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CBPM fará pelo menos duas licitações este ano

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Em entrevista ao Conexão Mineral o diretor-presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Hari Alexandre Brust, e o diretor-técnico, Rafael Avena, apresentam as principais iniciativas do órgão e as perspectivas para a mineração esse ano.

Ainda em 2017, deverão ser licitados os projetos Jurema Leste e Caboclo dos Mangueiros. Além disso, as últimas licitações realizadas pela CBPM devem gerar investimentos na Bahia: areia silicosa da Vitro e da Portsmouth e nefelina sienito da B4F.

Na opinião da CBPM, quais são os pontos positivos que podem favorecer a mineração brasileira esse ano?

Hari Brust - A reação positiva dos preços das commodities, verificada no final de 2016, que, se for mantida em 2017, fará com que os investidores voltem a colocar a mineração como prioridade e, em termos de Bahia, a volta das atividades da Mineração Caraíba em fevereiro e a expectativa do retorno da Mirabela, prevista para recomeçar a produzir no segundo semestre de 2017.

E quais são os negativos?

Hari Brust - Os pontos negativos continuam a ser a deficiência de infraestrutura e, principalmente, a indefinição jurídica pela falta de aprovação do Marco Regulatório da Mineração.

 Quais são os principais projetos da CBPM em 2017?

Rafael Avena - A CBPM deverá enfrentar em 2017 o mesmo desafio de 2016, o de trabalhar com um orçamento de investimento reduzido e ficar submetida à crise por que passa a mineração mundial. Pretendemos, portanto, maximizar os trabalhos, reduzir os custos, inclusive das áreas requeridas, atuando prioritariamente naquelas que apresentem indícios potencialmente promissores do ponto de vista metalogenético, passando em seguida a dar ênfase na atração de investimentos.

Assim sendo, dar-se-á continuidade ao Progeo – Programa de Estudos Geológicos e ao Proadim – Programa de Análise e Investigação de Ambientes Geológicos, cujas ações visam o conhecimento geológico. Além disso a empresa vai iniciar um projeto inédito, denominado de Minerais Portadores de Futuro, visando à integração de dados em ambientes propícios a conterem minerais estratégicos e portadores de futuro, uma denominação atual para um grupo de substâncias consideradas como essenciais para o desenvolvimento das cadeias produtivas de alto valor agregado, como terras raras (etrs), fosfato, potássio, grafite (para grafeno), cobalto, tântalo, tálio e lítio, entre outros.

Dois outros programas importantes no âmbito da prospecção em direitos minerários da CBPM, serão executados: o Prevap – Programa Estratégico de Valorização de áreas de Pesquisa da CBPM e o Prospem – Programa Sistemático de Pesquisa Mineral , incluindo entre outras ferramentas de prospecção mineral, cerca de cinco mil metros de sondagem, visando a descobertas de novos depósitos minerais.

Dentro das expectativas para 2017-2018, substâncias minerais como o zinco, fosfato, calcário, ouro, quartzo, feldspato, níquel e o próprio ferro, além do cobre e do titânio, poderão ampliar a atual participação da CBPM no cenário mineral baiano e para tanto se pretende dar ampla divulgação dessas oportunidades minerais, com a participação em pelo menos dois importantes eventos previstos para 2017, o PDAC, no Canadá e a Exposibram, em Minas Gerais.

Para 2017 a projeção de receita de royalties (recursos próprios da CBPM) aponta para uma evolução otimista, levando-se em conta, principalmente, a evolução do Vanádio de Maracás, que até 2020 deverá estabilizar sua contribuição em torno de 20% e ao retorno das atividades da Mirabela e da produção de ouro em Santaluz, pela Yamana.

 A CBPM fará alguma licitação de área mineral em 2017? Poderia dar detalhes desses projetos e prazos, se for o caso?

Hari Brust - Devido à crise no setor mineral, em 2016 a CBPM assinou apenas um contrato de pesquisa complementar e promessa de arrendamento com a Fibra Participações e Empreendimentos Ltda., empresa com sede em Muquém de São Francisco, na Bahia, visando a pesquisa de barita em Contendas do Sincorá. O investimento total previsto é de R$ 5 milhões, com geração de 30 empregos diretos e início de produção para 2018. A estimativa de produção é de 20.000 t/ano de barita beneficiada.

Para 2017 temos boas perspectivas de novos investimentos. Deveremos fazer duas licitações, para dois importantes prospectos (Jurema Leste e Cabloco dos Mangueiros), além das possíveis novas descobertas advindas do programa de sondagem. E esperamos que os três empreendimentos, recentemente viabilizados pela CBPM, possam entrar em produção ainda esse ano. A da areia silicosa, da Vitro e da Portsmouth Participações/Mineração Jundu, e o da nefelina sienito de Itarantim, da B4F, bem como as minas de ouro, arrendada a BioGold/Yamana, a de fosfato primário, arrendada a Galvani/Yara e a de cobre, arrendada à Pedreira Petrolina, possam, também, entrar em produção até o final de 2017.

Quais são os principais investimentos minerais em curso na Bahia atualmente?

Hari Brust - Em termos de Bahia a grande esperança está nos novos empreendimentos que estão se concretizando, como no caso dos diamantes da Lipari e da Bamin.

Quais facilidades a CBPM proporciona para uma empresa que deseja investir em um projeto mineral na Bahia?

Hari Brust - A CBPM é uma empresa de desenvolvimento mineral, ligada diretamente à Secretaria de Desenvolvimento Mineral – SDE do Estado da Bahia, sendo, portanto, o braço executivo da política mineral do Estado. Através dela são executadas pesquisas minerais em todo o território baiano e, quando este trabalho viabiliza uma área economicamente promissora é realizado licitação pública, visando atrair empresas privadas para serem parceiras na avaliação e exploração, se for o caso, dos depósitos descobertos. Para tanto, a CBPM apresenta como atrativo o seu imenso acervo de dados e os trabalhos iniciais de pesquisa, onde o risco é maior, bem como dados de mapeamento, prospecção, levantamentos geológicos e aerogeofísicos, que são ferramentas essenciais numa pesquisa mineral. Nesse sentido já foram licitadas mais de 100 oportunidades minerais em seus 44 anos de existência, o que resultou na implantação de seis grandes minas (bentonita, em Vitória da Conquista; fosfato, em Irecê; vanádio, em Maracás; níquel, em Itagibá; e ouro, em Santa Luz), estando em fase de implantação mais alguns importantes empreendimentos, como os de areia silicosa, cobre, ouro, ferro, nefelina, entre outros.

Quais foram os mais recentes contratos firmados pela CBPM?

Rafael Avena - Recentemente celebramos três importantes contratos de arrendamento de jazidas de titularidade da CBPM. O primeiro com a Vitro do Brasil Indústria e Comércio Ltda., que irá lavrar sílica de alta pureza, em Belmonte, para fabricação de embalagens de vidro para cosméticos e perfumaria, com um projeto de ampliação previsto, em análise, para a produção e fornecimento de vidros destinados à indústria automobilística. Um outro, nessa mesma área de areia, com a Mineração Jundu, do Grupo Francês (Portsmouth Participações/Saint-Gobain) para fornecimento de matéria prima para diversos segmentos ligados à vidros especiais, inclusive para placas fotovoltaicas e o terceiro para a lavra e beneficiamento dos depósitos rochosos da nefelina-sienito, em Itarantim, pela empresa B4F Holdings Ind. e Com. Ltda., visando à obtenção da nefelina, mineral usado como matéria prima nas indústrias cerâmicas de revestimento e de vidros. Os três arrendamentos foram resultantes de Licitação Pública efetuada pela CBPM, cujo Contrato de Pesquisa Complementar e Promessa de Arrendamento da Lavra geraram prêmios de oportunidade para a companhia no valor de R$ 100 mil cada um, além de royalties, devendo criar cerca de 40 empregos diretos cada um, apenas na fase de lavra.

Na opinião da CBPM, a reativação ou criação de outras instituições estaduais de fomento poderia contribuir para o desenvolvimento da mineração brasileira?

Hari Brust - No passado, a mineração brasileira teve empresas ou entidades de fomento e desenvolvimento mineral como suporte ao desenvolvimento mineral e isto serviu para alavancar o setor durantes anos de crescimento. Infelizmente, aos poucos os governos foram deixando a mineração em segundo plano, extinguindo essas entidades. Felizmente isso não ocorreu com a Bahia, que há 44 anos mantém a CBPM e, consequentemente, fazendo da Bahia um dos Estados brasileiros mais bem estudado, geologicamente falando. Acredito ser muito difícil o retorno dessas entidades estaduais de mineração, mas elas seriam de fundamental importância para o desenvolvimento mineral brasileiro.

 Existe algum levantamento mostrando quais ou quantos projetos a CBPM já participou nos últimos anos?

Rafael Avena - A CBPM realizou ao longo dos seus 44 anos mais de 400 projetos técnicos, detendo atualmente um dos maiores acervos geológicos do País, incluindo informações técnicas de mapeamento geológico, prospecção mineral, levantamentos aerogeofísicos, geofísica, geoquímica, exploração mineral e avaliação de reservas. Graças a esse trabalho foi possível viabilizar grandes minas  e dezenas de oportunidades minerais, que estão sendo disponibilizados via licitação pública, à iniciativa privada, cujo retorno para a empresa ocorre mediante pagamento de royalties e prêmios de oportunidade mineral.





Fonte: Conexão Mineral