espacial. O teste espetacular da semana passada confirmou o Falcon Heavy como o mais poderoso veículo especial. Também deixou palpável a enorme ambição de Elon Musk, seu criador. Para assegurar a sobrevivência da humanidade no longo prazo, o empresário quer tanto colonizar Marte quanto fazer com que a Terra reduza a dependência dos combustíveis fósseis.

Musk não é o único empreendedor bilionário com grandes planos para melhorar o futuro da humanidade. Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, quer “curar, prevenir ou controlar” todas as doenças até o fim do século. Bill Gates, tendo feito sua fortuna na Microsoft, quer erradicar a poliomielite e a malária como parte de uma meta mais ampla de melhorar a saúde e aliviar a pobreza no planeta.

Todos fazem parte de uma lista de filantropos que planeja reformular a educação – o outro objetivo de Zuckerberg é que as crianças “aprendam cem vezes mais do que aprendemos hoje”.

À medida que o Falcon Heavy sobrevoava acima do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, uma dúvida era sobre o que os sonhos de Musk significam para os negócios. A outra era o que fazer com esse desejo de salvar a humanidade, em busca do qual Musk e seus colegas bilionários têm sido notavelmente inovadores.

Um século atrás, John D. Rockefeller, Andrew Carnegie e Henry Ford fizeram suas fortunas para só depois criarem fundações para esclarecer as massas e garantir a paz mundial muito depois de suas mortes. Gates e outros, tendo visto como as fundações podem eventualmente tornar-se convencionais, favorecem um modelo de “filantropia de pôr do sol”, com o objetivo de gastar suas riquezas antes de morrerem. Warren Buffett, agora com 87 anos, está doando a maior parte de sua fortuna à fundação de Gates, que deverá distribuí-la em seu nome. Esses magnatas também se orgulham de medir os impactos e os resultados, aplicando o mesmo controle rigoroso que exerceram nos negócios às suas atividades de caridade.

Na mais recente das reviravoltas, bilionários mais jovens, como Zuckerberg, que fez fortuna entre seus 20 e 30 anos, mudaram de um modelo de filantropia em série, no qual se ganha dinheiro primeiro para entregá-los a certas causas mais tarde, para um sistema paralelo, na qual as doações são feitas ainda no auge da carreira.

Musk foi mais longe. Em vez de usar a riqueza de seu negócio para apoiar a filantropia em uma área não relacionada, administra duas empresas gigantescas, a Tesla ( que vende carros elétricos) e a SpaceX (que constrói os foguetes Falcon), o que promove mais diretamente seus ambiciosos objetivos. As duas empresas vendem algo que as pessoas querem agora – carros e lançamento de satélites – como forma de apressar os sonhos de Musk.

Os grandes projetos dos megarricos provocam um misto de excitação e inquietação. Uma reclamação envolve a prestação de contas. Os filantropos milionários não respondem a eleitores. Seu poder de gastos lhes dá a capacidade de fazer muitas ações de bem. Mas e se eles preferirem agir mais como vilões de Bond, no estilo Blofeld, do que no estilo dos super-heróis do filme Homem de Ferro?

A riqueza também concede o acesso especial dos bilionários aos formuladores de políticas e aos políticos. Enterrar sua fortuna em uma fundação de caridade tem também o efeito positivo de reduzir as contas fiscais, o que significa que os esquemas dos bilionários podem deixar para os contribuintes mais pobres a tarefa de preencher as lacunas nos gastos públicos.

Dado que tantos dos bilionários de hoje são geeks, também existe o perigo da tecnosolução. A ideia de que os problemas de saúde, educação e outros possam ser resolvidos com a tecnologia do momento – a favorita de hoje é o blockchain – pode se revelar ingênua. Mudanças profundas geralmente exigem cooperação com governos e mobilização social. Reconhecer essas coisas é difícil para “techies”, acostumados a encarar os políticos como pessoas ignorantes e regulamentação como algo a ser modificado.

E, no entanto, essas reservas são certamente superadas pela liberdade de ação dos bilionários para fazer o bem. Os pretensos líderes globais estão aplicando abordagens inovadoras e baseadas em evidências em clínicas e em salas de aula, onde os políticos eleitos muitas vezes têm medo de se arriscar a um fracasso, tornando-se reféns de interesses privados ou ficando receosos em gastar dinheiro público em caminhos não testados. Apesar de toda a sua riqueza, os bilionários teriam de se esforçar para garantir que as inovações sejam aceitas pela sociedade.

Embora os filantropos de hoje sejam mais visíveis do que os de gerações anteriores, respondem por menos de um quarto de todas as doações de caridade nos EUA – que permaneceu praticamente constante, em torno de 2% do PIB, durante décadas, segundo David Callahan, da Inside Philanthropy, um site especializado no setor.

A função mais útil dos bilionários, portanto, não é serem os agentes da mudança, mas explorar e testar modelos que outros possam copiar. Usando seu acesso aos formuladores das políticas, eles incentivariam a adoção de ideias que funcionam. Mesmo uma coalizão de bilionários no estilo Avengers, como a de Gates e Buffett sob a bandeira Giving Pledge (de doações para causas sociais), não conseguirá resolver problemas realmente grandes, como doenças infecciosas, colonização de Marte e mudanças climáticas sem a cooperação de governos, indústria e eleitores.

Enquanto o carro Tesla enviado ao céu pelo Falcon Heavy inicia sua viagem ao redor do sol, parabenize os bilionários por sua ambição. Tenha algumas dúvidas, em alguns casos, pela sua arrogância e ingenuidade política. Mas aplauda o seu papel de pioneiros em políticas públicas e na abertura de um caminho para um mundo melhor.