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Indústria do aço se une por investimentos em prol da competitividade

Durante o Congresso Aço Brasil realizado na semana passada em Brasília, especialistas do Brasil e de outros países debateram a importância da indústria do aço.

O principal tema debatido foi o Reintegra – mecanismo de ressarcimento dos resíduos tributários da exportação, importante não só para o segmento do aço como para toda a indústria de transformação.

De acordo com o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes afirmou que é preciso um estudo para apresentar o impacto das mudanças no Reintegra para o setor.

Segundo ele, a elevação da alíquota de 2% para 5% ocasionaria na geração de mais empregos e um ganho total para a economia de mais de 170 milhões de reais.

Resultado de imagem para Marco Polo de Mello Lopes aço"Nosso setor não é pessimista. Apenas estamos trazendo o que é prioritário. A indústria investiu e se modernizou e, por isso, precisamos ser priorizados pelo governo", afirma.

Lopes afirma ainda que a indústria do aço, apesar de estar atualizada, vive atualmente a maior crise da história.

"Os números retrocederam aos anos de 2005 e 2006. Perdemos uma década e nossas vendas só devem retomar ao patamar de 2013 em 15 anos", destaca.

Para Frederico Ayres Lima, conselheiro do Aço Brasil e diretor-presidente da Aperam South América, o Brasil tem uma base produtiva de aço para se orgulhar.

Ele destacou ainda dados do setor de aços especiais e apresentou exemplos de utilização no dia a dia no mercado interno e externo.

Segundo Sergio Leite de Andrade, diretor-presidente da Usiminas e vice-presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil, a indústria siderúrgica investiu, nos últimos 10 anos, 30 bilhões de dólares no setor de aços planos.

“Enquanto o mercado interno se recupera, o foco é a exportação", afirma Andrade.

André Gerdau é da mesma opinião e afirmou que a única saída a curto prazo é a exportação.

"Nos últimos 10 anos perdemos um terço do nosso consumo. O mercado caiu 36% e passamos a compensar na exportação", explicou.

Sobre os principais drivers de consumo da cadeia, Alexandre de Campos Lyra, presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil, cita as mudanças no conteúdo local.

Segundo ele, várias cadeias acreditaram e investiram nesta política e agora, para as próximas rodadas, o governo decide reduzir o índice pela metade e não distinguir bens de serviços.

"Se o conteúdo local continuar a ser demonizado, o Brasil corre o risco de depender de capital chinês, e nós, da indústria, vamos assistir à entrada de produtos importados sem poder competir", explica.

Já José Carlos Rodrigues Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, destaca o atual cenário do setor imobiliário, que tem, na construção civil, o consumo de 40% da produção de aço nacional.

"Estamos em um momento difícil, mas é possível enxergar grandes oportunidades. As empresas nacionais correm riscos com a insegurança jurídica e econômica vivenciada hoje. Por isso as parcerias entre os setores público e privado são de extrema importância".

Segundo José Velloso Dias Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a indústria de máquinas já perdeu 51% do seu consumo aparente por falta de renovação e investimentos.

"Ao invés de pensarmos em sair da crise, estamos tentando nos defender. Antes, nosso segmento não tinha mais de um ano de crise. Agora já estamos no quarto ano consecutivo", afirma.

Marcos Eduardo Faraco, diretor-executivo do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), afirma que 40% das construções nos Estados Unidos são metálicas e, no Brasil, menos de 10%, o que mostra que este é um importante nicho a ser seguido.

"Nosso país está preparado, já exporta estruturas metálicas para a América do Sul e nossa indústria e engenharia são qualificadas para isso. Uma construção metálica leva 40% menos tempo para ficar pronta do que a estrutura clássica", diz.