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Os obstáculos que impedem a infraestrutura de florescer no Brasil

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“Precisamos de Apples, Googles e Amazons brasileiras e isso não é algo nacionalista”, diz professor de Columbia em evento do Infra2038

 Os problemas da infraestrutura no Brasil não se resumem a como viabilizar o financiamento, de acordo com os participantes de um evento realizado na última semana em São Paulo.

O debate foi uma iniciativa do projeto Infra2038, que quer colocar o Brasil entre os 20 melhores países em infraestrutura do ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial até 2038.

O desafio é monumental: precisaríamos subir no mínimo 52 posições, mas investimos na área hoje metade do que seria preciso apenas para compensar pela depreciação.

“O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) demonstrou que o problema não era falta de recursos. É gestão”, diz Manoel Renato Machado Filho, diretor do departamento de infraestrutura social e urbana do Ministério do Planejamento.

Thomas Trebat, que lidera um centro da Universidade de Columbia no Rio de Janeiro, cita, por exemplo, questões de coordenação e governança.

Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, reúnem dezenas de municípios em sua mancha urbana. Como fazer com que elas conversem?

“Hoje o Brasil tem um apagão da caneta”, diz Leonardo Vianna, diretor de Novos Negócios da CCR. “Os agentes públicos, por vários motivos que eu não tiro a razão, não querem decidir, porque respondem como pessoa física”.

Katerina Labrousse, líder do National Infrastructure Acceleration do próprio Fórum Econômico Mundial, diz que não há solução mágica.

Ela cita o exemplo da Indonésia, onde uma agência única tem como objetivo explícito acelerar os processos e reporta diretamente ao presidente.

As comparações ajudam, mas até certo ponto. Como país continental, o Brasil sempre estará no radar mundial, mas também sempre terá que articular muitas partes interessadas para tirar as coisas do papel.

Além disso, há custos sociais e ambientais que são simplesmente ignorados em países como a China, muito citada como exemplo de rapidez na execução de projetos, mas que vão ganhar importância com o tempo.

Marcos Thadeu Abicalil, especialista em Água e Saneamento do Banco Mundial, destacou que as mudanças climáticas, por exemplo, se tornarão centrais para projetos ligados a risco hidrológico.

“Era muito diferente rasgar um viaduto na década de 20 do que hoje em dia”, resume João Manoel Pinho de Mello, Secretário de Reformas Microeconômicas no Ministério da Fazenda.

Ele diz que o governo vem agindo pela melhora no ambiente de negócios com medidas como mudanças na lei de insolvência e fortalecimento de garantias jurídicas.

A incerteza regulatória é apontada pelos especialistas como uma das nossas maiores fraquezas e fica evidente quando se olha para o que ocorreu em setores como petróleo e gás nos últimos anos.

Os investidores em infraestrutura estão olhando para retornos que só virão em 20 anos, então precisam prever como será o modelo daqui 20 anos – e nada tem sido mais complicado do que isso no Brasil atual.

Trebat vai além e lembra que o mundo será muito diferente em todos os sentidos no espaço de poucas décadas. Grande parte das ocupações do futuro ainda não surgiram e outras serão eliminadas, por exemplo, com a revolução da robótica e da inteligência artificial.

“O Brasil precisa repensar o que significa infraestrutura e sua economia do futuro”, diz ele. “Precisamos de Apples, Googles e Amazons brasileiras e isso não é algo nacionalista”.

Carlos da Costa, diretor da área de crédito do BNDES, antecipou que o banco irá anunciar novas medidas de estímulo ao mercado de capitais e que a nova orientação é investir em inovação, citando cidades inteligentes e a rede 5g como exemplos.

Ele acredita que o atraso do Brasil pode se tornar oportunidade, pois construir uma nova infraestrutura com padrão de ponta pode ser mais fácil e barato do que atualizar uma infraestrutura antiga.