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Ex-deputado federal pela Bahia teria intermediado aprovação de crédito para Intermarítima

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O ex-deputado federal pela Bahia, Leur Lomanto, foi citado como destinatário de propina na recomendação feita pelo Ministério Público Federal (MPF) ao presidente Michel Temer para afastar vice-presidentes da Caixa Econômica Federal.

De acordo com o relatório, Leur Lomanto teria intermediado um pedido de aprovação de crédito para a empresa baiana Intermarítima Portos e Logística.

O documento traz uma troca de e-mails datada de 30 de junho de 2014 entre Leandro Araújo, apontado como gerente de uma agência da Caixa Econômica de Salvador, e Giovanni Carvalho Alves, à época Superintendente Nacional de Média e Grande Empresa do banco, que trabalhou na gestão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, na época em que ele comandou a Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da instituição financeira. No e-mail, Leandro questiona: “E a Intermarítima? Vai passar? Seria bacana se conseguíssemos contratar hoje”. Em seguida, Giovanni responde: “Não dá”. De acordo com a documentação anexada ao relatório pelo MPF, a operação financeira para a Intermarítima seria de R$ 5 milhões.

Na recomendação, a equipe de investigação do órgão faz o seguinte comentário sobre as conversas entre Giovanni e Leandro: “Há suspeita de que este empréstimo esteja ligado a pagamento de propina ao deputado Leur Lomanto (PMDB-BA)”. Ao MPF, Giovanni Alves disse que Leur é um deputado com quem ele possui uma boa relação profissional. Ainda segundo o servidor, o ex-deputado era conhecido por todos os funcionários de Geddel na Caixa.

 O relatório aponta também que, em relação aos e-mails em que Lomanto pediu informações sobre operações financeiras, Giovanni disse que sua relação com políticos se dava de forma institucional. Ele considerou comum, dentro do banco, receber demandas políticas para acelerar a tramitação dessas operações.

Em julho de 2016, a Corregedoria da Caixa em Brasília apreendeu o notebook usado pelo servidor. Nele, foi encontrada uma planilha elaborada em 2012, na qual estavam elencadas empresas que pediram empréstimo à CEF, o valor deles e o status de cada negócio. O documento continha uma coluna intitulada “contratos externos”, na qual constava nomes de políticos ligados a PT, PMDB e PSC. Entre eles, aparece o nome de Leur. Além da troca de e-mails sobre a Intermarítima, o relatório traz também conversas entre o próprio ex-deputado e Giovanni, denotando que havia uma certa proximidade entre os dois. Em um e-mail, Leur envia ao servidor uma certidão positiva de débitos tributários da sociedade Posto de Combustíveis Transcopos Ltda. ME e uma ficha de CNPJ da sociedade Posto de Combustível Zona Sul Ltda. ME.

O documento segue com as anotações a caneta: “agilizar crédito caixa porto seguro” e “agilizar crédito caixa barra do choça”. Giovanni afirmou não lembrar do conteúdo da certidão e disse que, provavelmente, o ex-parlamentar baiano possuía um posto de gasolina, algo não confirmado. Contou também não lembrar se um dos estabelecimentos elencado no e-mail  pertencia mesmo a Leur e que o crédito para postos costumava ser pequeno. Em outra conversa, o ex-deputado se refere a Giovanni como “amigo” e tenta marcar encontros com ele. Em um dos e-mails, dá a entender que está falando sobre questões políticas. “O nosso amigo está bem. Acho que esta semana teremos definições políticas. Continua bem posicionado”.

Ao MPF, o servidor disse não recordar de quem os dois falaram nas mensagens, mas lembrou que o filho de Leur, o deputado estadual Leur Lomanto Júnior (PMDB), também é político. No entanto, não diz em nenhum momento que ele era objeto da conversa. No mesmo e-mail, Leur ainda anexou um pedido do “amigo Joaquim, de Recife”.

A solicitação é de uma operação de crédito de R$ 1.323.785,00 para uma construtora. Segundo o MPF, o pedido foi atendido, já que, em outra troca de mensagens, Giovanni responde: “A operação deve ser contratada até sexta-feira”. Giovanni foi exonerado do seu cargo pela CEF em outubro do ano passado, após uma auditoria feita pela instituição.