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Petroleiras apostam no mercado brasileiro de GNL

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Em negociações com a Prumo Logística e a Siemens, para investimentos conjuntos no desenvolvimento de termelétrica do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), a britânica BP é a mais nova, porém não única, petroleira interessada em reforçar sua presença no mercado brasileiro de gás natural liquefeito (GNL). Num momento em que a Petrobras começa a reduzir sua participação no setor, as grandes produtoras mundiais de gás natural estão de olho em oportunidades de negócios no país.

A lista inclui empresas como a própria BP, a francesa Total e as norte-americanas ExxonMobil e Delfin LNG. Entre as companhias que miram o mercado brasileiro, há interessadas em entrar no país exclusivamente como fornecedoras de GNL, mas também empresas interessadas em se tornar sócias estratégicas de projetos integrados de geração de energia.

Este é o caso da BP. Segundo o presidente da Prumo, José Magela Bernardes, a companhia de logística está em negociações para que a petroleira britânica entre como sócia da Gás Natural Açu (GNA), responsável pela construção de uma termelétrica de 1.300 megawatts, no complexo portuário. A ideia é que a BP detenha cerca de um terço do capital da sociedade e entre também com o fornecimento de GNL para a usina.

Marintec 

Embora num modelo de negócio diferente, a Total é outra multinacional do setor que aposta na importação de GNL para geração de energia. No final do ano passado, a francesa fechou uma parceria com a Petrobras para compartilhar o uso do terminal da Bahia, de 14 milhões de metros cúbicos diários, e, na mesma ocasião, comprou 50% das usinas baianas Rômulo de Almeida (138 MW) e Celso Furtado (186 MW).

"O Brasil precisa de gás e a Petrobras está abertamente saindo do mercado. As distribuidoras querem expandir volume [contratado] com a Petrobras e têm que buscar fontes alternativas, porque a Petrobras não tem expandido mais [o volume de suprimento]. Existem muitas termelétricas que não conseguem ir a leilão porque a Petrobras não fornece mais contratos de longo prazo. Hoje tem um vácuo nesse mercado de gás natural", disse o diretor-presidente da Luxburg Energy Group, um dos acionistas da Delfin LNG, Fabrício Mitre, em entrevista ao Valor recentemente.

A Delfin LNG, joint venture recém-formada pela americana Delfin e pela norueguesa Golar, pretende investir entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões no primeiro projeto de liquefação de gás natural offshore dos Estados Unidos, que exportará o "shale gas" dos EUA, e busca potenciais clientes no Brasil. Este é o caso também da ExxonMobil, que fechou no ano passado um acordo para fornecer GNL à termelétrica Porto de Sergipe (1,.5 mil megawatts), sob responsabilidade da Golar LNG e a GenPower.

Embora o Brasil não esteja entre os importadores mais relevantes do mercado global, o interesse das produtoras pelo mercado brasileiro tem aumentado, em meio à sobreoferta de GNL no mundo. Segundo relatório publicado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) Energia, o Brasil se inseriu no contexto geopolítico de oferta e demanda de GNL no mundo, "surfando a onda" dos excedentes de produção mundial do gás.