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Petrobras pede certificação para aderir a programa de governança, diz Parente

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Petrobras protocolou na Bolsa de Valores de São Paulo (B3, antiga Bovespa) um pedido de certificação para aderir ao Programa Destaque em Governança das Estatais. O anúncio foi feito pelo presidente da empresa, Pedro Parente, em evento com investidores na manhã desta última segunda-feira (5), e comunicado ao mercado por meio da CVM (comissão de Valores Mobiliários).

O objetivo, segundo Parente, é fortalecer a governança da empresa e protegê-la de práticas que possam colocar em dúvida sua integridade. O programa para estatais foi criado no ano passado pela bolsa para melhorar a imagem das empresas e prevê regras mais rígidas de divulgação de informações e na escolha de gestores. A adesão é voluntária.

Para obter a certificação, a empresa deve atender às medidas de governança exigidas pelo programa. Entre eles, há diretrizes sobre a composição do Conselho de Administração, Diretoria e do Conselho Fiscal, como a diversidade de experiências e qualificações e o mínimo de 30% de membros independentes no Conselho de Administração.

A empresa também deve adotar mecanismos internos para evitar atuações de administradores em benefício de políticas públicas além do interesse público previsto em sua criação e objeto social. O programa também exige o aprimoramento de informações divulgadas e compromisso do Controlador Público (no caso, o governo federal) com as práticas de governança.

Em coletiva de imprensa após a apresentação nesta segunda, Parente disse a jornalistas que a empresa está trabalhando há vários meses para solicitar a certificação no programa de governança da B3, e que espera bons resultados da medida - que ainda depende de aprovação. “Toda vez que ocorre uma melhoria de governança atestada por um selo, nós esperamos benefícios não apenas de imagem, mas também benefícios de custos em captações.”
1ª estatal a fazer pedido

O pedido de certificação foi protocolado na sexta-feira (2). Segundo Parente, a Petrobras é a primeira estatal a fazer o pedido. “A Petrobras completou todos os passos, foi um processo, mudamos de estatuto, tivemos discussões com o nosso acionista controlador”, disse. “Tem uma análise por parte da B3. Mas o trabalho está bem feito, achamos que seremos aceitos como integrantes desse programa de governança”.

Parente destacou as medidas que a Petrobras vem adotando para melhorar sua governança, em meio ao escândalo de corrupção envolvendo a empresa e investigado pela Operação Lava Jato.

“2014 e 2015 foram anos muito difíceis. Tivemos uma série de questões que levaram a empresa a fazer uma parada de arrumação de sua governança. Criou os mecanismos necessários para que o controle de sistemas se alinhem com as melhores práticas de mercado, e formas independentes de investigação para lidar com corrupção.” Parente disse ainda que a empresa continua com “esse processo de novas medidas de governança”, citando comitês estatutários e o lançamento do plano estratégico.

“O que nós procuramos fazer é demonstrar que o funcionamento dessa governança é o melhor para o interesse da empresa, e criar uma pressão para que as coisas que aconteceram no passado não aconteçam no futuro”, acrescentou Parente.

João Elek, diretor de governança e conformidade, disse também que a empresa espera, com a entrada no novo modelo de governança, trazer segurança aos investidores, além de aumentar sua atratividade.
Elek falou ainda sobre o “longo período” de preparação para fazer a solicitação à B3. Segundo o diretor, a Petrobras implementou, entre as etapas de preparação para fazer o pedido, mudanças no estatuto e a criação de um comitê para a indicação de administradores e conselheiros, além de alterações no código de conduta e melhora na transparência da empresa.

Listagem no Nível 2

A Petrobras também pretende aderir ao segmento especial de listagem Nível 2 da B3, com o intuito de implementar medidas de governança corporativa que vão além das exigidas pela Lei das S.A e Lei 13.303/16, que instituiu o estatuto jurídico das empresas estatais.

O Nível 2 é um segmento da Bovespa com regras mais rígidas de governança corporativa. As empresas listadas têm o direito de manter ações preferenciais (PN) e, no caso de venda de controle, quem tem ações ordinárias e preferenciais recebe o mesmo tratamento que o acionista controlador no preço pago pelas ações ordinárias.

Segundo a estatal, a adesão dependerá da aprovação de todos os órgãos externos necessários, além da celebração, com a B3, do Contrato de Participação no Nível 2 de Governança Corporativa.

Segundo João Elek, diretor de governança e conformidade, disse a jornalistas nesta segunda que a Petrobras está no início da preparação para se enquadrar nos requisitos necessários para ter a listagem no nível 2.

Garantias

Após terminar sua apresentação a investidores, Parente foi questionado por um representante do banco UBS sobre as garantias de que as medidas que vêm sendo adotadas pela Petrobras continuarão sendo implementadas em uma eventual troca de comando da empresa.

O presidente da estatal respondeu que, entre as diversas medidas da Petrobras para melhorar sua governança, a “garantia final é uma visão muito clara da sociedade de que a melhor maneira de gerir a empresa é de uma maneira profissional”. Parente disse ainda que a empresa busca sempre “consolidar” suas medidas no estatuto.

Aumento de produção

Parente também falou sobre os planos de aumento de produção da companhia. Até 2021, a empresa pretende aumentar a produção de óleo e gás de 2,26 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) para 3,41 milhões de barris. Segundo Parente, essa meta está mantida mesmo em meio aos anúncios de desinvestimentos da empresa.
Após citar as ações da empresa para reduzir seu nível de endividamento, Parente disse que a empresa está buscando otimizar seus investimentos e aumentar sua produtividade. O executivo citou ações como renegociações contratuais, revisão do cronograma de poços e maior produção no Parque das Baleias.

Política de preços e custos

Parente foi questionado em entrevista coletiva sobre os detalhes das medidas para reduzir o endividamento, e citou entre elas a política de preços adotada pela companhia desde outubro. “É uma curva de aprendizado. Temos respeitado o que diz a política, ou seja, nunca praticar preços abaixo da paridade internacional”.

A Petrobras pratica desde outubro uma nova política de definição de preços dos combustíveis, com reuniões mensais para definir os valores da gasolina e do diesel nas refinarias. No útimo anúncio, a estatal reduziu os preços, e a queda se refletiu nas bombas.

Parente citou ainda a diminuição de custos com determinadas operações. “O tempo que levamos para perfurar um poço e colocá-lo em condições para produzir caiu de 360 para 90 dias. Só aí temos uma economia muito grande”, disse o presidente da empresa, citando a redução de custos com equipamentos de perfuração que são cobrados por dia.

Outra redução citada foi o gasto com pessoal. “A redução na área de recursos humanos da empresa foi bastante substancial”. Parente citou ainda a previsão de US$ 21 bilhões em desinvestimentos até 2018.

“Até o final do ano estamos prevendo 30 oportunidades de parcerias e desinvestimento”, disse, acrescentando que não pode garantir se a refinaria de Pasadena está entre elas. Na semana passada, Parente disse que já recebeu propostas para a aquisição da refinaria.

No primeiro trimestre deste ano, a Petrobras lucrou R$ 4,45 bilhões, revertendo prejuízo de R$ 1,25 bilhão registrado nos 3 primeiros meses do ano passado.