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Falta de combustível prejudica navios no Porto de Santos

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Os problemas no abastecimento de navios no Porto de Santos continuam mesmo com a trégua na disputa judicial que envolve o serviço. Segundo os agentes marítimos que atuam no cais santista, cargueiros têm registrado atrasos na partida do complexo por conta da demora no fornecimento de bunker. Além disso, há casos em que o volume de combustível não é totalmente fornecido, o que obriga que as embarcações procurem outros portos para completar os carregamentos.

O combustível utilizado no abastecimento dos navios que atracam em Santos fica armazenado em tanques da Transpetro, localizados nas instalações da empresa na Cidade e em Cubatão. Para que um navio seja abastecido, seus consignatários (nesse caso, os armadores ou os próprios agentes de navegação) fazem uma solicitação à Transpetro. O pedido tem de ser apresentado com 7 a 10 dias de antecedência.

De acordo com o diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de SãoPaulo (Sindamar), José Roque, a Petrobras está reduzindo as quantidades de combustível disponível para o abastecimento em Santos. Em alguns casos, a empresa orienta os armadores para que busquem outro complexo portuário para o fornecimento de bunker.

“Esses problemas recorrentes de abastecimento têm provocado reações dos comandantes e armadores que se queixam do atendimento dispensado pela Petrobras, obrigando o navio, em determinadas situações, a manter a tripulação em stand by aguardando a chegada da barcaça, o que é incompreensível e difícil de aceitar”, destacou o executivo.

O diretor de Sindamar destaca um caso em que foi solicitado o abastecimento de 2,2 mil toneladas de combustível no último dia 21. Após a informação da Petrobras sobre a indisponibilidade desse volume, a operação foi transferida para o porto do Rio de Janeiro, no dia dia 24.

No mesmo dia, outra embarcação seguiu para a capital fluminense em busca de abastecimento. Neste caso, a operação só aconteceu quatro dias depois. Cargueiros em situações semelhantes também seguiram para o porto de Rio Grande (RS) em busca de bunker.

Segundo Roque, o problema já afeta até os navios de passageiros. Há casos de pedidos de aumento de 500 toneladas para mil toneladas de combustível, que foram imediatamente rejeitados pela Petrobras. Em outros casos, mesmo solicitando 1,2 mil toneladas, a empresa agendou o abastecimento de apenas 800 toneladas.

Como o problema é enfrentado há bastante tempo, em outubro, a Federação Nacional dos Agentes Marítimos (Fenamar) enviou ofício para a direção da Petrobras e demais órgãos da empresa, relatando o problema. “Acreditamos que ela tem total interesse em manter pujante e de forma crescente seus volumes de distribuição e venda de combustível bunker, mas, a impressão existente é de que não causaram sensibilidade os fatos relatados, que são críticos, para os nossos associados”.

Escalas

Segundo Roque, os navios tramps, que não fazem escalas subsequentes em outros portos nacionais, são os mais afetados pela medida. Isto acontece porque, se não houver outra opção além de atracar em outro local em busca de combustível, além do abastecimento, há perda de tempo de viagem, custos com praticagem rebocadores e instalações portuárias.

“Se o navio tramp permanecer inoperante no berço, enfrentará dois problemas. O primeiro é que o terminal não permite (sua permanência), devido a sua programação operacional. Por isso, o cargueiro deverá conseguir atracação em outro berço para receber o combustível gerando mais custos adicionais”, destacou o diretor do Sindamar.

Procurada, a SC Transportes, que iniciou o fornecimento de combustíveis no Porto de Santos na semana passada (, informou que cumpre as programações feitas pela Petrobras.

“Desde que começamos o serviço, entregamos 100% do que foi solicitado”, destacou o advogado da SC Transportes, Alexandre Salamoni. Segundo ele, a empresa oferece uma capacidade 30% maior para o fornecimento de bunker e que garantirá uma maior agilidade por conta da atuação de sua frota de barcaças.

Procurada, a Petrobras preferiu não comentar os apontamentos feitos pelo Sindamar.