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Mercado de barcos no Brasil inicia retomada

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Fabricantes e vendedores de barcos de lazer no Brasil dizem que o setor deve ter em 2017 o primeiro ano de crescimento desde 2013. Para os estaleiros, a São Paulo Boat Show 2017, feira anual que acontece de 21 a 26 deste mês na capital paulista, deve confirmar esse cenário.

“Há mais conversas e um maior número de propostas sendo requisitadas pelos clientes”, disse a presidente da Intermarine, Roberta Ramalho, também acionista do estaleiro paulista, que produz dez diferentes modelos e vendeu 6 mil embarcações desde a fundação, em 1973.

Segundo ela, a demanda vem sendo retomada por barcos maiores, cujo comprador, de maior poder aquisitivo, sofreu menos com a crise. Mas a empresária afirmou que a demanda reprimida, desde 2015, também abriu espaço para a retomada de encomendas de embarcações de médio porte em 2017.

Resultado de imagem para fabrica IntermarineA meta da Intermarine para este ano é ampliar o faturamento em 20% ante 2016. Ano passado, a empresa – que não revela dados de balanço – entregou 26 unidades e quer chegar perto de 30 este ano. “O Boat Show é um termômetro de mercado”, diz Roberta que, para o evento em São Paulo, vai estrear um novo modelo, de 62 pés (19 metros de comprimento).

O presidente da São Paulo Boat Show, Ernani Paciornik, diz que o evento este ano está 10% maior em área, com 34 mil metros quadrados no São Paulo Expo, e terá 150 barcos em exposição, com preços de R$ 30 mil a R$ 16,5 milhões.

Parte dessa expansão foi obtida com a fusão de duas feiras, já que a Feipesca ocorrerá de forma simultânea à SP Boat Show. Paciornik pondera que o setor ainda está longe dos picos de demanda registrados até 2013, quando as vendas dos estaleiros somaram R$ 850 milhões. Em 2016, os negócios ficaram em R$ 250 milhões. “Devemos voltar a crescer, mas ainda temos um caminho a percorrer”, disse o executivo, que projeta registrar negócios da ordem de R$ 100 milhões durante a SP Boat Show.

Segundo a Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e Seus Implementos (Acobar), o Brasil tem cerca de 830 mil barcos em operação. O presidente da entidade, Eduardo Colunna, aponta que o setor encolheu nos últimos anos. “As empresas tiveram que buscar ganhos de eficiência, o que é positivo neste momento de retomada”, afirmou o executivo, também dono da fabricante Colunna Yachts, que produz barcos de 19 a 43 pés, no litoral paulista.

Entre os movimento de consolidação no setor, o estaleiro paranaense Way Brasil, por exemplo, juntou operações com o empresário Fernando Assinato, para produzir as lanchas da marca Fishing Raptorhoje. Já a italiana Ferretti deixou de produzir unidades no Brasil, passando agora a apenas importar da Europa.

Nesse processo de ajustes, o setor dos fabricantes de barcos de lazer no Brasil cortou cerca de 15 mil vagas ao longo dos últimos quatro anos, empregando hoje cerca de 15 mil pessoas.

Os estaleiros apontaram que, nesse processo, as margens de lucro foram comprimidas, resultado de pressões por descontos dos clientes. “Mas ganhamos eficiência nesse período para preservar a rentabilidade”, disse Marcio Schaefer, presidente da catarinense Schaefer Yachts. Segundo ele, a etapa de montagem um barco grande, que durava até três meses, foi reduzida para 45 dias.

A Schaefer Yachts, que reduziu o pessoal de 850 para 500 empregados nos últimos três anos, também vê sinais de retomada da demanda. “Nossas vendas no mês anterior à edição da São Paulo Boat Show deste ano é a melhor nos últimos quatro anos”, afirmou Schaefer, fundador e presidente da fabricante de 25 anos que desenvolve e produz modelos de 30 a 83 pés.

Segundo ele, a empresa cortou planos de expansão de infraestrutura para preservar investimentos em novos modelos ao longo dos últimos anos. “O que seria nossa terceira planta de produção virou um centro de desenvolvimento. Agora, com a retomada da demanda, temos maior competitividade”, disse o empresário que está levando oito barcos para a SP Boat Show. “Temos três lançamentos que foram desenvolvidos nos últimos dois anos”, afirmou.

A Sedna Yatch, que atua no mercado há 25 anos e produziu cerca de 550 embarcações, está ampliando a carteira de produtos. Especializada em barcos de pesca esportiva, a empresa está entrando no segmento de lazer. “Essa feira será importante para nossa entrada nesse setor”, disse André Jannini, gerente de negócios da companhia. Paras ele, esse segmento poderá vir a representar na casa de 20% da companhia. A Sedna Yatch estará no SP Boat Show com seis modelos, sendo dois novos, com preços de R$ 600 mil a R$ 2 milhões. “Esperamos fechar pelo menos oito vendas.”


Por João José Oliveira