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Estaleiros buscam novos negócios para depender menos da Petrobras

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Os estaleiros nacionais começam 2018 com a perspectiva de que ainda será um ano difícil, mas ao mesmo tempo crucial para retomar a carteira de encomendas. Em crise há pelo menos dois anos, com empresas pedindo proteção à justiça contra credores desde 2016, os estaleiros ligados à indústria de petróleo e gás buscam saídas para retomar o crescimento. Miram outras atividades, para atuar como portos e terminais de combustíveis, por exemplo. E tentam desenvolver novos clientes para reduzir a dependência da Petrobras, o cliente único dessa indústria.

Apesar dos esforços de recuperação, o futuro dos estaleiros é incerto mesmo depois de terem investido cerca de R$ 20 bilhões desde 2007, em grande parte com recursos públicos, para construir e expandir unidades de produção de navios e de plataformas de norte a sul do país, segundo estimativas do Sinaval, a entidade que representa as companhias do setor. Boa parte dos investimentos foi financiada com dinheiro do Fundo da Marinha Mercante (FMM), fonte de longo prazo para o setor, e repassada via bancos federais, sobretudo BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

O Sinaval tem manifestado que, em última análise, existiria risco de os bancos públicos terem de assumir prejuízos dos estaleiros. Mas nos financiamentos, esses bancos costumam exigir garantias reais dos controladores dos estaleiros, muitos dos quais são empreiteiras envolvidas na Lava-Jato. Mas em alguns casos a lista de credores dos grandes estaleiros vai além dos bancos públicos, e envolve fornecedores de serviços e outros bancos, além de operadores de petróleo. A Engevix Construções Oceânicas (Ecovix), por exemplo, com instalações em Rio Grande (RS), protocolou recuperação judicial no fim de 2016 para tentar renegociar dívidas de R$ 8 bilhões, metade dela com a Tupi BV, da qual são sócias Petrobras Netherlands BV, Shell e Galp-Sinopec. A Ecovix acusa a Petrobras, na condição de sócia da Tupi BV, de descumprir um acordo de término de contratos de construção de cascos de plataformas acertado entre as partes, o que a estatal nega. A Ecovix tomou emprestado da ordem de R$ 600 milhões no FMM, via Caixa e Banco do Brasil, dívida essa que será contemplada no plano de recuperação judicial da companhia.