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Petroleiras planejam retomar investimento

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As petroleiras devem elevar os investimentos neste ano em meio à recuperação dos preços do petróleo, que dá mais confiança para retomar alguns projetos adiados durante a época de congelamento dos gastos nos últimos dois anos.

O petróleo vem sendo negociado em torno a US$ 55 por barril, o dobro do ponto mais baixo em 12 anos, atingido no início de 2016, depois que alguns dos maiores produtores mundiais, dentro e fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), terem acertado a primeira redução da produção em mais de dez anos.

A recuperação dos preços, somada aos grandes cortes de custos promovidos pelas petrolíferas desde que as cotações desabaram (em 2014 estavam em mais de US$ 100 por barril), fortaleceu a geração de fluxo de caixa no setor e tornou mais atraente a viabilidade econômica de muitos projetos em estudo.

Entre os candidatos a receber investimentos estão o campo de Libra, em águas profundas brasileiras, da Total

“A indústria saiu do modo de sobrevivência, passando por uma fase de adaptação aos preços mais baixos, e agora começa a pensar em retomar o crescimento”, diz o analista Malcolm Dickson, da consultoria especializada Wood Mackenzie.

Os gastos mundiais em bens de capital pelas principais empresas de produção e exploração vão somar US$ 450 bilhões em 2017, 3% a mais do que em 2016, e pôr fim a dois anos de fortes reduções, segundo previsões da Wood Mackenzie publicadas na quarta-feira. Neste ano, o número de decisões a favor de investimentos em novos projetos de exploração das 60 petrolíferas avaliadas pela consultoria ­ entre estatais, grandes multinacionais e empresas independentes ­ vai mais do  que dobrar em comparação a 2016, de nove para mais de 20.

Há outras projeções na mesma linha. Uma pesquisa com mais de cem empresas de exploração e produção feita por analistas do Barclays previu que seus investimentos em bens de capital vão subir, em média, 7% neste ano. A Rystad Energy, um grupo de análises do setor de energia, estimou que neste ano as petrolíferas vão aprovar um aumento na capacidade de produção em plataformas marítimas de 15 bilhões de barris de petróleo equivalente, em comparação aos 6 bilhões de 2016.

“As empresas, enfim, podem ver um piso sob os preços do petróleo e os parâmetros de lucratividade [dos projetos] convergem para o mesmo nível”, diz o analista Iain Reid, do Macquarie.

Há investimentos em 40 grandes projetos de exploração aguardando sinal verde das petrolíferas, segundo a Wood Mackenzie, e pelo menos a metade deve ganhar aprovação em 2017.

Entre os candidatos estão o campo de Libra, em águas profundas brasileiras, da Total, e o projeto de gás Absheron, no Azerbaijão, também do grupo francês. O campo de gás Coral South, em Moçambique, aproxima-se da decisão final de investimento da ENI.

A ExxonMobil parece encaminhada a dar seu aval para os investimentos na gigantesca descoberta de petróleo no campo de Liza, perto da costa da Guiana. O grupo americano anunciou em dezembro já ter assinado contratos para o design e a parte de engenharia da plataforma marítima de produção a ser usada no campo.

Apesar da grande melhora em relação aos dois últimos anos, os investimentos em exploração e produção em 2017 ainda vão ser 40% menores do que os de 2014, de acordo com a Wood Mackenzie. O número de aprovações de novos projetos também vai ficar abaixo da média de 40, verificada entre 2010 e 2014, segundo a consultoria.

“Saímos do fundo do poço, mas não acho que vamos arrancar com tudo”, diz o analista Iain Armstrong, da firma de investimentos Brewin Dolphin. Ele destaca a incerteza quanto à demanda por petróleo no longo prazo diante da ascensão dos veículos elétricos e de outras tecnologias de baixa emissão de gás carbônico, que ameaça acelerar a troca dos combustíveis fósseis. Isso, somado às dúvidas quando à durabilidade dos cortes das cotas da Opep no curto prazo, reduziria o interesse das petrolíferas de aprovar projetos que seriam lucrativos apenas com o barril bem acima de US$ 50, acrescenta.

Os executivos-chefes das empresas de exploração e produção fizeram promessas reiteradas aos acionistas de que vão defender a distribuição de altos dividendos ­ e seus cargos estariam ameaçados se essas promessas não forem cumpridas.

Acredita-se que isso possa garantir que a disciplina quanto aos gastos de capital continue prioritária, após os problemas enfrentados pelos balanços patrimoniais nos últimos dois anos.

Os cinco maiores grupos de petróleo ocidentais tiveram saída de caixa, incluindo dividendos e investimentos em bens de capital, em torno a US$ 48 bilhões em 2016, em comparação a um fluxo líquido de entrada de caixa de US$ 6 bilhões em 2012. “Essas companhias pretendem voltar a ter fluxo positivo de caixa”, diz o analista Steve Wood, da Moody’s. “Elas querem ser cuidadosas e não deixar seu orçamento de capital amarrado a um petróleo a US$ 55.”

Quando as petroleiras de fato se comprometerem a promover investimentos, provavelmente optem por projetos menores, como fizeram nos últimos dois anos.

Analistas e executivos da indústria petrolífera preveem que a recuperação dos investimentos vai ser mais pronunciada na produção de petróleo de xisto nos EUA, cujas melhores áreas ­ em particular na Bacia Permiana do Oeste do Texas ­ oferecem algumas das oportunidades de produção nova de mais baixo custo do mundo.

Os projetos de petróleo de xisto, nos quais cada poço em média custa cerca de US$ 5 milhões, também são muito mais flexíveis do que os tradicionais que consumem bilhões de dólares e tardam anos em ser concluídos. A atividade pode reagir às condições do mercado e ser ampliada ou encolhida em questão de semanas.

A ExxonMobil comunicou em apresentação em 2016 que suas projeções de investimento em possíveis projetos para 2018 e os anos seguintes mostram que poderia elevar a produção em suas reservas de xisto em até 1 milhão de barris de petróleo equivalente: mais do que a possível nova produção somada de fontes convencionais, águas profundas e gás natural liquefeito (GNL). A Chevron também destacou as boas oportunidades no setor de xisto nos EUA.

Em outros lugares no mundo, o foco dos investimentos vai ser direcionado às fontes com custos mais baixos, como nos chamados campos do pré-sal, em águas profundas brasileiras, de acordo com Tom Ellacott, chefe de análise de empresas na Wood Mackenzie.

Algumas empresas provavelmente vão ser mais agressivas do que outras. A Total, por exemplo, sinalizou disposição para intensificar os investimentos depois de ter cortado mais custos do que as rivais. A BP, que em dezembro aprovou US$ 9 bilhões para o projeto Mad Dog 2, no Golfo do México, também busca reconstruir-se depois dos retrocessos desde o custoso derramamento de petróleo da plataforma Deepwater Horizon, em 2010. A Royal Dutch Shell, em contraste, deverá manter os gastos sob controle, uma vez que busca reduzir o endividamento após a aquisição do BG Group por 35 bilhões de  libras esterlinas (US$ 42,57 bilhões) em 2016.

O que haverá de comum entre todas, de acordo com Armstrong, é a determinação em evitar a volta aos gastos em excesso dos anos de alta do petróleo. “Os executivos-chefes e a alta gerência cada vez mais ganham incentivos de acordo com o retorno sobre o capital investido e, por esse critério, o desempenho do setor vem sendo terrível há muito tempo.”