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A Petrobras e o Banco Central

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Uma reportagem do G1 apresenta a evolução do preço da gasolina nos últimos meses. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, que monitora mais de 5600 postos no país. O gráfico mostra uma forte volatilidade dos preços desde que a Petrobras anunciou sua nova metodologia para o reajuste dos combustíveis, em setembro do ano passado. O movimento é muitas vezes contraditório, ou seja, quando a estatal subiu os preços, o mercado baixou, e vice-versa.

Estão todos aprendendo a lidar com uma nova realidade para a formação dos preços. A Petrobras avisou que vai mexer com mais frequência nos valores para acompanhar as mudanças, que também são frequentes, que ocorrem no mercado internacional. Além do preço 'básico', os envolvidos têm de equilibrar oferta e demanda, além de ajustar a gestão de fluxo e estoque do negócio.

Tudo indica que haverá uma dinâmica mais intensa, mas não necessariamente mais brusca dos preços. Tanto é assim que, entre setembro passado e agora, o valor médio do litro saiu de R$ 3,638, chegou a R$ 3,765 e agora está em R$ 3,626. A sintonia mais fina depende, claro, da volatilidade externa do preço do petróleo que, por sua vez, depende de muitas outras variáveis que passam longe do mercado brasileiro.

Quanto mais equilibrado for o movimento no valor dos combustíveis, mesmo que com mais frequência, mais equilibrado será o impacto que os preços de um produto tão básico representam na economia. O processo inflacionário se forma neste fluxo de preços e ajustes. A gasolina sempre foi um fator de incerteza no Brasil. Mais ainda nos anos de Dilma Rousseff que abusou da manipulação dos preços para ganhar votos e segurar a inflação à marra. Deu no que deu.

A nova política da Petrobras é um exemplo de como a decisão de uma gigante do mercado desencadeia transformações na gestão de toda cadeia. Vale para o bem e para o mal. Também vimos o lado negativo na exigência do conteúdo nacional para o setor de óleo e gás, que obrigou a estatal a gastar mais por bens de pior qualidade e mais caros.

A libertação da Petrobras provocou, neste primeiro momento, esta movimentação de sinais trocados entre a estatal e o mercado de gasolina. Mas no longo prazo, em se mantendo a responsabilidade, a transparência e o profissionalismo na gestão da companhia, o litro da gasolina brasileira vai deixar de ser combustão para a inflação. Salvos os momentos de absoluto descontrole no mercado internacional – o que uma guerra poderia causar. Mas é melhor pensar que não.

Deixando de ser um risco constante nas mãos de governos populistas e irresponsáveis, a Petrobras também desafoga o Banco Central. Aos poucos, o preço dos combustíveis pode deixar de ser uma incógnita ameaçadora e passar a ser um elemento importante, como outros tantos que compõem os cenários para o comportamento da inflação na economia. Juros mais baixos são o mínimo que pode acontecer pela frente.