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Atraso nas licitações vira preocupação


Depois de cair quase R$ 26 bilhões em três anos, a expectativa era que o volume de investimentos no setor de infraestrutura (exceto petróleo e gás) iniciasse uma recuperação gradual a partir deste ano, com crescimento de 1,8% e retomada em 2018. Mas, com a turbulência política das últimas semanas, as projeções podem não se concretizar.

Na avaliação de especialistas, a principal preocupação neste momento é com o atraso no lançamento de licitações, o que melhoraria o nível de investimentos no País.

O Brasil vive hoje um grave problema de falta de projetos prontos para serem levados a leilão. E é nesse ponto que recaem as apreensões sobre os reflexos da crise política. Especialistas temem que os esforços para tirar projetos importantes do papel se diluam com a piora do ambiente político. Nos últimos meses, questões importantes do setor vinham sendo resolvidas, como a estruturação do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), mudança nos editais e a preocupação com a proteção cambial.

O resultado desses esforços foi verificado nos dois leilões de concessão feitos neste ano, de linha de transmissão de energia elétrica e de aeroportos. “Em algumas áreas, se houvesse leilão amanhã haveria interessado”, diz o presidente da consultoria Inter.B, Claudio Frischtak. Ele se refere sobretudo aos empreendimentos de transmissão de energia onde, além de o risco ser pequeno pelo novo modelo de negócio, com renda fixa, os órgãos responsáveis funcionam bem, como a agência reguladora do setor (Aneel).

A aprovação das reformas (trabalhista e da Previdência), unanimidade entre os executivos, pode dar mais segurança e perspectiva de estabilidade em especial aos investidores estrangeiros. “Não podemos ficar à mercê de uma crise política a cada semestre. Temos de fazer o Congresso fazer o trabalho deles”, diz o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins.

Durante viagem ao Japão, ele disse ter sondado as agências de desenvolvimento do país sobre a situação do Brasil: “Eles acham que em dois anos estaremos bombando. Eles têm interesse em investir aqui, especialmente nas áreas de energia, telecomunicações e rodovias”. O sócio da BF Capital, Renato Sucupira, que acabou de voltar do exterior, afirma que a questão da corrupção não é uma preocupação para o estrangeiro, mas eles temem que a crise política interfira na parte econômica. “Por isso, a aprovação das reformas pode dar uma boa perspectiva para os investidores.”

Reação. Nos últimos dias, o governo tem ensaiado alguma reação na área de concessões. Semana passada, anunciou o leilão da Ferrovia Norte-Sul para início de 2018 e a construção do Ferroanel como contrapartida para renovação do contrato da MRS. “Neste momento, a estratégia é pegar projetos com riscos mais controlados, privatizar ativos ou renovar concessões em troca de novos investimentos”, afirma o professor de estratégia do Insper, Sérgio Lazzarini.

Nessa linha, há uma série de investimentos que podem dar novo fôlego ao Produto Interno Bruto (PIB). No ano passado, os recursos aplicados em infraestrutura ficaram em 1,68% do PIB – menos da metade exigida só para manter a infraestrutura existente. Isso significa que a rede atual está se deteriorando com o baixo investimento. “As oportunidades são evidentes, até porque temos tudo por fazer em infraestrutura”, diz Lazzarini.

O que pode ser feito

1. É unânime entre os executivos que a aprovação das reformas da Previdência e trabalhista pode dar mais segurança e perspectiva de estabilidade, em especial, para os investidores estrangeiros.

2. Maior temor do investidor estrangeiro não é a questão da corrupção no País. O que eles mais temem é que a crise política interfira na parte econômica. Especialistas estão receosos de que os esforços para tirar projetos de infraestrutura importantes do papel acabem diluídos pela crise política.

3. A estratégia apontada pelos especialistas é pegar projetos com riscos mais controlados. Existem vários investimentos que podem dar fôlego à economia. No ano passado, apenas 1,68% do PIB foi aplicado em infraestrutura. Isso é menos da metade do que é preciso investir para manter a infraestrutura já existente.