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Petrobras perde R$ 15 bilhões em valor de mercado

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Lucro abaixo do esperado e a queda do preço do petróleo no exterior fizeram a Petrobras perder R$ 15 bilhões em valor de mercado em apenas um pregão. A companhia encerrou na última terça-feira com um valor de R$ 208,2 bilhões, em consequência da queda de 7,75% nas ações preferenciais (PN, sem direito a voto, a R$ 15,35) e de 8,18% nas ordinárias (ON, com voto, a R$ 16,05%), as maiores entre os papéis que fazem parte do Ibovespa. O tombo foi motivado pelo balanço da empresa, divulgado na véspera, com lucro de R$ 266 milhões — bem abaixo dos R$ 2,7 bilhões projetados por analistas.

Ainda assim, a Petrobras mantém um valor de mercado próximo ao que tinha quando do início da Operação Lava-Jato, em 2014. Na época em que começou a ser desvendado o esquema de corrupção de políticos e diretores da estatal, a empresa era avaliada em R$ 214 bilhões. Em setembro do ano seguinte, a soma de suas ações equivalia a R$ 93,1 bilhões, recuando a R$ 67,6 bilhões em fevereiro de 2016, segundo a consultoria Economática.

Esse fator contribui para o otimismo do presidente da estatal, Pedro Parente. Em entrevista ele disse esperar assinar, nos próximos oito meses, acordos para a venda de ativos no total de US$ 21 bilhões. Parente quer acelerar esses acordos para não ser afetado pelas eleições presidenciais, em outubro de 2018.

"Um ano eleitoral é mais difícil para uma empresa estatal", afirmou. "Acredito que o melhor seria fechar antes do fim do primeiro semestre. Estou falando de assinar, não de fechar a venda."

Parente acredita haver uma demanda significativa pela abertura de capital da BR Distribuidora.

"Adoraríamos fazer isso este ano", disse o presidente da Petrobras, ressaltando que a empresa tem um portfólio de US$ 40 bilhões em ativos que podem ser vendidos.

Segundo Parente, a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da BR poderia ultrapassar o valor obtido pela subsidiária brasileira do Carrefour. Ocorrido em julho, o IPO levantou R$ 5,125 bilhões. Outros ativos importantes que a Petrobras pode vender são suas operações na África e sua participação na petroquímica Braskem.

Parente disse ainda que o governo trabalha com sete cenários para o acordo da cessão onerosa, cinco dos quais favoráveis à Petrobras. O pior cenário, segundo ele, começa um pouco abaixo de zero, e o melhor renderia à estatal cerca de US$ 30 bilhões.

"Eles (a União) precisam de mais dinheiro que nós e têm mais pressa", disse Parente. "Não assinarei um contrato no qual tenha de pagar algo."

Com relação ao balanço, que decepcionou investidores apesar de ter revertido um prejuízo de R$ 16,5 bilhões, registrado um ano antes, o analista Pedro Galdi, da corretora Magliano, avalia que eventos não recorrentes, como contingências judiciais e adesão a programas de regularização tributária, que totalizaram cerca de R$ 3,5 bilhões, tiveram um impacto negativo.

Além da frustração com o resultado, as ações da Petrobras ainda sofreram uma pressão externa. O preço do petróleo sofreu uma forte queda em razão da estimativa de uma menor demanda pela commodity. A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) informou ontem que reduziu sua projeção para a demanda em 2018 em 200 mil barris, para 98,9 milhões de barris diários. O organismo disse acreditar que não há fôlego para manter os preços acima de US$ 60 o barril. Com isso, a cotação do Brent, referência internacional, perdeu ontem 1,5%, a US$ 62,21.

"Isso muda o humor dos investidores, porque há uma forte correlação entre o preço no exterior e a tarifa de preços no Brasil", afirmou Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial.

Apesar do desempenho negativo, analistas acreditam que é positiva a perspectiva para as ações da estatal. Celson Plácido, da XP Investimentos, destacou a redução na alavancagem financeira e o crescimento da receita. “Seguimos otimistas com a Petrobras, principalmente na gestão da companhia, focada na redução do endividamento, venda de ativos e na melhora do retorno da empresa”, escreveu o analista.

Com a derrocada das ações da Petrobras, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, fechou em queda de 2,27%, aos 70.826 pontos. Já o dólar comercial subiu 0,42%, a R$ 3,312, maior cotação desde junho.

"O dólar começou a ganhar força em relação às moedas de emergentes, já que as commodities perderam valor hoje. Além disso, amanhã (hoje) é feriado no Brasil, e os investidores se anteciparam. O cenário político vai continuar fazendo pressão sobre os negócios, porque está todo mundo cético com a reforma da Previdência", afirmou Bernard Gonin, analista da Rio Gestão de Investimentos.

Outro fator que contribuiu para o mau desempenho do Ibovespa foi o comportamento das Bolsas americanas. Em Nova York, o Dow Jones teve queda de 0,13%, enquanto o S&P 500, mais amplo teve desvalorização de 0,23%. A Nasdaq perdeu 0,29%.

"Tem um movimento grande de saída de capital estrangeiro nas últimas semanas, e isso impede uma alta do Ibovespa. E tem também a dinâmica do mercado americano, que hoje não é favorável", explicou Figueredo, da Eleven.

Outras ações que têm peso relevante na composição do Ibovespa também fecharam em queda. Os papéis PN de Itaú Unibanco e Bradesco recuaram, respectivamente, 1,91% e 2,12%. No caso da Vale, as ações PN tiveram queda de 2,88%, e as ON perderam 2,95%.

Até a JBS, que subiu com força durante boa parte do pregão após divulgar lucro de R$ 323 milhões no terceiro trimestre, sucumbiu ao fim dos negócios. Os papéis caíram 2,62%, a R$ 7,79.