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Crise política não afeta investimentos no Brasil, afirma executivo da Statoil

A crise política enfrentada pelo presidente Michel Temer não alterou os planos da estatal norueguesa Statoil de investir no Brasil e buscar ampliar a atuação no país, principalmente por causa das alterações legais recentemente promovidas pelo governo. Na avaliação da companhia, essas mudanças deveriam continuar, por exemplo, com a prorrogação do Repetro,

programa que reduz custos para o setor e estimula investimentos.

Às vésperas de ser denunciado pela Procuradoria­Geral da República (PGR), Temer desembarca hoje em Oslo, numa visita diplomática e em busca de capital externo especialmente para projetos de infraestrutura.

“Atuamos em diversos países. Estamos acostumados com as mudanças de governo. O que estamos buscando é um marco regulatório consistente e com previsibilidade. O que vimos recentemente é que houve mudanças legais, na parte de conteúdo local, de regras de unitização. Houve uma série de alterações positivas apesar de ainda ter algumas questões que

precisam ser resolvidas”, disse ao Valor o presidente da Statoil no Brasil, Anders Opedal, que ocupa o cargo desde janeiro deste ano e está, em Oslo, durante a visita de Temer.

A Statoil, que adquiriu a participação da Petrobras num bloco da parte sul de Carcará, no pré­sal, no ano passado, quer agora se tornar a operadora de toda a área, que fica na Bacia de Santos e é uma das maiores descobertas do mundo. Outro leilão ­ da fatia norte de Carcará ­ está previsto para outubro e na mira da estatal norueguesa.

“Nós gostaríamos de ser o operador de todo o Carcará. Essa é a nossa ambição”, afirmou Opedal. A previsão é que a Statoil perfure ainda este ano um poço de exploração em Guanxuma ­ um outro prospecto no BM­S­8, bloco da área de Carcará adquirido após a venda feita pela Petrobras. Em 2018, a norueguesa deverá realizar testes de fluxos em Carcará.

O time responsável pela análise de prospecção e exploração da Statoil ainda está estudando quais as outras licitações em que a empresa deve concorrer. O executivo lembrou que isso pode ser decidido até setembro ou outubro, com base no cronograma de rodadas anunciadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que incluem tanto áreas do pré-sal e fora dele também.

“A Statoil é um grande player no Brasil e vamos continuar lá por um longo prazo. (…) Normalmente não comentamos a situação política dos países. O mais importante é que o governo, qualquer que seja ele, trabalhe com um marco regulatório com previsibilidade”, se limitou a comentar Opedal sobre as denúncias contra Temer envolvendo suposta corrupção e

Obstrução de Justiça

Uma das demandas do setor é que o governo confirme a prorrogação do Repetro, cujos benefícios estão previstos somente até 2019. Em novembro do ano passado, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, prometeu que o regime aduaneiro especial seria prolongado por 20 anos, mas a medida ainda não foi anunciada.

“Isso é sobre ter previsibilidade para novos investimentos”, ressaltou e executivo, lembrando que projetos como Carcará e o bloco BM­C­33, na Bacia de Campos, são de longo prazo ­ algo próximo de 30 anos.