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Pernambuco se transformou em polo de obras inacabadas

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Durante anos, Pernambuco se gabou de ser o maior polo de atração de investimentos do Brasil. No Estado, marcado pela cultura secular da canade-açúcar, brotaram uma refinaria de petróleo, um polo naval, um complexo petroquímico e uma planta de hemoderivados. Também passariam por lá
os trilhos de uma ferrovia, integrando parte do Nordeste; e os canais da transposição, prometendo acabar com a sede no Semiárido.

Hoje, o Estado reforça o status do Brasil como o país das obras paradas. Corrupção, problemas de gestão, erros nos projetos e falta de recursos integram o rol de motivos que provocaram estouro nos orçamentos e cronogramas esticados em mais de uma década. As obras foram tocadas na fase de luade-mel do governo Lula (PT) com o PSB estadual. Às vésperas de eleições gerais no próximo ano, o novo presidente terá que encontrar alternativas para que os empreendimentos não se transformem em esqueletos do futuro.

A Refinaria Abreu e Lima (Rnest) é o caso mais crítico de explosão do orçamento e perspectiva de conclusão. O investimento inicial de US$ 2,5 bilhões foi multiplicado quase dez vezes (US$ 20 bilhões), e a Petrobras estima para 2023 a entrega da unidade em pleno funcionamento. Se o cronograma se confirmar serão 16 anos entre o início da construção e a operação. No centro das investigações da Lava Jato, a obra é apontada como a mais caro do mundo no setor (para esses padrões) e está funcionando pela metade. Em Pernambuco, o então diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa (delator na Lava Jato) chegou a dizer em visitas a Rnest que a obra não seria executada a qualquer custo, ameaçando fazer licitação internacional para frear pedidos de aditivo das empreiteiras. Mais tarde, a Polícia Federal descobriria o esquema de propinas.

Crise

Sem dinheiro em caixa para concluir a Rnest, a petrolífera só vai retomar a construção com um parceiro. “Para conseguir esse investidor, a Petrobras.

terá que ser transparente na política de preços dos combustíveis, evitando ingerência política como aconteceu no governo Dilma, que congelou os valores”, analisa o professor da PUC-Rio, Alfredo Renault. O mercado não descarta a possibilidade de a Rnest ser vendida, a exemplo do que aconteceu com a Petroquímica Suape (outro exemplo de prejuízo aos cofres públicos). A construção do  omplexo custou R$ 9 bilhões e está sendo vendido à mexicana Alpek por R$ 1,2 bilhão. “O problema não foi o valor da venda, que estava dentro da expectativa de mercado, mas o custo da obra”, diz o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e vicegovernador, Raul Henry,  lembrando que o TCU apontou superfaturamento no projeto. Na PQS, os erros não se limitaram ao orçamento. Uma birra política deixou a Petrobras sozinha no empreendimento. A estatal desistiu da parceria com a italiana M&G, procurou outro sócio, mas não conseguiu.

A retomada da indústria naval foi outro projeto que desandou. O expresidente Lula queria ver tremular a bandeira brasileira nas embarcações da marinha mercante, em vez de importar. Na época, a ministra Dilma Rousseff recebeu o “apelido” de madrinha do setor. O plano era descentralizar a produção, construindo estaleiros pelo Brasil. Pernambuco recebeu o Atlântico Sul e o Vard Promar, mas as encomendas estavam todas ancoradas na Petrobras (por meio da Transpetro), e a corrupção
também chegou ao setor.

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado foi acusado de receber propina, e a empresa Sete Brasil (criada para comprar navios-sonda para o pré-sal) se transformou numa espécie de filial do petrolão. Em crise, a Petrobras cancelou um pacote de sete navios com o EAS, que só tem projetos até 2019. O estaleiro tenta conseguir novos clientes para manter viva a indústria naval, que naufragou no resto do País. “Os governos precisam manter os investimentos ativos, mesmo que o retorno demore mais a vir. Porque quando a crise passar as condições serão mais favoráveis para voltar a crescer”, alerta o economista da Fiepe, Thobias Silva.


Por Adriana Guarda