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FGTS impulsiona a venda de material de construção


As vendas do varejo de material de construção, que vinham em trajetória de queda desde 2015, voltaram a crescer no acumulado de janeiro a maio deste ano, com avanço de 6%, na comparação anual. A alta foi impulsionada pela liberação dos recursos de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Influiu também no desempenho a queda da inflação e dos juros, além da enorme demanda reprimida que se formou durante os dois últimos anos de crise. Em 2016 e 2015, as vendas recuaram 6,5% e 5%, respectivamente, em termos nominais.

Os dados são da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), que prevê para este ano um crescimento de 5%, na mesma base comparativa. "Temos sentido um pequeno reaquecimento do mercado, principalmente na parte de manutenção. O consumidor que adiou por dois ou três anos a reforma do imóvel, não tem mais como adiar", afirma o presidente da entidade, Cláudio Elias Conz.

Ainda mais importante do que a demanda reprimida, o executivo aponta para a liberação dos recursos das contas inativas do FGTS como fator decisivo para o resultado positivo. "Boa parte desse dinheiro está vindo para o nosso setor", diz. Estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e divulgado na última passada, comprova a visão de da Anamaco.

Resultado de imagem para FGTS impulsiona a venda de material de construçãoDe acordo com o levantamento, no mês de março deste ano, dos R$ 5,5 bilhões sacados das contas inativas, R$ 594,4 milhões foram injetados no comércio de material de construção - 10,81% do montante total.

"A queda dos juros e da inflação aumenta a confiança e tem um efeito indireto nas vendas, mas o que contribuiu mesmo no período foi a injeção dos recursos do FGTS. O crescimento nos primeiros meses do ano se deve em boa parte a isso", afirma o diretor geral da rede Telhanorte, Juliano Ohta.

Apesar do crescimento do setor no acumulado de janeiro a maio deste ano, na medição dos últimos 12 meses finalizados em maio o ramo ainda segue no negativo, com uma retração de 6%, de acordo com a Anamaco.

Para reverter o cenário, outra aposta da entidade é o 'Cartão Reforma'. O programa, aprovado no começo do ano no Congresso, fornece crédito para famílias de baixa renda comprarem material de construção para reformas. O primeiro edital, de R$ 100 milhões, foi liberado no mês passado, mas só deve começar a surtir efeito no resultado das vendas de junho. Até dezembro deste ano, a previsão do governo é que mais R$ 900 milhões sejam liberados.

Desempenho dos lojistas

O reaquecimento do mercado, descrito pela Anamaco, foi sentido também por três varejistas do ramo: Telhanorte, Village e Nicom. A primeira, por exemplo, afirma que o ano começou bom para a rede, e que as vendas têm crescido acima da média do setor. "O ano começou promissor. Tem uma demanda reprimida de dois anos e as reformas começaram mais fortes. Resta saber o que vai acontecer no período restante", afirma Ohta.

Resultado de imagem para FGTS impulsiona a venda de material de construçãoA previsão da empresa é de que o crescimento do consolidado de 2017, caso o cenário se mantenha semelhante ao atual, seja próximo de dois dígitos. Deve contribuir para isso a abertura de mais duas unidades, previstas ainda para este ano, e o investimento alto feito pela empresa no aperfeiçoamento de processos internos, logística e relacionamento com o cliente. De acordo com Ohta, desde 2010, R$ 43 milhões foram investidos nas melhorias.

"Outra coisa que temos feito de forma bastante intensa é estudar a jornada do consumidor", afirma. A análise resultou no lançamento de duas soluções no ano passado: o 'orçamento fácil' e o 'clique e colete'. O segundo, que consiste em um serviço que permite que o cliente compre no e-commerce e retire na loja física, já foi implantado nas 41 unidades da rede.

O avanço das vendas nos primeiros meses do ano foi reportado também pela rede Village. A empresa, que possui 16 lojas em operação, registrou um crescimento de 5% no acumulado de janeiro a abril deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado vem após dois anos seguidos de desempenho fraco: estabilidade nas vendas de 2016 e retração de 3% em 2015.

Para o consolidado deste ano, a empresa prevê um crescimento de 8%, frente a 2016, caso o cenário de instabilidade política não piore. "Essa era nossa projeção no início do ano, já contando com duas aberturas. Vamos tentar mantê-la, mas se a crise política se alongar a tendência é que ela contamine a economia", diz o sócio-diretor da rede, Marcos Atchabahian.

Como a empresa é focada na classe de baixa renda - muito dependente de crédito para a compra de materias de construção -, a queda dos juros e a confiança do consumidor são aspectos cruciais para o bom desempenho da operação. "70% das minhas vendas são parceladas. E para o consumidor entrar no parcelamento ele tem que estar muito seguro de que a sua vida estará funcionando bem no futuro". Nesse sentido, um quadro persistente de instabilidade no âmbito político seria extremamente prejudicial para as vendas da rede.

O cenário para a loja Nicom, localizada na zona sul de São Paulo, vem se mostrando um pouco mais complicado do que o das concorrentes. De acordo com o presidente da empresa, Hiroshi Shimuta, a rede viu estabilidade nas vendas nos primeiros três meses do ano, frente ao mesmo período de 2016. O resultado só começou a melhorar a partir de abril e a previsão do empresário é fechar o ano com uma alta entre 2% e 3%. "O mais importante é o desemprego: se ele começar a cair, minhas vendas alavancam", afirma.

Fechamento de lojas

A projeção de recuperação gradual das vendas não deve alterar, no entanto, o cenário de fechamentos de lojas no setor. Com um saldo negativo de 11 mil pontos de venda em 2016, a perspectiva para este ano é que o movimento de diminuição da quantidade de operações continue ocorrendo, de acordo com o presidente da Anamaco, Cláudio Elias Conz. Atualmente, são 148 mil lojas de material de construção operando no Brasil.

"Em 2017, a tendência é que ainda haja uma redução no número de lojas. Mas acredito que os fechamentos são saudáveis para o setor, porque eram unidades que não estavam indo bem. E isso não interfere no consumo, apenas transfere para outras lojas", diz o executivo.