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Exportações brasileiras prejudicada pela escassez de contêineres refrigerados

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Cargas congeladas que têm como destino a exportação enfrentam hoje, no Brasil, um enorme obstáculo para chegarem aos seus destinos: a falta de contêineres reefers (equipamentos isolados termicamente, que podem manter uma baixa temperatura no seu interior para preservar produtos perecíveis). Esse cenário está prejudicando as remessas de frutas, peixes, carnes de frango, bovina e suína, entre outros artigos.

O Presidente da Associação Gaúcha da Avicultura (Asgav), Nestor Freiberger, confirma que a reclamação quanto à falta dos contêineres reefers chegou à entidade através dos seus afiliados. “E o problema não é só no Rio Grande do Sul, é no País inteiro”, alerta.

O dirigente acrescenta que foi solicitada uma explicação para os armadores sobre a causa desse fenômeno, que vem sendo percebido desde o começo deste ano. “Mas estamos esperando até hoje, não sei o que está acontecendo e não se encontram respostas”, lamenta. Freiberger receia que possa ser uma estratégia para elevar o preço dos fretes.

Segundo o dirigente, o produtor não tem margem para absorver ou repassar esse custo extra, e, nos últimos dois meses, o tema vem se agravando. O integrante da Asgav argumenta que é difícil mensurar em números o prejuízo, mas são visíveis as perdas. Entre as implicações estão atrasos em embarques, quebra de contratos, interrupção de abates, pois as câmaras frigoríficas de estocagem de produtos ficam lotadas.

Os principais destinos das exportações das empresas do setor de avicultura, com origem no Rio Grande do Sul, são países do Oriente Médio, da Ásia e da Europa.

O Gerente de logística da Languiru, Leonardo Guerini, confirma a carência de contêineres reefers. O executivo comenta que é um fato que já aconteceu outras vezes nesse período do ano, porém o que chama a atenção agora é que a falta de equipamento está demorando mais tempo para ser solucionada. Guerini diz que, normalmente, o assunto leva duas a três semanas, no máximo, para ser resolvido, e, neste ano, a questão se arrasta por meses. “Está complicado, bem complicado para o ramo”, reclama.

Guerini detalha que as opções são deixar de produzir para exportação e se voltar para o mercado interno, utilizar o estoque ou armazéns. No caso da Languiru, aproximadamente 40% da sua produção tem como destino o mercado externo. Usualmente, o grupo demanda de 70 a 80 contêineres refrigerados por mês.

Hamburg Süd atribui os problemas à depreciação do frete ao longos dos anos

Na outra ponta da cadeia logística, a transportadora marítima Hamburg Süd também confirma que existe carência de contêineres reefers para exportar cargas pelos portos brasileiros atualmente. “Nós, da Hamburg Süd, estamos enfrentando essa falta de equipamento reefer, especialmente nos portos do Sul e Sudeste”, informa o Reefer Sales Manager da companhia, Rodrigo Gomes. Conforme o executivo, o principal motivo foi a depreciação dos fretes de exportação ao longo dos últimos anos (mais de 60%), causando para todos os armadores uma baixa rentabilidade dessa atividade na região.

Localidades com fretes mais altos e, consequentemente, rentabilidade melhor foram privilegiadas e beneficiadas com o recebimento de mais equipamentos reefers. Um exemplo disso é a exportação de frutas nos portos do Caribe. Gomes afirma que os armadores estão procurando soluções.

O impacto da redução das exportações através dos contêineres reefers também acaba afetando o Terminal de Contêineres (Tecon) de Rio Grande. O Diretor Comercial do grupo, Renê Wlach, revela que o complexo, que tinha uma média mensal de exportação de 1 mil a 1,2 mil contêineres refrigerados, viu esse número cair para cerca de 400 unidades. Wlach acrescenta que o preço para adquirir um contêiner refrigerado é de aproximadamente US$ 20 mil, contra US$ 6 mil de um contêiner normal.

Porém, o transporte feito com um contêiner reefer rende o dobro em valor de frete para o armador. O Jornal do Comércio tentou entrar em contato com os armadores Maersk e MSC e com o Centro Nacional de Navegação (Centronave), mas não teve retorno das perguntas feitas.

Antaq descarta intervenção e diz que condições do mercado são suficientes para regulação

Em princípio, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) possui competência para cobrar que os armadores coloquem contêineres reefers no mercado. No entanto, segundo a assessoria de imprensa da agência, “essa medida pressupõe uma intervenção extrema e desnecessária na esfera privada e, portanto, não é cogitada”.

A entidade entende que as condições de mercado são suficientes para a regulação dessa questão, uma vez que a demanda por contêineres é derivada da produção nacional destinada à exportação. Crescendo a atividade, é natural que os armadores disponibilizem mais unidades de carga refrigerada aos exportadores, o que, no entanto, demandará custos logísticos em razão do evidente desequilíbrio entre contêineres embarcados e desembarcados no País.

A Antaq admite que é inegável o desbalanceamento entre contêineres reefers embarcados e desembarcados no Brasil na navegação de longo curso, o que poderia, em tese, ocasionar a escassez de contêineres refrigerados para exportação. Conforme o órgão regulador, no ano passado, cerca de 34 mil contêineres reefers embarcaram no Brasil por mês. Em 2017, essa média vem se mantendo em 33 mil contêineres reefers mensais. Como em 2016 desembarcaram no País em média 28 mil unidades de carga refrigerada por mês e, em 2017, 24 mil unidades, o desequilíbrio foi de cerca de 6 mil equipamentos por mês em 2016, e tem sido de aproximadamente 9 mil unidades em 2017. A diferença precisa ser equacionada através de contêineres refrigerados que venham vazios para o Brasil, somente para pegar cargas, e não para desembarcá-las.


Por Jefferson Klein