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Fornecedor vê no pós-sal saída para crise

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Base logística da Bacia de Campos, a cidade de Macaé, chamada de “Capital Nacional do Petróleo”, no Norte Fluminense, ainda amarga os efeitos da queda das atividades do setor de óleo e gás. Acostumada nos últimos anos a conviver com demissões e cortes nas margens, a cadeia local de fornecedores ainda vê com um otimismo cauteloso os leilões deste ano, mas deposita as esperanças de uma recuperação breve, a depender do avanço do programa de parcerias e desinvestimentos da Petrobras.

Na visão dos fornecedores, embora as rodadas de 2017 marquem o retorno das áreas ultraprofundas da Bacia de Campos aos leilões da Agência Nacional de Petróleo (ANP), elas só devem se traduzir em demanda por serviços ao final da década. Por outro lado, a entrada de novos operadores, ou sócios, nos campos maduros da Petrobras poderia dinamizar rapidamente a indústria local.

O presidente da Schlumberger no Brasil, Alejandro Duran, lembra que, enquanto a estatal tem se concentrado no pré-sal, a produção no pós-sal está declinando e que existem petroleiras – muitas delas focadas em recuperar campos maduros – que poderiam aumentar os investimentos para revitalizar a Bacia de Campos.

“O pré-sal, sozinho, não vai resolver o problema da capacidade ociosa da indústria. A retomada passa necessariamente pela revitalização da Bacia de Campos. Há, num horizonte de curto prazo, campos existentes que, com um pouco de investimento, começariam a criar oportunidades e a recriar empregos”, afirmou o executivo, na semana passada, ao participar da feira Brasil Offshore, em Macaé, que gerou R$ 142 milhões em expectativa de negócios entre as empresas visitantes.

A Petrobras já sinalizou que buscaria parceiros para investir no pós-sal, mas nenhuma parceria avançou até o momento, à exceção de um memorando de entendimentos com a Statoil. O único projeto de revitalização do atual plano de negócios é o de Marlim, que prevê duas novas plataformas até 2021. Questionada se tem outros planos de revitalização em carteira, a partir de parcerias, a Petrobras informou que “avalia continuamente os seus campos maduros” e que aqueles cujos resultados econômicos justificarem a prorrogação da concessão são “candidatos a projeto de revitalização de acordo com um plano que melhor se ajuste à sua estratégia de negócio”.

Embora a indústria local opere neste momento com capacidade ociosa, devido à retração nos investimentos em exploração, alguns fornecedores internacionais têm monitorado o mercado, de olho nas novas rodadas. Segundo Leonardo Dias, diretor do Parque Industrial Bellavista, uma espécie de condomínio industrial que abriga grandes empresas do setor, o número de consultas de empresas estrangeiras aumentou quando o governo lançou o calendário de leilões de 2017 a 2019.

“Acredito que quando o nó político do país for desatado, os investimentos retomem”, disse. Construído durante o boom do pré-sal, o parque atraiu as gigantes do setor, como a Schlumberger e Baker Hughes, mas nos últimos anos teve de remodelar seus negócios para se adaptar a uma nova realidade de mercado. O metro quadrado do condomínio, de R$ 400, caiu para cerca de R$ 300, e os terrenos foram divididos em pedaços menores, com foco em fornecedores de menor porte.

José Antonio Cunha, gerente de Negócios Naval e Offshore da Air Liquide, de gases industriais, explica que, com a crise das grandes empreiteiras, após a eclosão da Lava-Jato, fornecedores menores começam a ganhar mais espaço nos serviços de manutenção e operação de plataformas.

“A Petrobras já não tem assinado aqueles contratos bilionários com as grandes empreiteiras, ela está trabalhando hoje mais com serviços mais picados”, comenta Cunha, que afirma que, mesmo em baixa, o mercado ainda gera oportunidades de negócios. “Temos um mercado existente onde podemos tentar melhorar nossa participação”, explica o gerente da Air Liquide, que pretende investir num novo centro de enchimento gasoso de Nitrogênio em Macaé.

A Petrustech, brasileira que fornece produtos e serviços para plataformas, é uma dessas “novas emergentes”. Mesmo num momento de baixa demanda no mercado, a companhia aumentou em 57% o seu faturamento no Brasil, no ano passado, para R$ 135 milhões, e tem como meta atingir os R$ 200 milhões em 2018.

Presidente da Petrus, Daniel Schmidt, conta que a estratégia tem sido ampliar a certeira de serviços e produtos e diversificar sua base de clientes – em seis anos de vida, a companhia fechou 947 contratos, sendo apenas quatro deles com a Petrobras.

“Uma nova geração de empresas está surgindo. A tendência hoje no mercado é de mais contratos [de menor valor], com mais empresas menores”, disse.

Já o gerente de negócios da área de aluguel de compressores da sueca AtlasCopco, José Carlos Lara, destaca que, com a estratégia das empresas de diversificarem os seus portfólios, o grau de competição entre os fornecedores aumentou. “Para empresas mais preparadas, [essa competição] é positiva, mas aquelas que não fazem parte de um grande grupo econômico podem não aguentar passar pelo momento de baixa”, afirma.



Por André Ramalho