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Concorrentes tentam barrar venda da Liquigás

Um batalhão de terceiros interessados busca frustrar a estratégia da Ultragaz para viabilizar a compra da Liquigás no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O grupo é formado por empresas concorrentes ­ Supergasbras, Nacional Gas, Comgás e Copagaz ­ e a Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), que também opinou sobre a operação mesmo sem estar formalmente registrada no processo.

As duas líderes do mercado de GLP ­ o gás de cozinha ­ sabem que a junção das empresas preocupa a autoridade antitruste e busca convencer o Cade que esse mercado concorre com o de gás natural, o que diminuiria sua participação no mercado total.

A Ultragaz contratou o ex-conselheiro do Cade, Carlos Ragazzo, para elaborar um parecer, no qual ele diz que há evidências de pressão competitiva entre os dois produtos no GLP envasado em 345 municípios. Já no GLP a granel, verificou-se em 17 mercados.

Todas as terceiras interessadas se posicionaram contra a tese e protocolaram pareceres afirmando o contrário no Cade. “A Ultragaz afirmou que não poderia exercer poder de mercado porque concorreria com distribuidoras estaduais de gás natural canalizado, o que é um equívoco”, disse o advogado Arthur Villamil, do lado da Aepet.

“O custo de extensão de rede de um gasoduto é muito elevado e a população atendida com gás natural canalizado é menos de 1%. Não haveria rivalidade efetiva”, prossegue. Na mesma linha, a Supergasbras afirma que “não há base tática, comercial ou econômica que sustente suposta substituibilidade entre os dois produtos, tampouco eventual inclusão de GLP e GN no mesmo mercado relevante”.

As concorrentes questionam a concentração excessiva no setor com o negócio. “A operação gera significativa concentração de mercado em praticamente todos os estados do Brasil”, em ambos os segmentos, “podendo gerar danos irreparáveis à estrutura competitiva dos respectivos mercados e a consumidores”, disse a Nacional Gas.

Segundo dados recolhidos por Villamil, a Ultragaz é a maior distribuidora, com 23%, seguida pela Liquigás, com 22%. Em terceiro lugar está a Supergasbras (20%) e em quarto a Nacional Gás (19%). A operação ainda está em análise na Superintendência Geral do Cade