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Destruição do Harvey é desafio para setor de xisto

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O furacão Harvey, a mais forte tempestade tropical a atingir o Texas em meio século, paralisou boa parte da produção de xisto do Estado, reduzindo a oferta de petróleo dos EUA em até 15%. Agora, nesse que é o primeiro grande teste à produção americana de xisto, a grande questão é a rapidez com que o setor vai se recuperar.

Antes de a Harvey atingir o continente, na sexta-feira, muitos grandes produtores de xisto dos campos de Eagle Ford, perto de Corpus Christi (Texas), fecharam seus poços de petróleo e gás e as estimativas iniciais de perda de produção estavam entre 400 mil e 500 mil barris/dia.

Agora que a devastação causada pelo furacão ficou mais clara, analistas afirmam que é quase certo que uma boa parte, senão a maior, da produção diária de 1,4 milhão de barris foi interrompida.

Os produtores de xisto também dependem de uma vasta e multibilionária infraestrutura de energia – de portos a ferrovias e oleodutos – que foi desenvolvida nos últimos anos ao longo da costa do Texas. Muitas partes dessa rede parecem ter sido inundadas.

O preço do petróleo WTI caiu 2,7% na segunda-feira e mais 0,3% ontem, para US$ 46,44 o barril, em grande parte porque muitas refinarias estão fechadas em razão da tempestade e não precisam comprar petróleo.

A questão da infraestrutura poderá tornar mais lenta a recuperação do xisto. No passado, furacões já prejudicaram o setor de energia do Texas ao desativar plataformas marítimas no Golfo do México; mas em muitos casos, uma vez passadas as tempestades, essas instalações podiam voltar a operar rapidamente.

“O efeito sobre o xisto poderá demorar dado o nível catastrófico das inundações, que interferem na logística”, disse Benny Wong, analista do Morgan Stanley.

O boom do faturamento hidráulico (fracking, em inglês) no Texas fortaleceu o papel do Estado na economia dos EUA, o que significa que se os campos de petróleo e a infraestrutura circundante ficarem desativados por muito tempo, isso poderá ter impacto econômico muito grande para o Estado e eliminar US$ 20 bilhões ou mais do PIB dos EUA, segundo Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM.

O campo de xisto de Eagle Ford no sul do Texas produz 1,4 milhão de barris/dia, uma produção que no Estado só perde para a da Bacia Permiana do Oeste do Texas. Não houve uma tempestade dessa magnitude desde o boom na exploração de xisto há uma década.

Danos provocados pelo vento e a água, além da interrupção do fornecimento de energia elétrica, afetaram uma área de milhares de quilômetros quadrados com chuvas torrenciais e devastaram uma grande faixa do litoral, interrompendo o fluxo de até US$ 800 milhões por dia em receita do setor de energia, afirmam analistas.

Corpus Christi e Houston são os dois maiores pontos de exportação do petróleo americano.

Com a devastação causada pelo furacão ficando clara e as empresas confirmando que suas operações foram paralisadas, agora está claro que uma boa parte – senão a maior – da produção de petróleo da região foi interrompida.

A ConocoPhillips, uma das maiores produtoras da área, fechou seus poços antes da passagem do furacão. Normalmente a companhia produz 130 mil barris/dia em Eagle Ford. Outros grandes produtores da região, como a EOG Resources e Chesapeake Energy, reduziram a produção ou suspenderam completamente suas operações, segundo analistas.

E EOG não quantificou a paralisação de sua produção, mas a companhia disse que está trabalhando para retomar as operações “onde for seguro fazer isso”.

A Cheasepeake disse que “embora seja prematuro especular sobre o impacto definitivo sobre nossa produção, antecipamos que os volumes serão contidos até que as refinarias da Costa do Golfo e de Houston voltem a operar”.

A reinicialização dos poços não é uma garantia de que eles produzirão no mesmo ritmo anterior, disse Tony Sanchez, presidente da Sanchez Energy, que opera em Eagle Ford, antes da tempestade. A preocupação, segundo ele, é que os poços de xisto, uma vez fechados, possam perder pressão. “Não se trata apenas de desligar um interruptor. Há um risco significativo de esses poços não retornarem aos níveis anteriores.”

O mercado pode estar subestimando o impacto da tempestade Harvey porque uma inundação dessa magnitude nunca atingiu a indústria do xisto antes, diz Giovanni Staunovo, analista de commodities da UBS Wealth Management. “Não há uma comparação histórica.